Bloomberg — Três anos após o início do esforço de Nir Bar Dea para revitalizar a Bridgewater Associates, o fundo hedge está mais enxuto e entregando melhor desempenho do que teve em anos. Ainda assim, alguns acionistas estão cortando o valuation da empresa e outros estão saindo.
Mesmo enquanto o fundo macro principal da gestora registrava um 2025 recorde, dois dos sete donos institucionais da gestora decidiram vender suas ações de volta à Bridgewater com desconto em relação ao preço de compra, segundo pessoas familiarizadas com o assunto que falaram com a Bloomberg News.
Um terceiro, o Teacher Retirement System of Texas, também busca vender sua participação após cortar o valor de sua posição em 9% no ano passado.
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A aposta de Bar Dea tem sido a de que uma versão menor e mais focada de seu principal fundo, o Pure Alpha — por muito tempo o maior fundo hedge do mundo — reverteria um desempenho que ficou atrás dos rivais por uma década.
Embora isso tenha funcionado, administrar menos dinheiro também ameaça reduzir as previsíveis taxas de administração que impulsionam grande parte do valor das participações acionárias.
Um representante da Bridgewater recusou comentar.
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Foram a bilionária família Koch e um dos maiores fundos de pensão do Canadá, o Ontario Municipal Employees Retirement System (Omers), que venderam o restante de suas ações no fim do ano passado, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.
Essas vendas, que não haviam sido reportadas anteriormente, ressaltam a dramática reorganização do quadro de proprietários da Bridgewater nos últimos meses.
Ray Dalio, que fundou a Bridgewater em seu apartamento de dois quartos em 1975, também vendeu o restante de sua participação de volta à firma no ano passado com desconto.
Ao mesmo tempo, o fundo soberano de Brunei retirou dinheiro de um investimento numa estratégia da Bridgewater para comprar uma fatia de quase 20% da própria firma.
Pouco depois, quase todos os sócios buscaram abocanhar mais ações, disseram algumas das pessoas familiarizadas com o assunto, que pediram para não serem identificadas porque as transações não eram públicas.
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A série de mudanças pode oferecer um novo teste de avaliação para uma gestora que parece estar em bases mais estáveis, mas que perdeu cerca de um terço de seus ativos nos últimos três anos.
“Como o Pure Alpha teve desempenho inferior por períodos enquanto ainda produzia receita significativa de taxas devido à sua escala, alguns investidores em participações podem ter ficado relativamente confortáveis com o status quo”, disse Bruno Schneller, sócio-gerente do multifamily office Erlen Capital Management. “O que Nir Bar Dea parece estar fazendo é, na prática, forçar uma reformulação estratégica.”
A estratégia do CEO
Quando Bar Dea assumiu as rédeas como co-CEO em 2022, a Bridgewater administrava cerca de US$ 150 bilhões em ativos. Mas seu fundo principal vinha enfrentando dificuldades havia anos, obtendo um ganho anualizado nominal na década que antecedeu sua chegada.
No jargão dos fundos hedge, o Pure Alpha havia se tornado limitado por capacidade (capacity constrained), o que significa que os executivos temiam que o desempenho estivesse sofrendo porque os ativos haviam crescido demais.
Isso porque fundos hedge muitas vezes buscam explorar breves ineficiências nos mercados, então administrar dinheiro demais pode prejudicar os retornos de um fundo.
Nos anos desde que Ray Dalio deixou o comando, Bar Dea se tornou o único CEO e partiu para reformular a gestora.
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Ao lado do codiretor de investimentos Greg Jensen, ele reestruturou equipes, cortou custos, investiu mais em inteligência artificial e reduziu o volume de dinheiro do Pure Alpha, o que ajudou a encolher os ativos de toda a firma para US$ 102 bilhões.
Até agora, seus esforços se traduziram em melhores retornos, com o Pure Alpha ganhando 34% em 2025. Isso impulsionou as taxas de desempenho, ajudando os lucros da Bridgewater a atingir em 2025 um nível superior à média dos cinco anos anteriores, segundo uma das pessoas familiarizadas com o assunto.
