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como foi o desempenho das commodities agrícolas no 1º semestre

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Bloomberg Línea — O primeiro semestre apresentou um quadro bastante desigual para as commodities agrícolas. Enquanto o óleo de soja liderou os ganhos, impulsionado pelas expectativas em relação aos biocombustíveis e pela alta do petróleo, produtos como o suco de laranja, o cacau e o café sofreram uma correção em parte das fortes altas acumuladas nos últimos anos, diante de melhores perspectivas de oferta.

O comportamento dos mercados foi influenciado por fatores muito distintos. Em alguns casos, o temor em relação a restrições de oferta e a uma maior demanda industrial sustentou os preços. Em outros, os operadores começaram a antecipar safras mais abundantes, o que alterou as expectativas quanto ao equilíbrio entre oferta e demanda.

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O ranking semestral reflete essa divergência. Atrás do óleo de soja, ficaram a borracha e o óleo de palma, enquanto no extremo oposto apareceram o café, o cacau e o suco de laranja.

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Mike McGlone, estrategista sênior de commodities da Bloomberg Intelligence, afirmou que as altas registradas no primeiro semestre do ano foram “impulsionadas pela guerra com o Irã”, embora possam “ter sido o impulso de que os mercados agrícolas precisavam para dar mais força às tendências de superabundância e voltar a pressionar os mercados em direção a preços mais baixos”.

Como foi o desempenho das commodities agrícolas no primeiro semestre de 2026

  • Óleo de soja: +33,20%
  • Borracha: +18,18%
  • Óleo de palma: +13,48%
  • Algodão: +12,36%
  • Trigo: +12,20%
  • Gado bovino: +8,44%
  • Óleo de canola: +7,61%
  • Soja: +7,44%
  • Gado para engorda: +6,66%
  • Milho: +2,37%
  • Madeira: -1,11%
  • Açúcar: -1,33%
  • Farelo de soja: -4,35%
  • Suínos magros: -4,59%
  • Farelo de canola: -6,75%
  • Café: -7,40%
  • Cacau: -17,19%
  • Suco de laranja: -17,83%

As matérias-primas que lideraram os ganhos

O óleo de soja foi a matéria-prima agrícola com melhor desempenho no semestre, após registrar alta de 33,2%, impulsionado principalmente pelas expectativas de maior demanda relacionada aos biocombustíveis.

A atenção do mercado concentrou-se nos Estados Unidos, onde as propostas para aumentar as obrigações de mistura de combustíveis renováveis reforçaram a perspectiva de um maior consumo de óleos vegetais.

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O principal fator impulsionador foi a expectativa de um maior uso do óleo de soja na produção de biodiesel e diesel renovável naquele país. As propostas da EPA para aumentar as obrigações de mistura de combustíveis renováveis reforçaram as perspectivas de demanda por óleo de soja,

Ao mesmo tempo, o mercado acompanhou de perto a implementação do chamado crédito fiscal 45Z dos Estados Unidos, um incentivo que visa estimular a produção de combustíveis de baixas emissões e que pode aumentar o consumo de óleo de soja como matéria-prima.

A alta do preço do petróleo reforçou essa tendência. A S&P Global Commodity Insights afirmou que o aumento do preço do petróleo bruto fortaleceu a economia das misturas de biodiesel, elevando a demanda prevista por óleos vegetais, entre eles o óleo de soja.

“As crescentes tensões geopolíticas no Oriente Médio aumentaram a volatilidade nos mercados de petróleo, o que repercutiu no óleo de soja devido à sua estreita relação com a demanda por biocombustíveis”, acrescentaram Ming Wang e Frayne Olson, analistas do Centro de Políticas de Risco Agrícola da NDSU.

A borracha, a segunda matéria-prima com melhor desempenho no semestre, após alta de 18,18%, encontrou suporte em uma combinação de restrições estruturais de oferta e uma demanda que se manteve firme por parte da indústria automotiva.

Plantações envelhecidas na Tailândia, Indonésia, Malásia e Vietnã, juntamente com interrupções climáticas durante a temporada de colheita, limitaram a disponibilidade física do produto.

Os analistas da Procurement Resource estimam um déficit mundial próximo a 400.000 toneladas para 2026 e destacam que os preços atingiram novos máximos anuais em maio. Ao mesmo tempo, o aumento do preço do petróleo elevou os custos da borracha sintética, favorecendo a substituição por borracha natural.

