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Desde sua fundação em 2018, a QI Tech tem expandido sua infraestrutura para produtos financeiros, focando agora no mercado de renda fixa privada, com o lançamento de um banco liquidante e de um braço de escrituração para debêntures, CRIs, CRAs e notas comerciais.
A QI Tech já lidera o setor de FIDCs com R$ 175 bilhões sob administração e possui as licenças necessárias para operar nessas novas vertentes. A proposta é digitalizar processos e estruturas tradicionais que dominam atualmente o setor e, na visão da empresa, são antiquadas.
A fintech já contabilizou R$ 1,5 bilhão em operações em poucas semanas e projeta alcançar R$ 30 a R$ 32 bilhões em liquidações até 2026, além de atrair novos clientes para a sua carteira, composta hoje por cerca de 700 empresas.
Em outras projeções, a empresa prevê trazer entre 70 e 100 novos clientes e gerar uma receita de pelo menos R$ 100 milhões com a nova oferta no prazo de três anos.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
Desde a sua fundação, em 2018, a QI Tech vem fortalecendo sua oferta de infraestrutura por trás dos produtos e serviços financeiros de fintechs e empresas dos mais variados setores. Seja em diferentes modalidades de crédito ou mesmo na custódia e na administração de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) para esses clientes.
Depois de ganhar corpo nessas e em outras linhas, a companhia está fincando definitivamente os pés em uma nova fronteira: o mercado de renda fixa privada, com a estruturação de um banco liquidante e de um braço de escrituração para debêntures, CRIs, CRAs, certificados de recebíveis e notas comerciais.
“Nós já estamos conseguindo digitalizar processos que ainda são muito físicos e pouco automatizados, como no caso dos FIDCs”, diz Pedro Mac Dowell, cofundador e CEO da QI Tech, ao NeoFeed. “E vínhamos buscando outros espaços onde também há uma estrutura antiquada ofertada pelos players tradicionais.”
A estreia nessas novas vertentes coloca a QI Tech na disputa direta com dois grupos que, hoje, dominam esses mercados. De um lado, os grandes bancos, e, na outra ponta, nomes como Oliveira Trust e Vórtx.
Com essa oferta “na rua” há poucas semanas, a QI Tech já passou por um primeiro teste de validação ao contabilizar, nesse intervalo, um saldo de R$ 1,5 bilhão em quatro operações – sendo duas emissões de debêntures, um certificado de recebível imobiliário (CRI) e uma nota comercial.
A estratégia inicial para começar a escalar essa oferta será explorar os clientes já atendidos pela QI Tech. Hoje, essa base inclui cerca de 700 empresas, numa relação que inclui nomes como Vivo, Wellhub e 99.
Ao mesmo tempo, a fintech entende que os novos braços podem ser a porta de entrada para novos perfis de clientes nessa carteira. Em particular, os bancos que coordenam e distribuem essas ofertas, bem como as grandes securitizadoras por trás das emissões desses títulos.
A partir dos esforços junto a essas três frentes, a QI Tech projeta fechar 2026 com um volume de liquidações na faixa de R$ 30 bilhões a R$ 32 bilhões, por meio de dezenas – talvez centenas – de operações. Além de trazer de 70 a 100 novos clientes para dentro de casa.
“Essa oferta não é uma prova de conceito. Já é realidade”, afirma Mac Dowell. “Vamos ser bem agressivos na busca por esses clientes e nossa projeção é que essas frentes respondam por 6% do nosso negócio em doze meses. E que, em três anos, gerem pelo menos R$ 100 milhões em receitas.”
A decisão de enveredar por essas novas arenas também vem embalada por um contexto de um crédito bancário inflado pela taxa básica de juros elevada. Nesse cenário, instrumentos como as debêntures ganharam força como uma alternativa mais viável para financiar as empresas.
Segundo a Anbima, o mercado de capitais brasileiro registrou R$ 838,8 bilhões em captações em 2025, alta de 6,4% e a maior cifra da série histórica compilada desde 2012.
Desse total, que inclui desde a renda fixa até títulos híbridos, como fundos imobiliários e follow ons, as debêntures somaram R$ 492,8 bilhões. Já as notas comerciais cresceram 18,9%, para R$ 51,8 bilhões.
A QI Tech não partiu do zero dentro da ambição de abocanhar uma parcela considerável desse montante bilionário. A começar pela bagagem acumulada na frente de FIDCs, onde, de acordo com a própria Anbima, a startup lidera com um volume de R$ 175 bilhões sob administração.
Em outra frente, a fintech já detinha as licenças necessárias para prestar esses serviços, como a de Corretora de Títulos e Valores Mobiliários (CTVM) e de Sociedade de Crédito Direto (SCD). O passo seguinte, dado há cerca de seis meses, foi construir e amadurecer a tecnologia por trás dessa oferta.
“Levamos esse tempo para ter a certeza de que tínhamos a tecnologia necessária em mãos para mudar os padrões desse mercado”, diz Pedro Camacho, diretor comercial da QI Tech. “Temos um lema aqui. Se for para colocar um monte de planilhas e um batalhão de pessoas por trás, nós não fazemos.”
Na materialização desse discurso, a fintech está lançando uma plataforma que centraliza todas as informações sobre uma emissão. Dos detentores e vencimentos do título até questões como os juros a serem pagos e a ocorrência de eventos, como eventuais antecipações de covenants numa debênture.
Com a possibilidade de gerir cada etapa da emissão, a ferramenta também inclui uma conta Escrow, para trânsito de recursos e garantias. E tem integração nativa com a B3, o que dá acesso, em tempo real, a dados como negociações no mercado secundário, que são registradas automaticamente na plataforma.
“Hoje, isso é feito via troca de e-mails, ligações ou mesmo de documentos físicos, de forma fragmentada e com muitos atores envolvidos, o que favorece erros humanos”, diz Mac Dowell. “Esse modelo vira um caos, porque você fala com um elo da cadeia, mas não fala necessariamente com todos.”
Camacho, por sua vez, destaca justamente o fato de que a plataforma reúne, em único ambiente, as informações necessárias para emissores, agentes fiduciários e coordenadores das ofertas, além dos assessores legais e investidores.
“A ideia é ser a infraestrutura completa, de ponta a ponta, para todos os personagens envolvidos nessas emissões”, diz Camacho. “A tese é dar mais eficiência, transparência, controle e segurança a esses processos. E, com isso, democratizar um mercado que ainda é muito burocrático.”
Embora não revele a receita total da startup, que tem investidores como General Atlantic e o Fundo Soberano de Singapura (GIC) e um valuation de mais de US$ 2 bilhões, Mac Dowell ressalta que a fintech já tem porte para um IPO. Mas que esse é um caminho que deve ser percorrido apenas em 2027.
“Queremos fazer um IPO de grandes dimensões, com um valuation de alguns bilhões de dólares”, afirma o cofundador da QI Tech. “Então, antes disso, vamos dar sequência à nossa estratégia de M&As, o que passa, entre outras frentes, por encorpar ainda mais nossa oferta de custódia e administração de FIDCs.”




