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ARTIGO: Não existem atalhos nem para subir montanhas nem para liderar

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A frase “Não existe atalho para subir uma montanha” reflete a realidade tanto no ciclismo de ultra-endurance quanto no mundo dos negócios, especialmente em áreas complexas como o direito tributário.

A alta performance não é fruto de talento, mas de método e repetição. No ciclismo, a consistência e a disciplina são essenciais, assim como no ambiente corporativo, onde decisões são tomadas sob pressão e com riscos.

A liderança envolve tomar decisões imperfeitas e a importância da cooperação é fundamental, pois não há vitória individual sem uma equipe forte.

A resiliência é vista como adaptação e transformação, não rigidez. Vencer não está relacionado à velocidade, mas ao trabalho em equipe, consistência e à capacidade de persistir quando outros desistem. Assim, tanto nas montanhas quanto nos negócios, não existem atalhos.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

“Não existe atalho para subir uma montanha.” A frase parece óbvia quando você está diante de uma subida de 17 quilômetros, com inclinação média de 9% e sob calor extremo. Mas ela ganha outro significado quando transportada para o mundo dos negócios, especialmente em ambientes de alta complexidade, como o direito tributário, a gestão de patrimônio e processos de M&A.

Aos 50 anos, vivo uma rotina que, à primeira vista, pode parecer improvável: lidero um escritório com atuação internacional e sigo competindo em provas de ciclismo de ultra-endurance — como desafios de 800 quilômetros em sete dias nos Alpes franceses, prova na qual perdi oito quilos ao longo do percurso. Mas essa não é uma história sobre esporte. É sobre método.

Existe uma romantização perigosa da alta performance, como se ela fosse fruto de talento, genialidade ou momentos de inspiração. Não é. Nem no ciclismo, nem na advocacia. Performance sustentável é construção e, mais importante, repetição.

No ciclismo de ultra-endurance, você passa meses treinando para uma prova que exige preparo físico e, principalmente, estabilidade emocional. Há dor, exaustão, imprevistos e, muitas vezes, a tentação de parar. No mundo corporativo, o cenário é idêntico.

Decisões estratégicas são tomadas sob pressão, com informação incompleta e riscos relevantes. O erro pode custar caro. A desistência também.

Foi na bicicleta que entendi, de forma definitiva, o valor da consistência. Não é o dia excepcional que define o resultado, mas a disciplina silenciosa dos dias comuns.

As dificuldades são constantes e sempre aparecem. Treinar mesmo sem vontade. Avançar mesmo com desconforto. Ajustar a rota sem abandonar o objetivo. E vejam, sempre teremos dificuldades pela jornada. Esse raciocínio se reflete diretamente na forma como conduzo minha atuação profissional.

Estruturar um planejamento tributário, organizar um processo sucessório, pensar na melhor estratégia de um M&A ou desenhar uma estratégia patrimonial exige visão de longo prazo, algo cada vez mais raro em um ambiente dominado pelo imediatismo.

Assim como em uma prova de resistência, não se trata de começar rápido, mas de percorrer e terminar bem toda a trajetória.

Outro aprendizado fundamental vem da relação com o risco. No ciclismo, uma decisão mal calculada, seja na descida de uma montanha ou na gestão de energia, pode comprometer toda a prova. Por isso a aplicação desses ensinamentos é tão importante nos negócios. Liderar, em essência, é tomar decisões imperfeitas com total responsabilidade sobre as consequências.

Mas o maior aprendizado sobre esse esporte (e, talvez, o maior equívoco), que também se aplica à liderança, é a cooperação. Ou seja, o contraponto de uma jornada solitária.

Alamy Candido no Passo do Galibier, nos Alpes franceses, um dos pontos pontos mais altos do Tour de France, a 2.642 metros de altitude (Foto: Arquivo pessoal)

O ciclista brasileiro em Nice, um dos trechos mais tradicionais da corrida de ciclismo de estrada na França (Foto: Arquivo pessoal)

Quem já acompanhou o ciclismo, inclusive em produções como Tour de France: Unchained, entende rapidamente: não existe vitória individual sem equipe. O atleta que cruza a linha de chegada é apenas a face visível de uma estrutura muito maior, construída com estratégia, confiança e colaboração.

Nos negócios, isso é ainda mais evidente. Não há liderança sustentável sem a construção de times fortes, alinhados e comprometidos com um objetivo comum.

A performance individual pode até gerar resultados no curto prazo, mas é a força coletiva que sustenta trajetórias de longo prazo.

Ao longo dos anos, também vivi momentos em que o esporte ultrapassou o físico e se tornou uma experiência emocional.

Em uma travessia de 420 quilômetros, saindo de Santa Rita do Passa Quatro até Aparecida do Norte, em São Paulo, num momento pós-imunização contra a Covid-19, ao revisitar perdas pessoais e superar limites extremos, entendi que resistência não é apenas suportar, é transformar.

Essa talvez seja a principal lição que levo tanto para a vida quanto para o trabalho: resiliência não é rigidez. É adaptação. É seguir em frente, mesmo quando o plano original deixa de fazer sentido.

No fim, seja nas negociações, nas análises dos planejamentos, nos tribunais ou nas montanhas, vencer raramente tem a ver com velocidade. Tem a ver com treino em equipe, consistência, preparo e, sobretudo, com a capacidade de continuar quando a maioria já parou.

Porque, no mundo real, assim como nas grandes subidas, não existem atalhos.

*Alamy Candido é tributarista, ex-juiz do Tribunal de Impostos e Taxas de São Paulo (TIT), sócio-fundador do escritório Candido Martins Cukier e apaixonado por ciclismo de montanha.



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