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O xadrez da compra de fertilizantes depois da guerra no Irã

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A guerra no Irã mexeu com os fluxos globais de fertilizantes — especialmente dos nitrogenados e fosfatados — nos primeiros meses deste ano. Mas como isso afetou o Brasil? Um levantamento da Datagro traz os principais impactos nas importações desse insumo.

De janeiro a abril, o Brasil reduziu em quase 44% o volume de fertilizantes nitrogenados comprados da Nigéria, uma das três maiores fontes do insumo para o País. Foram importadas 316,8 mil toneladas do nutriente do país africano, ante 568 mil no mesmo período do ano passado.

As maiores fontes do insumo, até abril, foram a China (1,8 milhão de toneladas) e a Rússia (468 mil toneladas), ambas crescendo na comparação com o mesmo período de 2025.

Para Tomás Perini, analista de insumos da StoneX, essa dinâmica pode estar relacionada ao comportamento dos compradores diante da alta de preços da ureia. Tradicionalmente, o Brasil importa esse insumo principalmente da Nigéria. Mas a alta de preços tem levado os importadores a buscar produtos substitutos e, consequentemente, outros mercados.

“Uma das hipóteses está ligada à preferência pelo sulfato de amônia, que tem menor concentração e em larga medida é fornecido pela China. Nos últimos anos, tem se apresentado como uma alternativa interessante para os importadores que buscam melhor custo-benefício”, explicou Perini.

Em meio a essa busca por preços mais amigáveis e a uma demanda fraca no mercado internacional, os preços da ureia têm diminuído por cinco semanas consecutivas, de acordo com dados da StoneX.

Atualmente, o insumo é negociado no Brasil abaixo de US$ 635 por tonelada, queda de 20% em relação ao ápice de algumas semanas atrás. Mas continua 32% acima dos preços praticados antes do conflito — o que não tem sido suficiente para provocar alguma reação na demanda, segundo Perini.

No quadro geral de importações de nitrogenados (olhando para todas as importações feitas no período), houve queda de 3,7% no volume total, somando 3,5 milhões de toneladas.

Fosfatados

Os fosfatados também tiveram uma reorientação de fluxos à medida que os compradores buscam alternativas aos preços nas alturas.

Nos primeiros quatro meses do ano, o Marrocos aumentou em quase 40% o volume exportado ao Brasil, chegando a 1 milhão de toneladas (e sendo o maior fornecedor dentro dessa categoria, ainda segundo os dados compilados pela Datagro).

O segundo maior fornecedor, o Egito, teve queda de quase 19% nas exportações ao Brasil no período. Rússia e China, outros fornecedores relevantes, também reduziram as suas exportações.

“O Marrocos tem reservas expressivas de fósforo e fosfato, e começou a enviar mais, a um preço um pouco mais barato do que Rússia e China, mesmo pela distância menor, para o Brasil”, explica Rocha, citando que esse movimento acontece desde a guerra da Ucrânia, com mais players querendo captar parte do mercado perdida pela Rússia.

O Marrocos é um grande fornecedor de TSP, um tipo de fertilizante fosfatado semelhante ao MAP, mas que não usa amônia no processo produtivo.

“Os preços do MAP estão elevados, as relações de troca estão nos piores níveis dos últimos anos. Nós vimos, nos últimos meses, principalmente no começo de 2026, um crescimento das importações de TSP”, explica Perini.  

As importações brasileiras de fosfatados caíram 2,9% de janeiro a abril deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado.



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