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A vitória de Lula traz dois aspectos para a Gerdau, segundo o CEO Gustavo Werneck. O lado positivo é a continuidade das iniciativas de defesa comercial contra o aço importado, especialmente da China, que já representa 18,5% do mercado brasileiro.
No entanto, há preocupação com a necessidade de um “pacto” para um ajuste fiscal efetivo, essencial para a redução dos gastos públicos e a queda da taxa de juros, beneficiando setores como construção civil e automotivo.
Werneck destaca que a reforma tributária aprovada ajudará na competitividade da indústria, simplificando o pagamento de tributos.
A Gerdau também reduziu em 48% suas exportações no terceiro trimestre, reportando receita de R$ 18,7 bilhões e lucro líquido ajustado de R$ 1,5 bilhão.
A empresa, com forte presença nos EUA, se beneficia da volatilidade do mercado, refletindo em sua valorização na B3.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no domingo, 25 de outubro, traz dois aspectos diferentes para a Gerdau, maior produtora de aço do Brasil. Na visão do CEO Gustavo Werneck, o resultado aponta para um lado positivo e para uma preocupação.
No lado do “copo meio cheio”, está o avanço das iniciativas de defesa comercial, por parte do governo federal, contra o aumento da entrada do aço importado no mercado brasileiro, especialmente em relação ao produto chinês.
Na outra ponta, do lado do “copo meio vazio”, está a preocupação, em relação a uma política fiscal mais efetiva, e uma necessidade de um “pacto”, como Werneck definiu, para endereçar de forma definitiva a redução dos gastos públicos.
“Tem um aspecto positivo em relação à defesa comercial, que é a continuidade do diálogo. A equipe do MDIC [Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio] já conhece a gravidade do tema e já tem implementado uma série de medidas para reduzir a importação do aço desleal”, disse o CEO da Gerdau, durante coletiva de imprensa dos resultados do terceiro trimestre.
Ainda assim, para ele, as medidas precisam ser aceleradas para garantir a competitividade das empresas brasileiras, segundo ele. A companhia diz que, nos nove primeiros meses do ano, a penetração de aços importados no País alcançou 18,5% do mercado.
“Enquanto o Brasil não encontrar finalmente as medidas de defesa comercial que permitam voltar ao patamar de importação que a gente acha saudável, vamos seguir tendo um pouco de dificuldade de buscar a rentabilidade que a gente precisa”, afirmou Werneck.
Por outro lado, o CEO da Gerdau entende que é necessário que a gestão Lula 4 se debruce sobre os aspectos que foram muito abordados por Flávio Bolsonaro (PL) durante as eleições, que é o grande volume dos gastos do poder público. O ajuste, na avaliação dele, é extremamente necessário para que o cenário econômico avance.
“Neste sentido, a gente espera que haja mudanças profundas. É necessário que haja um novo pacto no que tange ao compromisso fiscal do governo. Isso será fundamental para trazer, para os próximos trimestres, a perspectiva de queda da taxa de juros”, explicou.
Este ponto afeta especificamente, segundo o CEO da Gerdau, grandes clientes da companhia, especialmente da construção civil e do setor automotivo, que dependem em parte de uma taxa Selic mais equilibrada para que o mercado esteja aquecido.
“Precisa haver uma perspectiva de tomada de dinheiro mais barato, para financiamento principalmente em relação às famílias que querem adquirir imóveis ou veículos. O governo precisa abrir um novo capítulo com um cenário econômico mais saudável”, complementou Werneck.
Neste sentido, o executivo da empresa diz que não haverá qualquer mudança em relação ao plano que está sendo preparado de equilibrar mais o peso do mercado brasileiro sobre a participação dos Estados Unidos no balanço da companhia.
Em agosto, o NeoFeed mostrou a intenção da companhia de criar uma “nova Gerdau”, a partir da decisão de tirar a empresa do radar de exportação a partir das plantas brasileiras e de otimizar as fábricas instaladas no país, para que possam garantir mais eficiência.
“Nossas decisões de negócios não são tomadas por causa de governos atuais ou futuros. O que a gente precisa é fazer adequadamente o nosso papel. Como a gente fez nos Estados Unidos, estamos buscando este nível de produtividade e rentabilidade. Vamos seguir buscando melhorias”, explica.
Ainda na visão positiva de uma ação do governo Lula, Werneck diz que a reforma tributária aprovada vai ajudar a companhia nesta avenida para o aumento da competitividade. Segundo ele, a reforma tributária sobre o consumo é “um dos maiores avanços na última década em relação à competitividade da indústria”.
Ele complementa: “Descomplicar o pagamento de tributos vai nos ajudar muito. Enquanto temos duas pessoas cuidando da questão tributária, aqui no Brasil temos 132. Isso ajuda inclusive na exportação, em que cada tonelada a gente exporta impostos.”
No terceiro trimestre, avançou no plano de reduzir de forma expressiva o volume de exportações. Entre julho e setembro, a Gerdau reduziu em 48% o volume de aço exportado.
No balanço, a companhia reportou receita de R$ 18,7 bilhões, alta de 3,9% sobre a mesma base do ano anterior. O lucro líquido ajustado, de R$ 1,5 bilhão, cresceu 39,7%. O Ebitda ajustado foi de R$ 3,7 bilhões, alta de 37,8%.
O mercado dos Estados Unidos representou 76% do Ebitda da companhia, com participação de R$ 2,9 bilhões. O Brasil ficou com R$ 741 milhões.
Para o CFO Rafael Japur, este cenário explica parte da avaliação de analistas econômicos, que enxergaram nas ações da Gerdau um caminho diferente em relação à enorme queda da Bolsa no Brasil na segunda-feira, 26 de outubro, um dia após o segundo turno.
“O negócio da Gerdau tem mais de dois terços da operação da América do Norte. Na geração de caixa, é ainda maior. Como temos uma participação grande de venda em dólar e trazemos para o Brasil, a taxa nos garante mais reais. Por causa desse tamanho, a gente se beneficia desta volatilidade”, explicou o CFO.
No acumulado de 2026, as ações GGBR4 na B3 registram alta de 21,5%. Em 12 meses, a valorização é de 37%. O valor de mercado da Gerdau é de R$ 47 bilhões.




