Marília – Gratidão e esperança foram mensagens na alta hospitalar de irmãos que deixaram o HBU (Hospital Beneficente Unimar) nesta quarta-feira como últimos pacientes da tragédia na BR-153, em fevereiro deste ano em Marília.
Carlos Daniel da Silva Araújo, 18, e Rafael da Silva Araújo, 20, sofreram lesões graves, intervenções cirúrgicas e celebram a alta, mas com desafios. Saíram com Gabriel, que estava no ônibus, passou por internação, mas logo teve alta.
Gabriel atravessou os 90 dias entre a tragédia e a alta em Marília ao lado dos irmãos, que ainda vão enfrentar longos tratamentos. Engrossam as estatísticas de danos em um caso que deixou oito mortes e muitos com ferimentos e lesões.
Cuidados Prolongados

O médico Rodrigo Ariosa, que acompanhou os pacientes, destacou a estrutura, equipe e esforços na Unidade de Cuidados Prolongados.
Disse ainda que eles são exemplo dos noves pacientes que o HBU atendeu em força tarefa que uniu o HBU, a Santa Casa e o HC Famema.
Relatou que o Carlos foi o caso mais grave, Rafael também teve lesões importantes, mas Gabriel teve recuperação mais rápida. Explicou ainda que eles deixam com medidas técnicas para seguir atendimento
“A gente referenciou para o pessoal do Maranhão dar andamento a uma cirurgia posterior para o Carlos”, explicou.
Todos apresentam ainda forte abalo emocional que, inclusive, exigiu atendimento especial entre os procedimentos médicos.


Alta e espera pelos irmãos
Carlos foi caso mais complexo, com sangramento cerebral e neurocirurgia, bem como intubação por longo prazo e infecção. Superou também traqueostomia e mais desafios.
Rafael teve fratura de região de coluna cervical, também com traqueostomia, neuropatia e intubação. Deixou o hospital brincando, consolidou bem a parte óssea.
“Agradeço muito aos médicos que me apoiaram, cuidaram de mim, a situação em que eu mais precisava. E à minha família, que está me esperando”, disse
Família em Zé Doca
Gabriel foi o que mais falou. Ele ficou por alguns dias na Casa Cidadã, que a Prefeitura transformou em centro de atendimento. Depois, o HBU montou estrutura de acomodação para o jovem acompanhar os irmãos.


“É um momento muito feliz, grato ao pessoal do hospital. Mesmo quando eu saí fui recebido bem e hoje é um privilégio ver meus irmãos bem. Com fé em Deus é erguer a cabeça e seguir em frente.”
Disse que a perspectiva de vida é buscar atendimento para os irmãos em todos os procedimentos de recuperação. Ele espera superar estado emocional, mas voltar a trabalhar.
Os pais e muita gente em Zé Doca, cidade onde moram, esperam a volta à cidade, de 40 mil habitantes a 311km de São Luís, capital do estado.
Eles têm ainda mais três irmãos, dois no Maranhão, com a família, e um em Santa Catarina, para onde eles pretendiam ir.
Tragédia na BR-153


O ônibus em que estavam transportava trabalhadores rurais para colheita de maçãs. Gabriel trabalhou nisso por pouco mais de um ano, foi ao Maranhão rever a família e voltava para levar os irmãos.
O ônibus não tinha condições técnica regulares para a viagem, apresentou problemas em pneus e falta de cintos de segurança.




