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Vale vê demanda por metais robusta apesar do conflito com o Irã, diz CEO

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Bloomberg — A Vale, maior produtora global de minério de ferro, não enxerga evidências de destruição da demanda relacionada à guerra nos mercados de metais e tem visto margens crescentes à medida que o conflito com o Irã interrompe o fluxo de matérias-primas, afirmou o CEO Gustavo Pimenta.

A mineradora brasileira está focando na exploração de seus próprios recursos em vez de buscar aquisições, disse Pimenta em entrevista à Bloomberg Television no Rio de Janeiro, na segunda-feira.

A demanda mundial por minerais críticos tem sido “superconstrutiva” para a mineradora brasileira, acrescentou.

As interrupções no Estreito de Ormuz aumentaram os preços dos combustíveis e os custos de frete para mineradoras como a Vale, que viu pressões de custos compensarem os ganhos de preço e produção durante o primeiro trimestre.

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A empresa elevou em US$ 1,5 bilhão a previsão de fluxo de caixa livre para seu principal produto, o minério de ferro, para refletir a alta nos preços da commodity desde o início da guerra com o Irã.

A empresa agora espera que o minério tenha um preço médio de US$ 112 por tonelada este ano, acima dos US$ 102 previstos em seu cenário pré-conflito.

Pimenta afirmou na entrevista que está “muito otimista” em relação às perspectivas para o ano.

Embora a China provavelmente já tenha atingido seu pico de produção de aço, a Vale prevê que o crescimento da demanda será impulsionado cada vez mais por outras regiões, como o Sudeste Asiático, a Europa e os Estados Unidos.

Aço indiano

A Índia será um importante motor de crescimento, dobrando sua produção de aço bruto na próxima década, afirmou o CEO.

Leia também: Vale mira expansão de negócios na Índia enquanto o protagonismo da China perde força

A Vale suspendeu as operações de um complexo de pelotização em Omã até o terceiro trimestre, devido a restrições logísticas relacionadas à guerra.

As operações da Vale em Omã têm uma capacidade de produção anual de 9 milhões de toneladas de pelotas de minério de ferro, ou aproximadamente 29% da produção total da empresa.

Na segunda-feira, Pimenta afirmou que a reabertura terá que esperar até que o conflito arrefeça. Apesar da guerra no Oriente Médio, a Vale considera Omã um centro estratégico para abastecer clientes na região, disse ele.

Terras raras

A Vale tem estudado se uma incursão no setor de terras raras faz sentido estratégico para a empresa, incluindo a avaliação de oportunidades no Brasil.

O país sul-americano detém as maiores reservas mundiais dos 17 elementos essenciais para a transição energética fora da China.

No entanto, Pimenta afirmou que ainda existem dúvidas, principalmente em relação à escala e à capacidade da Vale de competir efetivamente com os produtores internacionais consolidados de terras raras.

Por ora, a prioridade da Vale é concentrar-se em áreas onde possui expertise e escala, como cobre e níquel, observou ele.

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