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ARTIGO: O Brasil não apenas perde seus talentos, ele os expulsa para longe

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O Brasil está longe de ser um país pobre em talento, mas falta ambiente. Basta observar onde brasileiros altamente qualificados conseguem atingir seu potencial máximo: quase sempre fora de suas fronteiras. Cientistas, empreendedores, executivos e inovadores que, no exterior, prosperam, lideram e criam impacto global são os mesmos que, aqui, enfrentam barreiras suficientes para nunca sair do lugar.

Costuma-se chamar esse fenômeno de “fuga de cérebros”, mas o termo suaviza, e muito, a realidade. O Brasil não apenas perde talentos, como os manda embora com força para longe. Empurra por meio da insegurança jurídica, da alta taxa de juros, da instabilidade regulatória, da burocracia punitiva e de uma cultura que desconfia do sucesso.

O risco é penalizado, a ambição é quase sempre confundida com arrogância e o erro aqui é tratado como uma falha moral e vira meme. Nesse ambiente, inovar se torna um ato de resistência (para não dizer loucura), não de progresso. Esse problema não é apenas institucional, é cultural.

Recentemente, um apresentador de televisão afirmou que a simples indicação de um filme brasileiro ao Oscar já deveria ser considerada uma vitória nacional. A frase parece inofensiva, mas revela um achatamento enraizado e peculiar.

Em competições reais, não há prêmio de consolação. Ou se ganha, ou não se ganha. Tratar o “quase” como triunfo é aceitar, de antemão, que vencer não é para nós. Quem disse?

Os exemplos concretos ajudam a iluminar o diagnóstico. A Brex, fundada por brasileiros, tornou-se um negócio bilionário operado integralmente fora do país.

Da mesma forma, Luana Lopes Lara, empreendedora que deixou o Brasil para estudar no exterior, construiu fora uma empresa avaliada em cerca de US$ 11 bilhões. Aliás, ela se tornou a bilionária mais jovem do mundo a criar a própria fortuna, mostrando que sim, somos muito potentes.

Em ambos os casos, o talento nasceu aqui. O negócio, o ambiente e a escala vieram de fora.

O Nubank poderia ser uma exceção, mas também confirma a regra. Fundado no Brasil, o banco digital só conseguiu crescer em velocidade e escala global com capital, governança e padrões internacionais desde suas primeiras rodadas de investimento, lideradas por fundos estrangeiros. Ou seja, mesmo quando o negócio nasce aqui, o impulso decisivo costuma vir de fora. Eu poderia escrever por algumas horas sobre dezenas de outros casos.

Todo esse cenário é curioso, pois traz um contraste revelador com figuras idolatradas, como Ayrton Senna.

Senna não competia para “chegar lá”. Competia para ganhar. O Brasil o idolatra, mas raramente replica o mesmo nível de exigência. Admira o indivíduo excepcional, mas mantém um sistema e uma cultura que sufocam quem quer seguir o mesmo caminho.

O atraso nacional em inovação não decorre da falta de capital humano, mas da incapacidade de transformá-lo em impacto.

Enquanto o país insistir em um sistema que sufoca a iniciativa e desconfia do mérito, continuará a assistir seus melhores talentos realizarem, no exterior, aquilo que aqui jamais lhes foi permitido tentar dentro de casa.

* Rubens Mendrone é o fundador e CEO da LINDA Lifetech, empresa canadense com operação no Brasil e que usa inteligência artificial para o diagnóstico precoce de câncer de mama, eleita a melhor healthtech do G20.



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