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A Infra S/A, empresa pública de infraestrutura, apresentou um plano ao governo para se tornar independente do Tesouro e alcançar lucro até 2029, em meio a déficits nas estatais federais.
Criada em 2022, a Infra busca um patrimônio líquido positivo em 2026 e lucro em 2024. Vinculada ao Ministério dos Transportes, a empresa participa da reestruturação das estatais, visando aumentar suas receitas próprias para 40%-50%. Atualmente, apenas a Telebras alcançou esse status.
A estatal, com orçamento de R$ 500 milhões, já está próxima de 50% de receita própria e implementa melhorias em governança e transparência. Após dois anos de ajustes financeiros, a empresa planeja aumentar sua cobertura de receita em relação às despesas e já está envolvida em projetos de conservação, como a rodovia BR-319.
O ministro dos Transportes, George Santoro, destaca a importância de uma gestão adequada para evitar dependência contínua do Tesouro.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
Brasília — De janeiro a abril deste ano, as estatais federais acumulam um déficit de R$ 5,9 bilhões, o pior da série histórica inaugurada em 2022, segundo dados do Banco Central. Diante desse cenário, uma estatal planeja sair do vermelho e ganhar dinheiro com os grandes projetos de infraestrutura do País.
É a Infra S.A, empresa pública da área de infraestrutura, que acaba de apresentar ao governo um plano para se tornar independente do Tesouro e ficar no azul até 2029. Hoje, ela é uma estatal dependente — empresa pública que não tem receitas próprias suficientes para financiar gastos do dia a dia, depende do Tesouro e na prática disputa recursos do Orçamento com programas sociais, por exemplo.
A meta estipulada pelo Executivo é atingir entre 40% e 50% de receitas próprias para uma empresa pública ser considerada uma estatal “não dependente”. Por enquanto, a Telebras é a única estatal que até agora conseguiu se tornar “não dependente”.
Além da Infra – cujo processo está mais adiantado, segundo o governo -, a Ceitec (fabricante de semicondutores) e a Imbel (indústria de armamentos) também figuram como candidatas a esse posto.
Criada em 2022, fruto da Valec (estatal de ferrovias manchada por diversos casos de corrupção) e a EPL (estatal do governo Dilma, que mal conseguiu sair do papel), a Infra vem arrumando a casa com o objetivo de obter um resultado inédito de patrimônio líquido positivo em 2026.
“Estamos com um plano de, em três anos, já ter lucro. Atualmente, ela ainda é deficitária. A gente está consertando a remuneração dela, que está muito baixa, para ter uma receita própria correta”, diz o ministro dos Transportes, George Santoro, ao NeoFeed.
Vinculada ao Ministério dos Transportes, a Infra participou da modelagem de projetos de engenharia de 104 concessões e PPPs de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos. E já fechou contratos que somaram R$ 52,6 milhões entre 2022 até o primeiro trimestre de 2026. Nesse período, a estatal também participou de 30 leilões de infraestrutura, dando apoio técnico por meio de estudos de viabilidade técnica e econômica.
“Prefiro organizar a empresa para esse momento. Se eu antecipo uma etapa, mas a empresa ainda não está no nível de maturidade adequada, acaba tendo um problema de a empresa ficar viciada em não ter resultado e para sempre mordendo um dinheiro do Tesouro”, afirma Santoro. “Por isso, o cuidado que estamos tendo.”
Com um orçamento de aproximadamente R$ 500 milhões, o ministro conta que a Infra já está próxima dos 50% de receita própria, mas, mesmo assim, resolveu aprofundar processos de governança e transparência necessários para mudar a cultura da estatal, que geralmente leva muitos anos.
Para trilhar esse caminho e obter o status de estatal “não dependente”, a Infra passou dois anos arrumando a casa, refez toda a sua contabilidade, abriu um PDV (programa de demissão voluntária para servidores, que foram herdados de duas estatais), precisou criar uma área comercial e começou a vender planos de logística e modelagem para Estados das regiões Sul e Sudeste. A empresa conta hoje com 636 servidores.