A demanda da China, principal consumidor mundial e maior fabricante de pneus, continuou a dar suporte ao mercado.

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O óleo de palma, com um aumento de 13,48%, também foi impulsionado pelo mercado de biocombustíveis. O Rabobank calculou que a demanda para a produção de biodiesel na Indonésia, na Malásia e na Tailândia absorveu uma parcela crescente da produção regional, enquanto o crescimento da oferta continua condicionado pela renovação limitada das plantações e por restrições estruturais nos principais países produtores.

Nessa mesma linha, a S&P Global Commodity Insights destacou que a demanda regional tem sustentado o mercado, apesar do aumento previsto na produção. A Indonésia, principal produtora mundial, está avançando para maiores proporções obrigatórias de biodiesel nas misturas, reduzindo assim o volume disponível para exportação.

“As políticas comerciais e de biocombustíveis se tornaram os dois fatores mais determinantes para os preços do óleo de palma”, escreveu Mathia Varqa, analista sênior da Fastmarkets.

A isso somou-se a expectativa de que uma parcela cada vez maior da produção na Indonésia continue sendo destinada ao biodiesel, enquanto a demanda da Índia continua absorvendo volumes adicionais e a recuperação da oferta ainda se mostra insuficiente para aliviar completamente o mercado.

As matérias-primas que mais caíram

O preço do café caiu 7,4% durante o semestre, depois que o mercado começou a antecipar uma recuperação da produção mundial, especialmente no Brasil.

O Rabobank projetou, durante o semestre, que a safra global de 2026-2027 poderia chegar a 180 milhões de sacos, um recorde histórico, com um superávit entre sete e dez milhões de sacos, após duas safras caracterizadas por uma oferta muito restrita.

A recuperação brasileira, impulsionada por melhores condições climáticas e maiores rendimentos, alterou as expectativas dos operadores.

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O Banco Mundial prevê que a produção mundial aumente de 175,4 milhões de sacos para cerca de 179 milhões na próxima safra, perspectiva que contribuiria para uma moderação dos preços, embora continue considerando como principais riscos as condições climáticas no Brasil e a evolução da política comercial dos Estados Unidos.

O cacau, que registrou uma queda de 17,19%, também começou a refletir um cenário de maior disponibilidade. O Banco Mundial prevê que a produção mundial se recupere após a forte queda registrada devido às condições climáticas adversas, impulsionada principalmente pela Costa do Marfim e pelo Gana.

O Rabobank estima que a oferta possa superar o consumo em mais de 400.000 toneladas durante a safra de 2026-2027, enquanto a XTB considera que o mercado começa a incorporar o risco de um excesso de oferta estrutural após a extraordinária alta registrada nos últimos anos.

A maior queda do semestre foi registrada pelo suco de laranja, com uma redução de 17,83%. O mercado começou a antecipar uma recuperação parcial da produção brasileira após vários anos afetados por secas.

“Este mercado passou por uma crise histórica de oferta. As secas extremas e as ondas de calor no Brasil, juntamente com a propagação descontrolada da doença do greening nos citros na Flórida, provocaram uma queda drástica na produção mundial nos últimos anos. Agora, porém, esses temores praticamente desapareceram”, afirmaram os analistas da XTB.

O El Niño surge como o próximo desafio para o mercado

Com grande parte do impacto da crise entre Israel e o Irã já refletido nas cotações, a atenção dos mercados começa a se voltar para o retorno do El Niño.

Ole Hansen, chefe de estratégia de commodities do Saxo Bank, considera que “após vários anos marcados por perturbações geopolíticas, tensões comerciais e mudanças nas expectativas em relação à política monetária, o clima está voltando a ser um fator-chave para o mercado”.

O analista alerta que um intensificar do fenômeno durante o segundo semestre do ano poderia afetar a produção de café, cacau, açúcar e arroz, enquanto chuvas mais intensas favoreceriam a produtividade da soja, do milho e do trigo na Argentina.

A intensidade que o El Niño venha a atingir e seu impacto sobre a produção agrícola serão uma das principais variáveis que os mercados acompanharão nos próximos seis meses, após um semestre em que os preços oscilaram entre tensões geopolíticas, políticas de biocombustíveis e mudanças nas expectativas em relação à oferta mundial.

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