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Missão de pecuaristas da Irlanda ao Brasil, com denúncias sobre antibióticos, antecede veto europeu à carne brasileira Agrimidia

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A decisão da União Europeia de retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar carne bovina e outros produtos de origem animal a partir de setembro de 2026 ganhou contornos que vão além das questões sanitárias. A medida ocorre após uma ofensiva de produtores rurais da Irlanda, que estiveram no Brasil para investigar práticas na pecuária nacional e levar denúncias às autoridades europeias.

De acordo com reportagem da Gazeta do Povo, representantes da Associação dos Produtores Rurais da Irlanda (IFA) percorreram cerca de 3 mil quilômetros em território brasileiro e afirmaram ter encontrado facilidade na compra de antibióticos considerados potentes, sem exigência de receita ou controle sobre a destinação. Segundo os pecuaristas irlandeses, essa prática pode contribuir para a resistência antimicrobiana — um problema global de saúde pública que reduz a eficácia de medicamentos no combate a bactérias.

Outro ponto que reforçou as críticas foi a detecção, em dezembro de 2025, de estradiol em um lote de 128 quilos de carne bovina brasileira na Irlanda. O hormônio, utilizado para acelerar o crescimento animal, é proibido na União Europeia devido a possíveis riscos à saúde dos consumidores.

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Apesar das justificativas sanitárias, a decisão também é vista por analistas e representantes do agronegócio brasileiro como uma medida de caráter protecionista. O setor agropecuário europeu historicamente resiste ao acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, e a imposição de barreiras técnicas seria uma forma de limitar a entrada da carne brasileira, mais competitiva em preço.

Essa leitura é reforçada pelo colunista Gustavo Junqueira, da revista Veja, que avalia que o movimento europeu tem forte componente político. Segundo ele, ainda há espaço para reação diplomática, com a possibilidade de o vice-presidente Geraldo Alckmin assumir protagonismo nas negociações para reverter a decisão.

O governo brasileiro informou que foi surpreendido pela medida e já prepara uma resposta técnica para contestar o veto. Entre as ações recentes, o país destaca a proibição de diversos antibióticos utilizados como promotores de crescimento, em linha com exigências internacionais, além do reforço nos sistemas de inspeção e rastreabilidade do rebanho.

Por enquanto, o embargo não é imediato. O Brasil segue autorizado a exportar carne bovina para o mercado europeu até setembro de 2026. Até lá, o objetivo das autoridades brasileiras é solucionar os questionamentos levantados e evitar a interrupção efetiva do comércio com um dos mercados mais exigentes do mundo.

Fontes: Gazeta do Povo e Veja



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