Atualmente, a empresa, que é presidida por Jorge Bastos (ex-diretor da ANTT), tem contratos com dois ministérios: Transportes e Portos e Aeroportos. E também vislumbra substituir funcionários comissionados por concursados, numa articulação com o governo, à medida que essas metas de resultados financeiros avançar.
Entre 2023 a 2025, a receita bruta da estatal mais que dobrou para R$ 74,1 milhões. E no primeiro trimestre deste ano já foi de R$ 47,4 milhões.
“A contabilidade estava toda errada e primeiro trabalhamos para rearrumar as finanças. A gente propôs um contrato de gestão para a Infra, e com esses ajustes a empresa vai pular rapidamente de 40% para mais de 80% da cobertura da receita em relação à despesa, já no ano que vem. Em 2028, ela deve bater os 100% [empatar] e em 2029 esperamos que ela dê lucro”, afirma Santoro.
Atualmente, a Infra S/A está envolvida na modelagem do projeto de conservação e manutenção da polêmica rodovia BR-319, na Amazônia, num contrato de gestão com o Ministério do Meio Ambiente. A área ambiental do governo exigiu essa governança para monitorar as obras e evitar impactos severos a áreas florestais e à fauna da região.
“A inteligência que eles [Infra] vão gerar lá é muito grande. Ela tem uma condição de ter uma expertise muito grande no mercado”, afirma Santoro.
A Infra já atuou em leilões como das rodovias BR-040 e BR381 (ambas em Minas Gerais); projetos ferroviários como obras da Fiol e estudos de viabilidade para modais de carga — Malha Ferroviária Sul (RMS), Ferrovia Centro Atlântica (FCA) e Ferrovia Teresa Cristina (FTC) —; e projetos de arrendamentos portuários e concessões hidroviárias (hidrovias do Rio Madeira, Lagoa Mirim e Rio Paraguai).
O Plano Nacional de Logística, do Ministério dos Transportes, que prevê concessões de transportes bilionárias, dos quais a Infra S.A participa, prevê movimentar R$ 600 bilhões em investimentos nos próximos anos. Somente os oito leilões de concessões de ferrovias estimam R$ 160 bilhões.
Em outra frente, porém, entre os novos projetos, segundo Santoro, a estatal pretende arrecadar com os leilões de 20 terminais ferroviário da Norte-Sul e obter receitas com o documento de transporte eletrônico (DT-e) que o governo espera lançar em breve. Uma área nova de atuação também será organizar filas de portos, atuando em gestão de dados. “Ela vai ter muitas possibilidades de receita”, diz o ministro.
Estatais no vermelho
Das 43 estatais federais de controle direto, 18 vêm registrando déficit primário. Dentre essas, apenas os Correios contabilizaram prejuízo recentemente, de acordo com o Ministério da Gestão. A Pasta ainda vem tocando um programa de reestruturação (Inovar) de 14 estatais para modernizá-las e buscar maior eficiência.
A Pasta, responsável pelas estatais federais, esclarece que o déficit (resultado financeiro negativo entre receitas e despesas, mas que não considera recursos em caixa e investimentos acumulados) é diferente de prejuízo. O prejuízo representa a perda real ou potencial de valor de uma empresa e ocorre quando a companhia não consegue cobrir suas despesas ou perdeu o valor de seus ativos.
No caso dos Correios, a empresa contraiu um grande rombo, da ordem de R$ 8,5 bilhões em 2025. Somente no primeiro trimestre deste ano, o prejuízo líquido foi de R$ 3,1 bilhões, resultado 82% superior ao mesmo registrado no mesmo intervalo do ano passado. Desde 2022, a empresa ainda acumula um prejuízo de cerca de R$ 28 bilhões.
Para sair do buraco, a estatal da área de correspondências e logística vem conduzindo um plano de recuperação financeira, que conta com um empréstimo de R$ 12 bilhões tomados no ano passado. E ainda vem tocando um PDV, que por enquanto não vem sendo totalmente bem-sucedido. A expectativa, diz uma fonte graduada do governo, é que a estatal saia do vermelho a partir de 2027.




