A Amaggi acaba de anunciar a aquisição de 40% da FS, marcando a transação mais emblemática da história da indústria brasileira de etanol de milho — e um dos M&As mais importantes entre duas companhias de Mato Grosso.
O acordo entre a empresa da família Maggi e a gigante de etanol de milho controlada pela americana Summit Agricultural Group foi protocolado nesta tarde no Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), que analisará a operação.
O valor total da transação não foi divulgado. O acordo prevê um aporte de recursos, com emissão primária de ações da FS, no valor de US$ 100 milhões, segundo Rafael Abud, CEO da produtora de etanol de milho.
A Amaggi também está comprando participações dos atuais acionistas. As empresas não abriram os valores envolvidos na parte secundária da transação.
As companhias permanecerão separadas e não haverá mudanças na diretora da FS. A participação da Amaggi se dará por meio do conselho de administração, que possui oito cadeiras — as empresas não abriram como será feita a divisão.
O acordo fechado entre as empresas prevê exclusividade. Ou seja, daqui para frente, todo investimento que a Amaggi fizer em etanol de milho será por meio da FS.
“Para a Amaggi, o entendimento é que o investimento na FS é transformacional, pois promove crescimento no fluxo de caixa e maior diversificação de seus negócios”, disse Judiney Carvalho, CEO da Amaggi.
Segundo ele, a decisão de investir em etanol de milho foi tomada após extensos estudos e amplas discussões entre a administração e os acionistas. “A Amaggi acredita no mercado de atuação da FS e entende esse acordo como uma oportunidade ímpar de entrada no segmento, gerando valores e sinergias que justificam o investimento.”
Inpasa e Petrobras ficam para trás
A aliança entre Amaggi e FS marca uma reviravolta nos caminhos da indústria brasileira de etanol de milho.
No ano passado, o conglomerado da família Maggi chegou a anunciar uma sociedade com a Inpasa para construir três usinas de etanol de milho em Mato Grosso, mas o acordo foi desfeito em menos de dois meses devido a divergências.
A FS também poderia ter selado outro destino. A companhia esteve perto de um acordo para vender uma participação minoritária para a Petrobras, mas as conversas esfriaram.
“Para a FS, é uma grande oportunidade contar com um sócio tão experiente no agronegócio brasileiro”, afirmou Abud.
O futuro da FS
Com a entrada da Amaggi no capital, a FS terá um sócio forte para continuar expandindo.
Neste momento, a companhia está construindo sua quarta usina, no município de Campo Novo do Parecis, que será inaugurada no final de 2026. A empresa também possui outros dois terrenos em Mato Grosso para chegar a seis fábricas sem prazo estabelecido.
Um outro grande projeto da empresa, que deverá ser inaugurado em setembro, é a unidade de captura e armazenamento de carbono localizada no complexo de Lucas do Rio Verde — o que tornará a FS a primeira produtora de combustível carbono negativo do mundo.
Por enquanto, os planos de expansão continuam os mesmos, segundo Abud, que ressaltou que a decisão sobre novos investimentos vai continuar respeitando o fluxo de caixa e o nível de alavancagem da empresa.
Maior trading de capital nacional e uma das maiores companhias agrícolas do País — são mais de R$ 40 bilhões em faturamento —, a Amaggi deve aportar inteligência à FS. “Teremos diversas oportunidades de colaboração em áreas como originação de milho, trading, logística e biomassa”, disse Abud.
Apesar das sinergias, não há nenhum acordo prévio para a compra e venda de milho, que representa cerca de 80% dos custos da FS. Segundo Abud, eventuais transações comerciais entre as duas empresas respeitarão as condições de mercado.
A FS fatura quase R$ 13 bilhões por ano, com um Ebitda de aproximadamente R$ 3,5 bilhões — uma margem implícita de 26,7% —, considerando os resultados financeiros dos últimos doze meses encerrados em dezembro.
Em um relatório recente, que agora parece premonitório, analistas do BTG Pactual afirmaram que uma potencial monetização da participação acionária do controlador poderia destravar valor relevante para a FS, reduzindo alavancagem e acelerando investimentos. Ao final de dezembro, a dívida líquida da companhia somava R$ 9,5 bilhões, o equivalente a 2,76 vezes o Ebitda.




