Uma das marcas mais conceituadas do agronegócio brasileiro, a MB Agro agora faz parte da gigante de origem britânica EY, uma das maiores firmas de consultoria do mundo.
Pouco comum no setor, o M&A abriu uma avenida para a consultoria fundada por Alexandre Mendonça de Barros e José Carlos Hausknecht se internacionalizar.
Em entrevista ao The AgriBiz, Mendonça de Barros e Otávio Augusto Lopes, sócio-líder de agronegócio da EY para América Latina, explicam as motivações para a transação, anunciada ao mercado na semana passada.
“Já tínhamos passado por assédios de sermos adquiridos antes, mas nunca tínhamos encontrado uma identificação de alma, eu diria”, resumiu Mendonça de Barros.
Ao passar a integrar a EY, MB Agro vai poder tirar do papel dois sonhos de seus fundadores: incorporar outros países à sua consolidada metodologia de análise do agro brasileiro e elevar o nível de tecnologia dentro de casa.
“Eu sonhava em ter dados melhores do México, da Índia, da China. Mas ter um economista em cada país era um custo fixo inviável”, disse Mendonça de Barros.
O sonho vinha de uma aplicação prática. A cada palestra fora do Brasil, especialmente em outros países na América Latina, era frequente chegar ao fim do evento com demandas de empresas do agronegócio desses países querendo contratar os serviços da MB Agro — algo inviável, até então, pela equação entre custo e volume.
Agora, a lógica se inverte.
“Desenvolvemos uma metodologia de análise de dados, com décadas olhando cada geografia, cada município. Essa metodologia pode ser usada na Colômbia, no Chile, na Argentina, levando conceitos agronômicos melhorados com a tecnologia que a EY tem”, afirmou.
O agro da EY

Aliar esses atributos só é possível, na outra ponta, por causa do esforço de pelo menos três anos da EY em colocar de pé uma vertical totalmente dedicada ao agronegócio, chamada de Centro de Excelência para o Agronegócio (ou CEA).
Trata-se de um hub dentro da EY focado em oferecer as quatro linhas de serviço da gigante de forma mais direcionada ao agro: consultoria tributária, em negócios, auditoria e estratégia em transações.
A vertical de agronegócios da EY começou a ser desenhada em 2023 e contempla um horizonte de investimentos até 2029 para cumprir seu propósito, com uma série de aportes previstos até lá.
“Preferimos não falar de valores, mas estamos falando de mais de dois dígitos de milhares de dólares em investimentos”, disse Lopes.
O dinheiro vai justamente para desenvolvimento de ativos, pessoas, de ações de go-to-market (como a participação e patrocínio a eventos) em toda a América Latina. Dentro dessa estratégia, a MB Agro foi a primeira aquisição feita pela EY.
Desde que começou, o CEA registra crescimento anual de receita em dois dígitos. No Brasil, a vertical passa por uma reformulação de portfólio de clientes e serviços — um ponto para o qual o M&A contribui de forma significativa.
O que a MB Agro traz
A partir da aquisição da MB Agro, a EY vai azeitar os processos do Centro de Excelência no Brasil em 2026 para levá-los a outros países da América Latina ainda neste ano e, em 2027, passar a oferecer os serviços nos Estados Unidos.
“Na América Latina, vemos uma relevância cada vez maior do Peru. Olhamos muito também para o México e para a América Central, com Costa Rica, Panamá, Honduras. São países com vocação agrícola e a beleza que vemos é exportar muito serviço para culturas similares à do Brasil”, disse Lopes.
No Brasil, a MB Agro vai contribuir com inteligência para clientes que contratam a EY a fim de formular políticas de crédito, por exemplo. Um dos benefícios é agregar os modelos de inteligência para a soja, trazendo um refinamento maior de informações oferecidas ao mercado.
“Acho que essa é a beleza. Compramos a melhor empresa de inteligência do mercado e é uma aquisição atemporal, combinada com os serviços de consultoria e estratégia que a EY faz há algumas décadas. É uma combinação perfeita”, resumiu Lopes.
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Ao ser inteiramente absorvida pela EY, o nome MB Agro deixará de existir. Mendonça de Barros e Hausknecht passam a ser sócios da gigante de consultoria.
O valor da aquisição não foi divulgado.




