Ler o resumo da matéria
O UniCredit está prestes a assumir o controle do Commerzbank, detendo atualmente cerca de 42% de suas ações, após uma oferta pública lançada no início do ano. Essa transação, avaliada em cerca de US$ 50 bilhões, seria a maior operação bancária na Europa desde 2008.
O CEO do UniCredit, Andrea Orcel, utilizou derivativos para aumentar sua participação, apesar da resistência do governo alemão, que possui 12% do Commerzbank e considera o prêmio oferecido insuficiente. A CEO do Commerzbank, Bettina Orlopp, indicou que negociações podem ocorrer, mas o UniCredit precisaria oferecer um prêmio maior.
A operação enfrenta outros desafios, incluindo a integração de culturas corporativas distintas e complexas regras regulatórias. O resultado da oferta pública deve ser divulgado em julho, com a conclusão da operação podendo se estender até 2027.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
A União Europeia (UE) está prestes a testemunhar o nascimento de um dos maiores bancos do bloco, com o italiano UniCredit assumindo o controle da instituição alemã Commerzbank.
O UniCredit agora detém cerca de 42% das ações do Commerzbank, que lançou uma oferta pública pelos papéis do banco de Frankfurt no início deste ano, segundo informações do jornal The Wall Street Journal (WSJ).
Esse percentual deve ser suficiente para garantir ao banco italiano o controle sobre o conselho de administração e a gestão de sua rival alemã, apesar da oposição do governo da Alemanha, que possui 12% do capital do Commerzbank.
A oferta, realizada integralmente em ações, avalia atualmente o Commerzbank em cerca de US$ 50 bilhões, o que faria da operação a maior transação bancária da Europa desde a crise financeira de 2008.
A fusão marca a concretização de um plano iniciado há dois anos pelo CEO do UniCredit, Andrea Orcel. Ex-banqueiro de investimentos conhecido por intermediar negócios entre algumas das maiores instituições financeiras do mundo, o executivo italiano recorreu às estratégias que utilizava no mercado de investimentos.
O banco italiano usou derivativos para construir discretamente sua participação acionária, ignorando repetidas rejeições à proposta por parte de banqueiros e autoridades alemãs.
O UniCredit começou a se aproximar do Commerzbank em 2024, quando revelou uma participação de 9% em setembro daquele ano. Em seguida, adquiriu contratos financeiros vinculados às ações do banco alemão e continuou ampliando sua posição.
Em março deste ano, lançou uma oferta pública para comprar o restante das ações, argumentando que havia chegado o momento de os dois bancos iniciarem conversas construtivas.
A proposta do UniCredit — e suas alegações de que a operação poderia fortalecer o sistema bancário alemão — atingiu o orgulho corporativo da Alemanha, país que tradicionalmente exerceu maior poder financeiro do que sua vizinha europeia menor.
Até agora, o governo alemão rejeitou as investidas do UniCredit, afirmando que o prêmio oferecido é baixo demais. Em março, o banco italiano ofereceu 0,485 ação por papel do Commerzbank, o que implica um preço de € 30,80 por ativo da instituição alemã, ou um prêmio de 4% em relação ao fechamento de 13 de março de 2026.
Berlim não possui poderes especiais para impedir a transação, mas pode manter sua participação acionária e buscar formas de bloquear os movimentos do banco italiano.
A CEO do Commerzbank, Bettina Orlopp, afirmou na segunda-feira, 15 de junho, que poderiam ocorrer negociações para uma eventual operação. Para isso, o UniCredit precisaria, no mínimo, oferecer um prêmio maior em relação ao preço de mercado das ações.
O UniCredit, por sua vez, argumenta que sua investida inicial já impulsionou o preço das ações do Commerzbank, reduzindo assim o prêmio que deveria ser oferecido.
A estratégia utilizada por Orcel para incorporar o Commerzbank, baseada em derivativos, é outro ponto que incomoda os alemães.
Executivos do banco alemão afirmam que o nível de adesão à oferta da UniCredit é enganoso, pois inclui ações apresentadas por instituições financeiras com vínculos ao banco italiano, e não apenas por acionistas de longo prazo. Por esse motivo, solicitaram ao regulador financeiro alemão que investigasse as operações.
O UniCredit respondeu dizendo que “ações ofertadas são ações ofertadas” e acusou o Commerzbank de construir uma narrativa enganosa. O banco italiano também pediu uma investigação.
Além da disputa entre as partes, a operação pode enfrentar percalços. Desde as dificuldades inerentes à integração de dois grandes bancos com culturas corporativas distintas até o complexo conjunto de regras regulatórias e contábeis da Europa.
Uma questão específica envolve o cenário em que o UniCredit obtém o controle do Commerzbank sem adquirir a totalidade das ações. As regras bancárias europeias determinam que o UniCredit incorpore os ativos do Commerzbank em seu balanço patrimonial, mas impedem que contabilize integralmente o capital regulatório do banco alemão.
Isso reduziria o capital do UniCredit, uma reserva destinada à absorção de perdas, sujeita a exigências mínimas regulatórias e acompanhada de perto pelos investidores.
O resultado final da oferta pública não deve ser divulgado antes do início de julho, e a conclusão definitiva da operação pode se estender até 2027.




