O Grupo Bom Futuro, que pertence aos irmãos Eraí, Elusmar e Fernando Maggi Scheffer, foi a companhia que ofereceu R$ 1,85 bilhão para adquirir 41,2 mil hectares da Radar — joint venture entre Cosan e a firma de investimentos Nuveen — em Mato Grosso, apurou The AgriBiz. O acordo para a venda da área, no valor de R$ 1,85 bilhão, foi anunciado na manhã desta quarta-feira.
Nesses termos, a transação sairia por 427 sacas por hectare. O cálculo feito por The AgriBiz considera que a soja negocia perto de R$ 105 por saca nos dois municípios, conforme dados do Imea (Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária).
A oferta mostra o apetite do empresário Eraí Maggi, um dos titãs do agronegócio brasileiro. No ano passado, a companhia já havia desembolsado mais de R$ 1,5 bilhão para comprar duas fazendas quer pertenciam à Proterra, firma de private equity saída das costelas da Cargill.
Desta vez, no entanto, a aquisição ainda não é certa e depende da SLC, maior companhia agrícola do mundo. Como opera cerca de 70% dessas fazendas por meio de arrendamento com a Radar, a empresa da família Logemann pode exercer o direito de preferência sobre as áreas que arrenda.
As fazendas que a Radar está vendendo ficam em uma área nobre de Mato Grosso, próxima aos municípios de Diamantino e Campo Novo do Parecis. Além da SLC, que opera a maior parte sob arrendamento, a própria Bom Futuro arrenda uma parte desses 41 mil hectares, assim como outros grupos.
Para levar todas as áreas oferecidas pela Radar, o grupo de Eraí Maggi precisa esperar o período de exercício dos respectivos direitos de preferência.
No mercado, ainda há dúvidas sobre a disposição da SLC. Embora a companhia gaúcha seguramente tenha como bancar a aquisição graças à saudável estrutura de capital, as compras de terras feitas nos últimos dois anos sugerem que o momento agora é de reduzir a alavancagem.
Quem conhece a família Logemann, no entanto, aposta que eles vão exercer o direito. “Eles não vão perder uma área como essa”, avaliou uma fonte.
Procurada, a SLC não respondeu até a publicação desta matéria.
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Para a Cosan, a venda das fazendas ajuda a reduzir a alavancagem. A firma que tem Rubens Ometto e o BTG Pactual como controladores quer levar o endividamento da holding para zero.
Com a venda dos 41 mil hectares em fazendas em Mato Grosso, a Cosan vai receber R$ 586 milhões referentes à sua participação.
Na bolsa, as ações da Cosan sobem mais de 7% nesta quarta-feira. A holding está avaliada em R$ 12,8 bilhões.




