De acordo com a análise divulgada pela OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras), o segundo semestre de 2026 exigirá uma capacidade de adaptação reforçada por parte das cooperativas agropecuárias brasileiras. Após um início de ano com crescimento impulsionado pela soja e pelo mercado de carnes, economistas e consultores do setor projetam uma perda de dinamismo na reta final do ano.
O cenário é desenhado por uma combinação de fatores: a iminente chegada de um novo episódio do fenômeno climático El Niño, o encarecimento de insumos e as incertezas geopolíticas no exterior, que pressionam os custos de produção e a logística global.
Clima e Commodities: O impacto do El Niño e as projeções de mercado
A consolidação do El Niño trará efeitos assimétricos para a produção nacional, exigindo mapeamento de riscos customizado regionalmente:
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Norte, Nordeste e faixas ao Norte de Centro-Oeste e Sudeste: A tendência é de estiagens severas e redução nas precipitações, ameaçando o rendimento de culturas como arroz, feijão, algodão, milho e café. No café, a colheita ágil iniciada em maio pressiona as cotações atuais, mas custos de frete gerados por conflitos externos podem contrapor essa tendência.
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Região Sul: O fenômeno intensificará o volume de chuvas, encharcando solos, dificultando o manejo mecânico nas lavouras e elevando a incidência de fitopatógenos, com reflexos diretos na área plantada de trigo.
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Oportunidade na Nutrição Animal: O avanço expressivo da safra de soja (com projeção de recorde para 2027) e a expansão da indústria de etanol de milho — cuja produção nacional atinge a marca de 20 bilhões de litros anuais — elevarão fortemente a oferta de subprodutos (como farelo e DDG). Esse excedente barateia os custos da dieta, abrindo margem positiva para cooperativas que atuam em confinamento bovino e produção leiteira.
Choque de custos e estratégias de governança financeira
A rentabilidade do produtor rural enfrentará pressão direta com o encarecimento do petróleo e das matérias-primas importadas (fertilizantes, defensivos e sementes). Diante de margens mais apertadas e de um caixa governamental mais restrito, analistas recomendam que as cooperativas adotem práticas rígidas de controle interno:
“Para mitigar a volatilidade do mercado e as quebras locais, as cooperativas precisarão massificar ferramentas digitais de monitoramento climático e implantar a gestão de margem por lote. O monitoramento diário de mercado e travas de preços passam a ser itens de sobrevivência financeira.”
Financiamento e Mercado de Capitais como alternativa ao Crédito Tradicional
O cenário de crédito rural tradicional continua sob a pressão de juros elevados em patamar macroeconômico e o risco latente de inadimplência no campo. Embora medidas oficiais de sustentação operem como atenuantes — como as renegociações de dívidas por meio do Desenrola Rural e o fomento a maquinários pelo programa Move Rural —, os números do Plano Safra 2025/2026 acenderam o alerta, registrando queda média de 18% nas liberações (com retrações mais severas nas regiões Nordeste e Norte).
Como alternativa viável para complementar o financiamento bancário, o mercado de capitais consolida-se na estratégia das cooperativas de médio e grande porte. A emissão de títulos de renda fixa ganha tração técnica impulsionada pela regulamentação do Regime Fácil da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que desburocratizou e simplificou o acesso de pequenas e médias empresas a captações estruturadas de dívida no mercado financeiro.
Fonte: Sistema OCB




