Bloomberg — Os acionistas do Banco de Brasília aprovaram um aumento de capital de até R$ 8,8 bilhões para ajudar a fortalecer o banco após as perdas decorrentes de transações realizadas com o Banco Master, liquidado em novembro.
Os acionistas concordaram, em assembleia realizada nesta quarta-feira (22), em autorizar a medida, afirmou o presidente do banco, Nelson Antonio de Souza, em mensagem. O aumento de capital será feito por meio de subscrição privada, dando preferência aos acionistas atuais, de acordo com a proposta do banco.
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O Valor Econômico noticiou a aprovação anteriormente, na manhã desta quarta-feira.
O BRB, como o banco é conhecido, tem buscado maneiras de sanear seu balanço patrimonial. O plano de capital do banco inclui um fundo imobiliário de R$ 4 bilhões com ativos do governo do Distrito Federal.
O BRB também tem buscado um empréstimo de R$ 4 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que tem se recusado a emprestar os recursos sem saber exatamente o tamanho do prejuízo que o BRB está enfrentando em seus contratos com o Banco Master.
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O BRB firmou um acordo para transferir R$ 15 bilhões em ativos que obteve com o Banco Master para a Quadra Capital, segundo comunicado divulgado na segunda-feira.
O BRB receberá um pagamento inicial de R$ 3 bilhões a R$ 4 bilhões, e o restante será fornecido na forma de cotas em um fundo de investimento que administrará os ativos, informou o comunicado.
O BRB está sob pressão após comprar carteiras de crédito do Banco Master em 2024, ativos que as autoridades alegam serem fraudulentos. Tais negócios deixaram um rombo que o banco, controlado pelo governo de Brasília, busca sanar.
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Durante anos, o Banco Master foi um nome em ascensão no setor financeiro. O banco alugou um escritório luxuoso em Miami e adquiriu concorrentes. Mas tudo começou a desmoronar quando um incentivo do qual dependia, proveniente do fundo de garantia de depósitos do país, foi alterado, gerando ainda mais incerteza para o banco.
Para reforçar suas finanças, o Banco Master realizou vendas, como a transferência de carteiras de crédito para o BRB. E no ano passado, o BRB concordou em comprar o Banco Master, mas o negócio foi rejeitado pelo Banco Central.
O Banco Master entrou em colapso em novembro, quando o Banco Central o liquidou. Autoridades também prenderam o CEO Daniel Vorcaro e outros, em meio a alegações de que executivos falsificaram instrumentos de crédito e posteriormente os venderam.
Vorcaro foi preso novamente no início de março, após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, afirmar que havia risco de interferência nas investigações sobre o colapso do banco. O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, também foi alvo preso no início deste mês.
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