Bloomberg — É provável que a Índia registre chuvas abaixo da média em julho, o mês mais chuvoso da monção, após o junho mais seco dos últimos 12 anos, o que ameaça atrasar ainda mais o plantio em grande parte do país.
Prevê-se que a precipitação em julho seja inferior a 94% da média de longo prazo, de cerca de 28 centímetros, em grande parte devido ao surgimento do fenômeno climático El Niño no Oceano Pacífico, afirmou Mrutyunjay Mohapatra, diretor-geral do Departamento Meteorológico da Índia, em uma coletiva online na terça-feira (31).
A Índia registrou quase 40% menos chuvas do que o normal no mês passado, tornando-se o junho mais árido desde 2014.
A monção é responsável pela maior parte das chuvas anuais da Índia, reabastecendo as reservas de água subterrânea e sustentando a atividade agrícola.
No passado, a precipitação abaixo do normal levou as autoridades a restringir as exportações de importantes commodities agrícolas para garantir o abastecimento interno. Em maio, o governo proibiu as exportações de açúcar até 30 de setembro.
É improvável que a escassez de chuvas seja “um grande problema” para os alimentos básicos, mas ela gera preocupações em relação às culturas de oleaginosas e à inflação dos preços dos vegetais, disse Teresa John, economista da Nirmal Bang Equities.
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Julho é o principal mês de plantio para culturas da monção, como arroz, soja, algodão e leguminosas.
A baixa precipitação tem prejudicado o plantio até o momento. A previsão mais recente do serviço meteorológico aponta para precipitação normal ou acima do normal na primeira semana de julho.
No entanto, as perspectivas continuam sensíveis à distribuição das chuvas, já que chuvas intensas em um curto período também poderiam causar interrupções.
“Quero ressaltar que a distribuição das chuvas é mais importante do que a quantidade de chuva recebida” nas próximas três a quatro semanas, disse Harsha Muragod, analista da Expana.
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A área plantada com culturas da estação das monções, incluindo arroz, oleaginosas, milho e algodão, caiu para 18,27 milhões de hectares em 25 de junho, uma queda de quase 23% em relação ao ano anterior, segundo dados do Ministério da Agricultura do país.
Para Vinod Patidar, que cultiva amendoim, feijão-preto e soja em 10 hectres no estado de Madhya Pradesh, na região central da Índia, a chegada tardia das chuvas adiou a semeadura, empurrando a colheita para mais adiante na estação.
Ele começou a plantar amendoim na segunda-feira (29), com cerca de duas semanas de atraso em relação ao cronograma.
“Meus campos precisam desesperadamente de chuva, e agora tudo está nas mãos de Deus”, disse Patidar. “Já estamos atrasados”.
A Índia identificou 315 distritos vulneráveis a chuvas abaixo do normal, incluindo 111 áreas de alta prioridade com irrigação limitada, informou o Ministério da Agricultura neste mês, após uma análise realizada pelo ministro da Agricultura, Shivraj Singh Chouhan.
Planos de contingência orientarão a escolha das culturas, o uso da água e medidas de emergência em 12 estados.
O Ministério das Finanças sinalizou o déficit de chuvas da monção como uma preocupação para a economia.
“Entre as muitas coisas para as quais a Índia precisa criar reservas nos próximos anos, a água pode estar no topo da lista”, afirmou o ministério em sua análise econômica mensal de junho.
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As chuvas escassas têm mantido o clima quente em muitas regiões do país, aumentando a demanda por eletricidade, refrigeração e irrigação — atividade que os agricultores realizam após o pôr do sol para evitar o calor. Isso tem mantido elevada a demanda de energia à noite. Como resultado, os déficits de fornecimento noturnos voltaram a ocorrer após uma breve trégua no início de junho.
As ondas de calor são um dos principais fatores que impulsionam a demanda por eletricidade na Índia, mas a falta de chuva pode causar picos incomuns de consumo durante os meses da monção.
Em 2023, o país registrou a maior demanda de energia daquele ano em setembro, em decorrência das chuvas escassas.
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