Para os detentores de ações, porém, a questão passa a ser se eles ainda estão satisfeitos com as potenciais taxas geradas a partir desse volume menor de dinheiro, especialmente se o fundo principal tiver dificuldade de replicar os fortes retornos do ano passado.
Por parte da Bridgewater, ela agora espera que o Pure Alpha supere sua meta de retorno ao menos 65% das vezes, acima dos 50% antes de Bar Dea implementar as mudanças. O fundo ganhou 7,7% neste ano até abril.
E, ao limitar os ativos, a Bridgewater disse a clientes que anteriormente recebiam alguns dos maiores descontos em suas taxas que teriam que pagar mais dali em diante para permanecer investidos no fundo hedge, segundo uma das pessoas familiarizadas com o assunto. Isso ajudou a elevar a média geral das taxas de desempenho e de administração, disse a pessoa.
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A situação da Bridgewater mostra o que pode acontecer quando um fundo hedge fica preso entre os dois motores mais poderosos do setor: os general partners (GPs), que detêm participações nas próprias empresas, e os limited partners (LPs), que fornecem capital para os fundos subjacentes, mas não têm controle operacional.
“A questão mais ampla aqui é a clássica tensão de alinhamento entre os resultados dos LPs e a economia dos GPs”, disse Schneller. “Os LPs querem disciplina de capacidade e fortes retornos líquidos. Investidores em participações de GP tendem a preferir fluxos de taxas estáveis e crescentes.”
Pressão crescente
Um quarto investidor da Bridgewater considerou sair antes de decidir permanecer.
O Abu Dhabi Investment Council (ADIC) considerou brevemente juntar-se à família Koch e ao Omers para se desfazer de suas ações na Bridgewater, disseram as pessoas familiarizadas com o assunto. O gigante fundo soberano acabou decidindo não vender e permanece investidor.
Um representante do ADIC recusou comentar.
O fundo de pensão dos professores do Texas, o Omers e a família Koch apostaram pela primeira vez na Bridgewater há quase 15 anos. Mais recentemente, ao menos um dos três passou a ver o investimento como problemático, disse uma das pessoas.
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Suas saídas também ocorreram num momento em que muitas gestoras de ativos alternativos recorreram a táticas criativas para gerar liquidez para investidores de fundos que vêm recebendo distribuições irrisórias nos últimos anos.
O Omers e a família Koch já haviam vendido uma parte de suas ações de volta à Bridgewater por volta de 2023, com ágio, segundo as pessoas familiarizadas com o assunto.
Porta-vozes do Omers, da família Koch e do Teacher Retirement System of Texas recusaram comentar.
Há sinais de que muitos dos próprios funcionários da Bridgewater apoiam o esforço de recuperação de Bar Dea.
Quando o fundo hedge recentemente ofereceu a funcionários atuais e antigos a chance de vender suas ações de volta à empresa, todos exceto quatro disseram não, segundo uma das pessoas familiarizadas com o assunto.
Mas a recente redução de valor pelo fundo de pensão dos professores do Texas oferece outra janela sobre como alguns dos investidores acionários de longa data da Bridgewater veem o fundo hedge.
O fundo de pensão comprou uma participação de US$ 250 milhões de Dalio em 2012 e, desde então, já colheu aproximadamente esse mesmo montante apenas com sua parte das taxas da Bridgewater.
Cinco anos depois, o fundo disse aos investidores que sua participação de 2,4% na firma valia cerca de US$ 384 milhões, dando à Bridgewater um valuation de US$ 16,3 bilhões. Até aquele momento, a posição havia produzido uma taxa interna de retorno de 15%.
Mas, no ano passado, essa taxa de retorno despencou para 8,7%, segundo documentos vistos pela Bloomberg News. Em dezembro, o fundo dos professores do Texas colocou um preço de US$ 279 milhões em sua participação na Bridgewater, cortando seu valuation para US$ 11,6 bilhões.
“A questão mais importante é se isso sinaliza uma Bridgewater mais saudável e sustentável daqui em diante”, disse Schneller.
“Se, porém, o desempenho permanecer medíocre mesmo em escala reduzida, então a pressão tanto dos LPs quanto dos investidores em participações de GP provavelmente vai se intensificar de forma significativa.”
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