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O ano começou bem para a MBRF. Ela diz que é só o começo

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Depois de um trimestre positivo, em que as exportações brilharam e garantiram bons resultados à MBRF, a empresa de Marcos Molina está confiante de que 2026 será melhor do que 2025 — uma expectativa rara em meio ao aumento das incertezas provocado pelo conflito no Oriente Médio.

A explicação está na forte demanda por proteína, na expectativa de uma oferta equilibrada de carne de frango, nos ganhos de sinergia provenientes da fusão entre BRF e Marfrig e até na Copa do Mundo.

“Estamos muito animados com os próximos trimestres. Vemos 2026 com todos os sinais para que supere 2025”, disse o CEO da MBRF, Miguel Gularte, em call com analistas nesta sexta-feira. “A empresa está preparada para colher os frutos que plantou, tanto no que diz respeito à eficiência quanto às habilitações [para exportações]”, acrescentou.

Neste ano, a BRF foi habilitada a exportar para 51 novos mercados, que se somaram outros 198 destinos conquistados até 2025. Com mais opções para exportar, a empresa consegue escolher os destinos com preços mais altos e melhorar o mix de vendas.

Ao mesmo tempo, o consumo de proteínas continua forte no mercado externo, possibilitando aumento generalizado de preços. Nos últimos meses, o conflito no Oriente Médio intensificou essa tendência, especialmente nas vendas destinadas à região. Os volumes, por sua vez, mantiveram-se estáveis para esses países, graças à forte rede de distribuição da companhia, presente na região há décadas, explicou o CEO.

Do lado da oferta, Gularte disse que o mercado de frango está “em perfeito equilíbrio” depois de um ajuste recente nos alojamentos de pintinhos no Brasil. O CFO da MBRF, José Ignácio Scoseria Rey, citou dados da Apinco referentes ao primeiro trimestre: embora ainda apresentem uma alta de 2,7% na comparação anual, os alojamentos caíram também 2,7% em relação ao quarto trimestre de 2025.

Além disso, a produtividade nas granjas continua sendo um problema. Embora as taxas de mortalidade estejam em linha com os anos anteriores, a taxa de eclosão está em torno de 75%, o menor patamar em um ano.

“Tudo isso nos faz pensar que podemos ter um aumento de oferta [de frango] neste ano, mas ficará dentro da estimativa de 2% da maioria do mercado. Por outro lado, a demanda está em ávida expansão”, disse o CFO.

No mercado doméstico, o consumo foi mais fraco nos primeiros meses do ano, mas dá sinais de melhora. Gularte traçou uma perspectiva otimista, seja pela isenção do Imposto de Renda para rendas até R$ 5 mil, Copa do Mundo ou a própria execução comercial, que deve ser beneficiada pela união dos times de Marfrig e BRF.

“Muitas das iniciativas que tivemos após o momento da fusão, em setembro, se potencializam à medida que o tempo passa”, disse Gularte. “O vendedor começa a trabalhar com multiproteína, começa a aprender de multiproteína e começa a maximizar resultado para multiproteína. E é assim em tudo. Na área industrial, administrativa, financeira… Em todos os aspectos a empresa vai ganhando com uma plataforma combinada de excelente qualidade.”

No primeiro trimestre, a MBRF reportou um ganho de sinergias no valor R$ 126 milhões, cerca de 20% do guidance para o ano, de R$ 600 milhões.

Carne bovina

O resultado das operações de carne bovina na América do Sul foi o que mais surpreendeu os analistas. A receita e o Ebitda dessa divisão ficaram 8% e 6% acima da estimativa do Bradesco BBI, por exemplo.

Segundo Gularte, o volume de abates da empresa no Brasil cresceu quase 10% no trimestre, enquanto houve uma queda na média do mercado. Isso foi possível graças aos confinamentos próprios da companhia — que já respondem por quase 25% do abate. Além de garantir oferta de matéria-prima, houve diluição de custos, disse.

Nos Estados Unidos, o mercado continua bastante desafiador. Mas a National Beef, subsidiária da MBRF na América do Norte, reportou uma margem Ebitda positiva, de 0,3 ponto percentual, enquanto seus pares reportaram margens negativas.

Segundo Tim Klein, CEO da National Beef, os preços da carne bovina seguem em alta nos Estados Unidos, mas não têm sido suficientes para compensar a alta nos custos com a compra de gado.

Alavancagem

A expectativa de bons resultados operacionais em 2026 reforça a visão da companhia de que a alavancagem deve cair gradualmente ao longo do ano. “Temos ferramentas e um cenário positivo para conseguirmos, gradualmente, ir reduzindo a alavancagem”, disse o CFO.

Na visão da companhia, o Ebitda acumulado em 12 meses pode ter atingido o piso no primeiro trimestre. Além disso, a expectativa é de que ocorra uma melhora na performance do capital de giro, que foi pressionada no primeiro trimestre por uma decisão da companhia de manter estoques elevados para conseguir atender à demanda externa mesmo em meio às disrupções logísticas causadas pela guerra.

E o executivo lembrou ainda do aporte de US$ 100 milhões que a MBRF deve receber ainda este ano do fundo soberano da Arábia Saudita por uma participação de 10% na Sadia Halal, além do compromisso de US$ 170 milhões adicionais a serem pagos quando essa fatia atingir 20%, o que deve acontecer até meados do próximo ano.

A MBRF encerrou o primeiro trimestre com uma alavancagem de 3,37 vezes, ante 3,30 vezes no quarto trimestre de 2025. O lucro líquido somou R$ 111 milhões, uma alta de 27% em relação ao mesmo período do ano passado.

O Ebitda ajustado ficou em R$ 3 bilhões no trimestre, caindo 3% na comparação anual, com uma margem ajustada de 7,8%, ante 8,1% no primeiro trimestre de 2025. A receita ficou estável em R$ 39 bilhões, sendo negativamente impactada pela valorização do real frente ao dólar.

Por volta das 14h25, as ações da MBRF subiam 0,63% na B3, enquanto o Ibovespa caía 0,82%. A empresa está avaliada em R$ 24,5 bilhões.



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