Uma decisão divulgada nesta semana pelo governo mexicano movimentou as redes sociais e abriu espaço para debate sobre identidade cultural na América Latina.
A Agência de Proteção Ambiental do Estado do México anunciou o reconhecimento do chamado “perro caramelo” como uma designação simbólica nacional, iniciativa que tem como foco estimular a adoção responsável de animais sem raça definida.
A proposta, no entanto, repercutiu além das fronteiras mexicanas. No Brasil, onde o popular “vira-lata caramelo” já ocupa lugar cativo no imaginário coletivo, a notícia foi recebida com certa indignação.
Internautas reagiram rapidamente, sugerindo, em tom de brincadeira, uma espécie de “apropriação” do ícone canino.
Comentários dominaram plataformas digitais. “Primeiro tentaram levar o Santos Dumont, agora o nosso cachorro? O México passou dos limites!”, ironizou um usuário.
Outro respondeu: “Vou pedir o reconhecimento do Taco como patrimônio mineiro em represália.” Já um outro, escreveu: “Vocês já tem o Chaves, Caramelo é nosso”.
Embora o título atribuído ao animal não represente validação genética oficial, como as concedidas por entidades internacionais de cinofilia, autoridades mexicanas destacaram o caráter educativo da medida. A intenção é valorizar cães mestiços, frequentemente negligenciados, e ampliar a conscientização sobre cuidados e adoção.
O México possui atualmente três raças reconhecidas por instituições especializadas: o Chihuahua, considerado uma das menores do mundo e com registros históricos que remontam a 300 a.C.; o Xoloitzcuintli, associado a tradições ancestrais e presente na cultura asteca há milênios; e o Calupoh, uma raça mais recente, desenvolvida na década de 1990 com inspiração em representações pré-colombianas.
Especialistas lembram que o chamado “caramelo” não pertence a um único país. Trata-se de um cão resultante de cruzamentos ao longo de séculos entre animais europeus e nativos em diversas regiões do continente.




