Bloomberg — O aumento no fluxo de capital estrangeiro para o mercado de ações brasileiro deve se estender pelo resto do ano, em meio à retomada do apetite por risco nos mercados globais, segundo executivos de grandes bancos ouvidos pela Bloomberg News.
Investidores estrangeiros injetaram quase R$ 65 bilhões na bolsa até 20 de abril, valor que já supera o total combinado de 2024 e 2025. O aumento no fluxo externo ajudou o índice Ibovespa a atingir sucessivas máximas históricas, superando com folga tanto o índice MSCI Emerging Markets quanto o S&P 500.
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“A tendência aponta para uma entrada significativa e contínua de capital estrangeiro no mercado de ações brasileiro”, disse Guilherme Silveira, responsável por ações na unidade do Banco Santander no país. “Os mercados emergentes continuam no radar dos investidores, e o Brasil se destaca como um dos principais beneficiários desses fluxos.”
O primeiro trimestre marcou o início de ano mais forte para fluxo de capital estrangeiro desde 2022, com investidores diversificando seus investimentos, saindo de ativos americanos e buscando mercados emergentes.
A alta liquidez do Brasil, as expectativas de queda nas taxas de juros e as esperanças de políticas favoráveis ao mercado após a eleição presidencial de outubro — bem como a distância do conflito no Oriente Médio e a posição como exportador de petróleo — fizeram do país uma das principais opções.
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Enquanto isso, os investidores locais permaneceram à margem.
Prejudicados pelas taxas de juros de dois dígitos que alimentaram saídas persistentes para produtos de renda fixa, investidores institucionais e de varejo domésticos reduziram as alocações em ações a mínimas históricas, de acordo com dados compilados pela B3.
A participação de investidores estrangeiros no mercado de ações brasileiro subiu para um recorde de 62%, mostram os dados.
O ciclo de afrouxamento monetário do Banco Central pode começar a impulsionar os investidores locais a voltar ao mercado de ações. A taxa básica Selic foi reduzida em 0,25 ponto percentual no mês passado.
“A história nos mostra que, quando as taxas de juros começam a cair, os fluxos se invertem”, disse Ben Laidler, chefe de estratégia de ações do Bradesco BBI.
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“Isso acontece porque os investidores locais precisam correr atrás do prejuízo em algum momento, ou porque os juros caem o suficiente para que o dinheiro pare de ir para a renda fixa.”
Ainda assim, a volatilidade do mercado persiste enquanto não houver uma resolução para a guerra no Oriente Médio.
O choque do petróleo levou muitos investidores a reduzirem suas apostas em um ciclo de afrouxamento monetário mais amplo e agora preveem que o Banco Central reduzirá a taxa Selic em cerca de 225 pontos-base no total, ante os 300 pontos-base esperados no final de fevereiro.
Os investidores brasileiros também terão que lidar com as próximas eleições presidenciais.
Flávio Bolsonaro assumiu uma pequena vantagem contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na corrida para as eleições de outubro, mas, com a expectativa de uma disputa acirrada até o último minuto, os mercados não estão fazendo apostas sobre as eleições neste momento, disse Marcelo Okura, co-responsável por mercados globais para a América Latina do UBS Group.
Por ora, os investidores estrangeiros continuarão aplicando dinheiro em ações brasileiras, disse ele, acrescentando que os mercados podem subir ainda mais caso haja indícios de que as tensões no Oriente Médio possam chegar ao fim.
“O Brasil pode se destacar como uma alternativa de investimento por estar geograficamente distante da guerra, ser um exportador de commodities com um mercado líquido e instituições relativamente estáveis”, disse Okura.
“A única ressalva seria se entrássemos em uma crise global muito profunda e tivéssemos uma fuga generalizada para ativos de baixíssimo risco.”
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