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ARTIGO: Todos temos uma quadra central

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A experiência em Wimbledon revelou a importância da performance sob pressão, tanto no esporte quanto no ambiente corporativo.

A partida entre Zverev e Blockx destacou como a mente treinada de Zverev o ajudou a manter a calma e a concentração em momentos decisivos, enquanto Blockx, apesar de seu talento, lutava contra a pressão.

No mundo corporativo, momentos críticos, como reuniões e negociações, exigem não apenas conhecimento técnico, mas também uma presença mental que permita lidar com a pressão.

O conceito de “mental fitness” se torna uma vantagem competitiva, exigindo treinamento mental para enfrentar frustrações e ambiguidade.

Técnicas como visualização, respiração e foco são essenciais para manter a clareza em situações desafiadoras.

Assim, a verdadeira performance se revela na capacidade de permanecer inteiro e presente quando a pressão aumenta, tanto em quadras quanto em salas de reunião.

Por Sergio Chaia.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

Esta semana estive pela primeira vez em Wimbledon. Alguns lugares se visitam. Outros se atravessam como um ritual. Wimbledon é um deles.

A grama impecável, as filas intermináveis, a excitação da plateia. Tudo ali é um misto de elegância e formatação para proporcionar momentos inesquecíveis.

Tive o privilégio de ver Serena Williams, aos 44 anos, voltar à quadra central e disputar ponto a ponto contra uma adversária de 20. Era mais do que uma partida. Era uma campeã negociando com o tempo, com o corpo, com a memória e com a própria lenda.

Mas a cena que mais me marcou veio em outro jogo, na terça-feira, 30 de junho, também na quadra central, entre Alexander Zverev e Alexander Blockx. De um lado, Zverev, campeão de Grand Slam e número 3 do mundo. Do outro, Blockx, jovem belga de 21 anos, ainda desconhecido para boa parte do público, mas já capaz de provocar estragos relevantes no circuito, como mostrou ao chegar à semifinal do Masters 1000 de Madri.

Sentado muito perto da quadra, pude acompanhar a velocidade da bola, a precisão dos movimentos e a violência silenciosa de cada troca. O tênis, visto daquela distância, deixa de ser apenas bonito. Ele se torna brutal. A bola chega antes do pensamento. O corpo precisa decidir enquanto a mente ainda tenta entender.

O que mais me interessou, porém, não foi a técnica. Foi a reação. O que acontecia depois de um erro. Como cada um se comportava diante de um breakpoint. O que mudava no corpo, no olhar, no ritmo da respiração quando a partida entrava naquilo que a NBA chama de clutch time — o momento em que o jogo deixa de testar apenas a técnica e passa a testar a pessoa inteira.

A performance humana sob pressão é um tema que me interessa profundamente. Tenho estudado isso há anos no ambiente corporativo, conversando com CEOs, conselheiros, empreendedores e executivos em momentos de enorme exposição. Ainda assim, assistir àquela partida tão de perto foi uma aula que nenhum estudo de caso conseguiria reproduzir.

Blockx jogou muito. Em alguns momentos, parecia prestes a tomar o jogo para si. Havia talento, ousadia e uma fome evidente de ocupar um lugar maior no circuito. Ele não entrou em quadra para sobreviver. Entrou para se mostrar ao mundo.

Zverev, no entanto, tinha algo que, naquele contexto, parecia tão importante quanto o saque ou o forehand: uma mente treinada para permanecer dentro da partida. Nos pontos decisivos, era possível perceber como ele usava a respiração para se reorganizar. Como se afastava do erro. Como impedia que uma jogada ruim contaminasse a seguinte. O ponto perdido não virava drama. Era apenas um ponto perdido.

No mundo corporativo, a lógica é cada vez mais parecida. Carreiras, reputações e negócios também são transformados por momentos decisivos. Uma reunião com o CEO. Uma apresentação ao conselho. Uma negociação com um grande cliente. A defesa de uma ideia que pode virar produto, aquisição ou estratégia. Às vezes, anos de preparo desembocam em poucos minutos de exposição.

E, nesses minutos, não basta ter currículo. Não basta conhecer o tema. Não basta ter trabalhado duro. É preciso estar mentalmente disponível para entregar o que se sabe no instante em que mais importa.

Essa é uma das grandes armadilhas da vida executiva. Imaginamos que a competência técnica, a experiência acumulada e a reputação construída serão suficientes quando chegar a hora decisiva. Muitas vezes, não são. A pressão exige presença.

“O futuro da alta performance, no esporte e nas empresas, será menos sobre eliminar a pressão e mais sobre aprender a conviver com ela. Mental fitness é a capacidade de entrar nos pontos decisivos da vida com mais presença, clareza e menos ruído interno”

É aqui que o conceito de mental fitness deixa de ser uma expressão interessante e passa a ser uma vantagem competitiva. Assim como treinamos o corpo para ganhar força, resistência e flexibilidade, precisamos treinar a mente para lidar melhor com pressão, frustração, ambiguidade e recuperação.

Atletas de alto rendimento entenderam isso há muito tempo. Trabalham visualização, respiração, foco, diálogo interno e capacidade de voltar rapidamente ao presente.

Nós, atletas corporativos, ainda tratamos a mente como se ela fosse apenas consequência da experiência. Não é. Mental fitness não é pensamento positivo, frase motivacional ou a tentativa ingênua de eliminar a pressão. É desenvolver musculatura mental para funcionar melhor dentro dela.

Esse treino começa de maneira simples, embora não fácil. Antes de uma reunião importante, uma negociação ou uma apresentação, não basta revisar o conteúdo. É preciso ensaiar mentalmente o contexto: as perguntas difíceis, as interrupções, o desconforto, a tensão do silêncio. A mente sofre menos com aquilo que já visitou antes.

Também exige foco no processo, não apenas no resultado. O resultado importa, claro. Mas, sob pressão, pensar apenas nele costuma aumentar a ansiedade. A melhor alternativa é voltar ao que precisa ser feito agora: escutar melhor, respirar, organizar a resposta, escolher a próxima frase, sustentar a presença.

E isso passa pela respiração. Pode parecer simples demais para ser estratégico, mas não é. Uma respiração mais regular e profunda ajuda a regular o corpo, reduzir a impulsividade e devolver clareza ao pensamento. Em momentos críticos, controlar a respiração pode ser a diferença entre reagir e responder.

Wimbledon me lembrou que, em um mundo no qual a competição ficou mais apertada, a pressão mais constante e as oportunidades mais raras, a vantagem não estará apenas em quem sabe mais, trabalha mais ou corre mais. Estará em quem consegue permanecer inteiro quando o jogo aperta.

O futuro da alta performance, no esporte e nas empresas, será menos sobre eliminar a pressão e mais sobre aprender a conviver com ela. Mental fitness é a capacidade de entrar nos pontos decisivos da vida com mais presença, clareza e menos ruído interno.

Porque todos nós, atletas corporativos, temos nossa quadra central.

Ela não vem com grama, juiz de linha e arquibancada cheia. Está em uma sala de reunião, em uma ligação difícil, em uma decisão solitária, em uma conversa com o conselho ou em uma oportunidade que não avisa quando vai chegar.

E é ali, naqueles poucos minutos, que se revela quem treinou para chegar — e quem treinou para sustentar.

* Sergio Chaia é coach de CEO e atletas de alto rendimento e chairman da Unico Skill.



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