O consultor sênior de conectividade da Petrobras, Maximilliam Nunes Starling Vieira, afirmou que é preciso um caso de uso sólido para justificar a implementação de rede celular privativa em uma empresa: “O negócio não tem que nascer da infraestrutura para o caso de negócio. Acho que ele tem que nascer do caso de negócio para a infraestrutura”, afirmou.
“É preciso ter um caso de uso que faça sentido, que, se sustente, para, no final do dia, capturar e gerar valor e não ficar uma infraestrutura por si só”, compartilhou o executivo durante o MPN Forum, evento organizado por Mobile Time nesta terça-feira, 16, em São Paulo.
Com jornada iniciada em RCP entre 2017 e 2018, a Petrobras tem uma rede privativa em operações offshore (plataformas, embarcações sondas e flotéis – hotéis para trabalhadores no mar) e onshore (portos, refinarias, térmicas e unidades de processamento de gás).
Com 30 plataformas e 50 localidades conectadas, inclusive nas Bacias de Campos e de Santos, Vieira também citou o susto ao perceber que a infraestrutura necessária era maior e mais densa do que o esperado, com a necessidade de colocar sete antenas em uma única refinaria.
Vale em RCPs

Bruno Jesus é arquiteto de infraestrutura – conectividade da Vale (crédito: crédito: Galeria Marcos Mesquita/Mobile Time)
Por sua vez, Bruno Jesus, arquiteto de infraestrutura – conectividade na Vale, comentou que um aprendizado notado a partir do uso de RCPs no Brasil e Canadá foi a possibilidade de adaptação topográfica – que muda constantemente em minas. Neste caso, a rede celular funciona melhor, se comparada com o Wi-Fi. Isso possibilitou à mineradora ter mais dinamismo e previsibilidade das máquinas em movimento.
Com 53 sites e 90 ERBs que conectam 10 mil ativos no Brasil e 1,5 mil no Canadá, Jesus explicou que o 5G em RCP faz sentido para missão crítica, como máquinas autônomas e tratores teleoperados que consomem tráfego de vídeo na mina de Carajás/PA. Agora, o desafio da companhia é a migração de sistemas legados para a rede celular privativa.
Globo em RCPs


Gerente sênior de operações e suporte em infra e telecom da Globo, Tiago Facchin (crédito: crédito: Galeria Marcos Mesquita/Mobile Time)
Pela Rede Globo, Tiago Facchin, gerente sênior de operações e suporte em infra e telecom da emissora, explicou que o setor de mídia tem como aprendizado em RCPs entender o requisito técnico como prioridade, vide a baixa latência para a transmissão de vídeo de modo que evite o atraso na sincronia entre som e imagem.
Também explicou que a utilização das redes celulares privativas traz mais dinamismo na montagem de infraestrutura. Por utilizar equipamentos de forma temporária na maioria dos casos (como Carnaval e festivais de música), a Globo consegue montar e desmontar a infraestrutura com velocidade.
Porém, Facchin afirmou que o grande desafio do momento é com relação ao network slicing. Como a Globo também utiliza essa oferta das operadoras em rede pública, o gerente da companhia afirmou que falta um modelo de negócio ágil para este serviço, como um formato pay per use ou ativação do fatiamento de rede via API.
São Martinho em RCPs


Painel de RCPs no MPN Forum com Edi Fiori, da São Martinho, em foco (crédito: Galeria Marcos Mesquita/Mobile Time)
Para Edi Fiori, head de TI do Grupo São Martinho, o principal conhecimento obtido com as RCPs foi na realidade de manter equipamentos ativos no campo. Citou o caso de uma antena de rede que ficou offline durante uma chuva por possuir uma alimentação de rede inadequada e arcaica.
Também citou como desafio a resistência cultural dos funcionários, uma vez que os equipamentos passaram a ser monitorados em tempo real e com isso evitou que profissionais se esvaíssem de certas atividades.
Imagem principal: Maximilliam Nunes Starling Vieira, consultor sênior de conectividade da Petrobras (crédito: crédito: Galeria Marcos Mesquita/Mobile Time)




