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Lúpulo no Brasil? Pesquisa aposta em verticalização para vingar

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Um projeto na Universidade Federal do Rio de Janeiro quer tornar o Brasil, finalmente, um produtor de lúpulo, uma planta perene usada na fabricação de cerveja.

Embora outras iniciativas já tenham buscado o mesmo objetivo, o novo projeto tem como diferencial a proposta de verticalização, com a instalação de um parque com unidade de beneficiamento, laboratório de controle de qualidade e planta de extração próximo à lavoura.

“O lúpulo é sensível, precisa ser rapidamente armazenado em baixa temperatura para preservar as propriedades químicas. Sem isso, a produção não fica apresentável”, explica Pedro Motta, pesquisador da Coppe (instituto de pesquisa de engenharia da UFRJ).

Segundo ele, o maior gargalo para tornar a produção brasileira uma realidade é ter infraestrutura adequada para beneficiar e processar o lúpulo com velocidade e qualidade.

Motta é um dos participantes do projeto que tenta mudar esse cenário. Criado no final de 2024 pelo laboratório de pesquisa e inovação Casulo, da Coppe-UFRJ, o projeto prevê a articulação de toda a cadeia, desde produtores de sementes e mudas até uma rede de comércio e serviços com foco em cervejarias e turismo.

O projeto está em fase de atração de municípios interessados em viabilizar até 300 hectares de plantação, mais a estrutura industrial e de serviços. Maricá, no Rio de Janeiro, é uma das candidatas.

Para deixar a fase pré-operacional, Motta diz que é preciso superar desafios, como fomentar crédito. O lúpulo demanda muito capital, com custo médio de plantio de R$ 200 mil por hectare, segundo a Coppe — ante R$ 30 mil no café, por exemplo. E algumas máquinas, como as peletizadoras, chegam a custar até R$ 3,5 milhões.

“Por outro lado, o retorno por hectare é alto”, ele pontua. Além disso, assim como o café, o lúpulo é uma planta perene, o que dispensa a necessidade de replantio total a cada safra. E o Brasil pode ter 2,5 safras por ano, enquanto os maiores produtores podem colher apenas uma.

De dependente a exportador

Apesar de ser um dos cinco maiores produtores de cerveja e o terceiro maior consumidor da bebida no mundo, o Brasil convive com uma histórica dependência externa dessa matéria-prima. O País importa cerca de 98% do lúpulo que consome, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior compilados pela Coppe.

As origens variam. Os regulares, utilizados em maior volume, vêm dos Estados Unidos e da Alemanha. “É a commodity e confere amargor à bebida”, diz Motta. Já os lúpulos “especiais”, que dão aroma e sabor, têm origens variadas, como a Nova Zelândia.

Uma vez replicada, a iniciativa pode cobrir a demanda nacional, diz o pesquisador. Mais que isso: ele acredita que o Brasil possa se tornar exportador e abocanhar parte de um mercado de US$ 8,6 bilhões em 2024, projetado em US$ 11,9 bilhões em 2029.

Ele também antevê um salto de qualidade. Mesmo com uma evolução nos anos recentes, a qualidade do lúpulo nacional ainda está abaixo da dos importados. Além disso, a maior parte do lúpulo trazido do exterior não é de primeira linha.

“As melhores matérias-primas ficam nos mercados produtores. O que é enviado para cá tem um ou até dois anos, não é o mais fresco possível”, afirma Motta.

Até o imperador tentou

O lúpulo também é usado nas indústrias farmacêutica, alimentícia e de cosméticos. Há pesquisas sobre a aplicação no lugar de promotores de crescimento em rações para frangos, e a demanda pode ser impulsionada pelo etanol, usado na fermentação.

As primeiras tentativas de plantio datam dos anos 1860, quando Dom Pedro II criou uma premiação para quem estabelecesse a cultura. Mais recentemente, o boom das cervejarias artesanais impulsionou uma retomada do sonho do lúpulo brasileiro.

Despontaram viveiros, como o Van de Bergen, em Campinas (SP), e novos plantios. Em 2018, o lúpulo ganhou registro junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária. No mesmo ano, nasceu a Aprolúpulo, associação que reúne produtores, pesquisadores e agrônomos.

A associação publicou recentemente a edição 2024 do “Mapa do Lúpulo Brasileiro”. O trabalho identificou 109 produtores no Brasil, concentrados em São Paulo (30), Minas Gerais (21) e Santa Catarina (12). A área total cultivada ficou em 95,4 hectares.

Grandes players também tentam desatar o nó do lúpulo. A Ambev iniciou em 2020 o projeto Fazenda Santa Catarina, em Lages (SC), em parceria com a Epagri (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina). A iniciativa ergueu a primeira planta industrial do País.

Já o Grupo Petrópolis lançou em 2018 um plantio em Teresópolis (RJ). Depois, em 2023, abriu uma segunda frente em Uberaba (MG), hoje com 7,5 hectares. A iniciativa gerou edições limitadas com o lúpulo próprio, como a Black Princess Braza Hops.



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