LONDRES, 2 Mai (Reuters) – A Opep+ concordou, em princípio, em elevar as metas de produção de petróleo em junho, disseram neste sábado duas fontes familiarizadas com o pensamento do grupo, mas o aumento permanecerá em grande parte no papel enquanto a guerra entre EUA e Irã continuar a interromper o fornecimento no Golfo Pérsico.
Sete países da Opep+ têm um acordo para aumentar as metas de produção de petróleo em cerca de 188.000 barris por dia em junho, o terceiro aumento mensal consecutivo, apesar da guerra e da saída dos Emirados Árabes Unidos do grupo nesta semana, disseram as fontes.
Os sete membros — Arábia Saudita, Iraque, Kuweit, Argélia, Cazaquistão, Rússia e Omã — se reunirão no domingo. Com a saída dos Emirados Árabes Unidos do grupo, a Opep+ passou a incluir 21 membros, inclusive o Irã. Porém, nos últimos anos apenas esses sete países, mais os Emirados Árabes Unidos, estiveram envolvidos nas decisões mensais de produção.
A guerra contra o Irã, que começou em 28 de fevereiro, e o consequente fechamento do Estreito de Ormuz reduziram as exportações da Arábia Saudita, do Iraque e do Kuweit, bem como dos Emirados Árabes Unidos. Antes do conflito, esses países eram os únicos do grupo capazes de elevar a produção.
O Irã, também membro da Opep+, embora não esteja entre os sete que se reunirão no domingo, viu suas próprias exportações serem reduzidas por um bloqueio imposto pelos EUA em abril.
TEMPO NECESSÁRIO PARA NORMALIZAÇÃO
O aumento da produção permanecerá em grande parte simbólico até que o transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz seja reaberto. Ainda assim, levará várias semanas, se não meses, para que os fluxos se normalizem, afirmaram executivos do setor petrolífero do Golfo Pérsico e comerciantes globais de petróleo.
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A interrupção impulsionou os preços do petróleo para uma alta de quatro anos nesta semana, acima de US$125 por barril, enquanto os analistas começam a prever uma escassez generalizada de combustível de aviação em um ou dois meses, além de uma alta na inflação global.
O aumento de produção no domingo será semelhante ao do mês passado, de 206.000 bpd, menos a participação dos Emirados Árabes Unidos, que deixou o grupo em 1º de maio, disseram as fontes. Elas falaram sob condição de anonimato, pois não estão autorizadas a conversar com a imprensa.
A decisão sinaliza que a Opep+ está adotando uma abordagem de negócios como de costume e está disposta a aumentar a oferta quando a guerra terminar, disseram as fontes anteriormente.
A produção de petróleo bruto de todos os membros da Opep+ foi, em média, de 35,06 milhões de bpd em março, uma queda de 7,70 milhões de bpd em relação a fevereiro, informou a Opep em um relatório no mês passado. Iraque e Arábia Saudita fizeram os maiores cortes devido às restrições sobre as exportações.
Fora do Golfo Pérsico, a Rússia também cortou a produção depois que ataques de drones ucranianos danificaram sua infraestrutura.




