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As ações da Jio Platforms dispararam 27% em seu primeiro dia de negociação na bolsa de Mumbai, elevando seu valuation para mais de US$ 130 bilhões e tornando-a a segunda maior empresa listada da Índia. A estreia da Jio marcou a maior oferta pública inicial da história do país, levantando US$ 3,2 bilhões, mesmo em um mercado em queda devido à guerra no Irã.
A Jio, que possui mais de 530 milhões de assinantes, busca expandir seus negócios além da telefonia, investindo em serviços digitais, inteligência artificial e internet via satélite. A abertura de capital também é parte do planejamento sucessório de Mukesh Ambani, que prepara a transferência de responsabilidades para seus filhos. Analistas projetam que os serviços digitais serão o principal vetor de crescimento da operadora, com vendas previstas para dobrar até 2030.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
Depois de uma estreia recorde na bolsa de valores da Índia, as ações da Jio Platforms, empresa de telecomunicações do bilionário indiano Mukesh Ambani, dispararam 27% em seu primeiro dia de negociação, nesta quarta-feira, 28 de outubro.
Com o salto, o valuation da companhia superou US$ 130 bilhões, tornando a Jio a segunda maior empresa listada da Índia – atrás apenas de sua própria controladora, a Reliance Industries.
O avanço foi sequência de uma operação recorde na bolsa: a estreia da Jio na bolsa de valores de Mumbai marcou a maior oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) da história da Índia. A companhia levantou US$ 3,2 bilhões na operação, mesmo com um mercado acionário em tendência de queda no país devido aos efeitos da guerra no Irã.
“O preço do IPO ofereceu um ponto de entrada em termos de valuation. O preço após a listagem reflete um grau de otimismo muito maior”, afirmou Aishvarya Dadheech, fundador da Fident Asset Management, à Reuters.
O índice Nifty 50, principal índice do mercado de ações indiano, acumula queda de 14% no ano, afetado pela guerra e pelos impactos sobre uma economia dependente da importação de energia. As ações da Reliance, controladora da Jio cujo principal negócio é o setor petroquímico, recuam 25% no mesmo período.
Diante do cenário desafiador, a Jio reduziu sua meta de valuation, que chegou a ser precificado em US$ 150 bilhões no meio do ano – o valor final, na oferta, foi de US$ 108 bilhões.
“O IPO da Jio é um voto de confiança no vasto mercado de dados no maior país do mundo”, afirmou Nirgunan Tiruchelvam, chefe de pesquisa do setor de consumo e tecnologia da Alētheia Capital, ao Financial Times. “A família Ambani fez uma aposta extraordinária no consumo de dados em uma sociedade pobre e em desenvolvimento.”
Segundo homem mais rico da Índia, Ambani já havia manifestado a intenção de abrir capital dessa vertical há sete anos. A Jio é a maior operadora móvel do país, tem mais 530 milhões de assinantes e recebeu investimentos de grupos como Meta, Google e KKR.
O mercado hoje é dominado principalmente pela Jio e pela Bharti Airtel, que tem 492 milhões de usuários. A Jio, inclusive, responde por mais de um terço do lucro anual da controladora Reliance.
IA e nova fase de crescimento
Os executivos da empresa, no entanto, tem intenção de levar o negócio para além da telefonia, que é considerado um mercado próximo da saturação. As frentes de expansão ajudam a explicar o alto valuation: a Jio tem buscado crescimento em serviços digitais, inteligência artificial (IA) e internet via satélite.
“O que a Reliance fez pelos seus acionistas ao longo de quase 50 anos, a Jio continuará fazendo pelos próximos 50”, afirmou Akash Ambani, filho de Mukesh e diretor administrativo da Jio, durante a cerimônia de listagem na na bolsa de Mumbai.
A abertura de capital também faz parte do planejamento sucessório de Ambani, de 69 anos, que prepara a transferência de responsabilidades para os três filhos. Akash Ambani, diretor-gerente da Jio, sua irmã gêmea Isha e o caçula Anant ocupam posições no conselho da Reliance e estão à frente dos principais negócios do grupo: energia, telecomunicações e varejo.
Segundo Akash, a operadora planeja “democratizar” novas tecnologias em IA e serviços digitais “ainda não imaginados”. “[É algo que promete] levar a Jio a patamares ainda mais elevados na Índia e no mundo”.
Relatório da Elara Securities acessado pelo FT estima que os serviços digitais responderão por apenas 12% da receita da Jio no atual ano fiscal. Ainda assim, os analistas consideram essa frente o principal vetor de crescimento futuro da operadora, com vendas projetadas para dobrar até 2030, em um ritmo duas vezes superior ao esperado para o negócio tradicional de telecomunicações.
“Apesar dos receios de que as tarifas talvez precisem aumentar para tornar a empresa mais lucrativa, há grandes chances de que ela consiga manter a vasta maioria de seus meio bilhão de assinantes”, afirmou Tiruchelvam, da Alētheia Capital, ao FT.




