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CFO da Nike diz que cenário não deve melhorar nos próximos seis meses; ações caem

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Bloomberg — Os executivos da Nike apresentaram uma perspectiva cautelosa e alertaram sobre o elevado nível de ansiedade dos consumidores, o que aumentou as preocupações dos investidores quanto à recuperação dolorosamente lenta da empresa de roupas esportivas.

“Não esperamos que o cenário melhore significativamente nos próximos seis meses”, afirmou Matt Friend, CFO da Nike, nesta terça-feira, durante uma teleconferência com investidores.

Os clientes estão “sob pressão em todo o mundo, e podemos observar, em particular, que isso está causando um impacto maior no setor de roupas esportivas”, acrescentou ele.

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A Nike espera uma desaceleração no próximo trimestre em comparação com o período atual, citando o calendário das remessas no atacado na América do Norte, entre outros fatores.

As ações caíram até 4,2% nas negociações pré-mercado em Nova York nesta quarta-feira. Os comentários pessimistas ofuscaram as vendas e o lucro melhores do que o esperado no último trimestre.

O diretor executivo Elliott Hill lidera a Nike há quase dois anos, e o progresso rumo à retomada do crescimento tem se arrastado, gerando frustração.

A administração enfrenta uma pressão cada vez maior para apresentar resultados, com as ações da empresa registrando queda de 36% neste ano até o fechamento da terça-feira, colocando-as a caminho de uma quinta queda anual consecutiva.

A fraqueza contínua “reforça a sensação de que os problemas da Nike são mais profundos do que se reconhecia anteriormente e que, consequentemente, a recuperação está demorando muito mais do que o previsto”, escreveu Neil Saunders, diretor-gerente da GlobalData, em um e-mail.

A paciência dos investidores está sendo especialmente posta à prova pela persistente fraqueza na Grande China, onde os resultados ficaram em linha com as expectativas, mas ainda assim apresentaram queda de 12% em relação ao ano anterior.

Leia também: Nike vs Adidas: investimento na Copa é elevado, mas novas marcas ofuscam retornos

A concorrência no mercado, que é um dos maiores da Nike, se intensificou, enquanto os consumidores se voltaram para marcas locais em meio ao aumento dos custos.

A Nike está realizando uma “reestruturação abrangente” na Grande China, afirmou Hill durante a teleconferência.

A empresa está “adotando uma abordagem mais local na criação de produtos” e está trabalhando com parceiros para “ser mais premium, mais conectada culturalmente e acompanhar o ritmo dos consumidores chineses”.

Com as vendas gerais ainda em queda, a recuperação levará mais tempo, à medida que a Nike busca liquidar o excesso de estoques de roupas esportivas, streetwear, produtos da marca Jordan e outros itens na China, afirmou a analista da Bloomberg Intelligence, Poonam Goyal, em uma nota.

Os investidores provavelmente ainda questionarão se a Nike “tomou medidas drásticas nas revisões dos lucros”, afirmou o analista da Guggenheim, Simeon Siegel. Ele reduziu o preço-alvo das ações da Nike de US$ 74 para US$ 60.

Foco no esporte

A receita da Converse despencou 32% no quarto trimestre. Suas vendas anuais foram as mais baixas desde 2011.

Isso “levanta a questão de se a Nike realmente tem capacidade e vontade para recuperar a marca”, afirmou Saunders.

“Caso não tenha, deveria buscar uma estratégia de saída para evitar que a Converse se torne um peso para os recursos e o tempo da administração.”

A estratégia de Hill tem se concentrado em direcionar o foco da Nike para esportes individuais, como basquete e corrida. Embora a marca tenha feito progressos, ela cometeu erros, como um anúncio da Maratona de Boston que foi retirado do ar após críticas, e parte de seu estoque para a Copa do Mundo não chegou aos varejistas no prazo previsto.

Leia também: On mira mercado de futebol dominado por Adidas e Nike depois de crescer em corridas

A Nike pode estar recebendo um impulso da Copa do Mundo. Até o momento, a empresa já vendeu mais do que o dobro da quantidade de produtos relacionados ao torneio em comparação com o evento de 2022, afirmou Cristina Fernandez, do Telsey Group, em uma nota.

A Nike espera que estrelas como o francês Kylian Mbappé e o norueguês Erling Haaland continuem marcando gols de grande destaque, agora que as duas seleções avançaram para as oitavas de final.

No início deste mês, a Nike informou que David Denton, diretor financeiro da Pfizer Inc., assumirá essa função em agosto. Ele substituirá Friend, que permanecerá na Nike até 4 de setembro. A Nike realizará um evento para investidores nos dias 16 e 17 de novembro.

–Com a colaboração de Marc Davies, Kaitlyn Pohly, Tim Loh, Subrat Patnaik e Iain Rogers.

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