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O erro de US$ 50 bilhões de uma gestora americana na era da IA

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A Polen Capital, gestora americana, viu seus ativos encolherem 60% (cerca de US$ 50 bilhões) desde 2021 devido a decisões de investimento equivocadas. A equipe apostou em empresas de software, como Adobe e Salesforce, acreditando que elas se beneficiariam da revolução da inteligência artificial, enquanto ignorou a Nvidia, que teve um aumento de quase 400% nas ações.

Apesar de um histórico de sucesso desde 2012, a Polen enfrenta dificuldades, com seu principal fundo na 243ª posição em retorno absoluto entre 249 similares. A história mostra que grandes investidores frequentemente falham ao se apegar ao sucesso anterior, como evidenciado por casos como Long-Term Capital Management e Tiger Global.

A Polen reconheceu a transformação da IA, mas errou ao escolher quem capturaria o valor, com o mercado priorizando fornecedores de infraestrutura, como chips e data centers, em vez de software.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

A história da gestora americana Polen Capital parece, à primeira vista, apenas mais um caso de um gestor que ficou do lado errado da revolução da inteligência artificial. Embora não esteja entre as maiores do segmento, sua decisão de alocação demonstra como o boom da IA pode ser decisivo para o sucesso ou o fracasso.

Sediada na Flórida, a gestora viu seus ativos sob gestão encolherem 60% – cerca de US$ 50 bilhões – desde o pico de 2021. O motivo foram as decisões de alocação da equipe de gestão.

Em junho de 2023, a Polen escreveu aos clientes que o potencial de valorização das fabricantes de chips já estariam refletidos nos preços. Isso significava, por exemplo, não investir na Nvidia – desde então, as ações dispararam quase 400% e a empresa se tornou a maior vencedora da corrida da IA.

Stan Moss, Dan Davidowitz e Damon Ficklin decidiram colocar suas fichas em empresas de software. Segundo eles, companhias como Adobe, Salesforce e ServiceNow continuariam capturando valor nessa nova era. Não foi o que aconteceu.

Embora acumule um histórico recente ruim, a Polen teve uma trajetória de sucesso desde 2012, quando detinha perto de US$ 2 bilhões sob gestão.

Hoje, a gestora da Flórida faz a gestão de US$ 33 bilhões, mas seu principal fundo estava na 243ª em retorno absoluto, entre 249 fundos similares, no fim de abril, segundo a Bloomberg com base nos dados da Morningstar.

Fracassos financeiros

O histórico da gestão de recursos mostra que grandes investidores fracassam justamente quando parecem mais brilhantes.

Mas a Polen está longe de ser um caso isolado. Na história dos mercados, alguns dos maiores fracassos financeiros nasceram justamente de investidores que se tornaram vítimas do próprio sucesso.

E as maiores destruições de riqueza em gestão de recursos surgem quando gestores ficam presos ao sucesso do ciclo anterior – raramente vêm de fraudes ou apostas irresponsáveis.

Em 1998, a Long-Term Capital Management, fundo criado por alguns dos maiores nomes de Wall Street e que contava com vencedores do Prêmio Nobel em seu quadro, colapsou após a crise russa. Seus modelos matemáticos sofisticados funcionavam perfeitamente – até que o mundo real mudou.

Uma década depois, veio a crise financeira de 2008. Bill Miller, então uma lenda da indústria por ter superado o S&P 500 durante 15 anos consecutivos, manteve convicção em bancos como Bear Stearns e Lehman Brothers quando o mercado já apontava para outra direção.

O resultado foi uma queda superior a 50% em seu fundo e o fim de uma das trajetórias mais admiradas de Wall Street.

Mais recentemente, a Tiger Global, uma das grandes vencedoras da era da internet e do software, sofreu perdas bilionárias após a mudança do ciclo tecnológico. O mercado deixou de premiar empresas de crescimento a qualquer preço e passou a valorizar infraestrutura de IA, semicondutores e poder computacional.

A história se repetiu também com Cathie Wood e a ARK Invest. Celebrada durante a pandemia por apostar em empresas disruptivas, a gestora viu seu principal ETF perder mais de 70% do valor a partir de 2021.

No caso da Polen, a gestora acertou ao identificar que a IA transformaria o setor de tecnologia. Errou, porém, ao definir quem capturaria o valor dessa transformação. Em vez de software, o mercado decidiu premiar os fornecedores da infraestrutura da revolução — chips, data centers e capacidade computacional.

Os maiores investidores frequentemente perdem dinheiro não porque deixam de entender o futuro, mas porque continuam excessivamente presos ao passado que os tornou vencedores. É a dificuldade de mudar de ideia.



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