Os preços caíram e os brasileiros compraram mais café nos primeiros meses de 2026. De janeiro a abril, as vendas no varejo aumentaram 2,44% na comparação com o mesmo período do ano passado, totalizando 4,9 milhões de sacas. Os dados foram divulgados nesta tarde pela ABIC (Associação Brasileira da Indústria de Café), que monitora mais de 75% do consumo interno da bebida.
O aumento está diretamente relacionado ao preço. Só em abril, mostrou a associação, houve queda de 15,51% no preço médio do café Extraforte no varejo (o tipo mais consumido no Brasil). As reduções também foram constatadas nos tipos Superior (queda de 12,65%) e Gourmet (de 3,71%).
Uma das exceções é o café especial, responsável por uma parte menor do consumo no País. O preço médio desse tipo de café teve uma alta de 16% em abril, na comparação com o mesmo período de 2025.
“É um comportamento atrelado ao atraso da volatilidade [dos preços] em bolsa para chegar à ponta no varejo, combinado com o comportamento do consumidor de optar por uma experiência mais sensorial, menos ligada ao preço em si”, explicou Pavel Cardoso, presidente da ABIC, em coletiva de imprensa.
Olhando para a massa da população, preço faz diferença — e muita. Prova disso está no fato de que, nos primeiros quatro meses de 2025, houve queda de mais de 5% nas compras dos grãos por parte dos consumidores, motivada pela disparada de preços do café na época, motivada por incertezas na nova safra e novas exigências previstas na Lei Antidesmatamento da União Europeia (EUDR), por exemplo.
“Em novembro de 2024 houve uma escalada de preços impressionante, que foi chegar ao varejo em março e abril de 2025. Por esse motivo, essa escalada, houve retração no consumo”, lembrou Cardoso.
E agora?
Por enquanto, as perspectivas para 2026 são mais otimistas sob o ponto de vista do consumidor. Até agora, a projeção é de uma safra maior do que a de 2025, com probabilidade de ser maior do que a de 2020, quando o Brasil teve uma safra recorde.
“Temos rumores que começam a chegar à mesa para discussão, com possíveis quebras em pontos específicos do Espírito Santo e sul da Bahia… Mas, havendo manutenção da expectativa de safra, a gente tende a ter comportamento mais regular das plantações. Se isso se confirmar, a indústria vai transferir [o preço] para o varejo”, explicou Cardoso.
Caso esse cenário benigno realmente seja confirmado, o Brasil estará posicionado para entregar a primeira de duas safras necessárias para recompor estoques globais, pressionados desde 2021 por conta das geadas no País, lembrou Cardoso.




