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El Niño põe colheita de cana do segundo semestre em risco

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O El Niño pode atrapalhar a colheita da cana no segundo semestre, deixa a nova safra em aberto. Caso se confirme uma incidência de chuvas acima do normal no período, como o histórico do evento climático sinaliza, é possível que os níveis de ATR sejam prejudicados.

A visão foi compartilhada por Marina Regina Zechin de Lucca, analista de açúcar e etanol da consultoria agro do Itaú BBA.

Embora o banco anteveja um aumento na moagem de cana na safra 2026/27, o trabalho de projetar volumes e produtividades fica em suspenso, a depender de como será o aproveitamento de tempo por parte das usinas.

O Itaú BBA projeta uma moagem de 644,8 milhões de toneladas no Centro-Sul, um aumento de 5,5% na comparação com a safra passada. Em área, a expectativa é de crescimento de 2,3%.

“Em outras palavras, não basta ter cana disponível, e existe um grande volume de cana disponível atualmente. É preciso que o clima permita a colheita e o processamento desse volume”, disse.

Em seu relatório anual Visão Agro, o Itaú BBA anota ainda que o fenômeno traz “riscos de mais cana bisada e piora da qualidade da matéria-prima”.

Segundo De Lucca, esses impactos são diferentes a depender da região. No Nordeste, a tendência é de estresse hídrico, com menos chuvas. Já no Centro-Oeste, o histórico de El Niño muito fortes, como a previsão para o fenômeno neste ano aponta, é de mais chuvas que o normal.

“No Centro-Sul, o que a gente vê é uma piora da qualidade da matéria-prima, em termos de quilos de ATR por tonelada de cana. No segundo momento, paradas maiores e mais relevantes nas usinas.”

A bola já tinha sido cantada no setor. No final de maio, o CFO da São Martinho, Felipe Vicchiato, compartilhou o mesmo temor e afirmou que a companhia estava acelerando os trabalhos no campo para tentar evitar problemas no segundo semestre.

“Aceleramos a moagem o máximo possível para tentar fazer a safra mais curta possível. Não posso deixar cana em pé. É um desafio para o setor inteiro”, detalhou o executivo à época.

Mudança na sazonalidade

De Lucca, do Itaú BBA, salientou outra influência do clima sobre o setor canavieiro: uma mudança na sazonalidade histórica da safra, com a moagem que ficou represada no verão graças às paradas pelas chuvas sendo realizadas no verão.

Sinal disso, apontou, foi o recorde de moagem em março, de 19,4 milhões de toneladas de cana.

“Durante a safra, houve paradas muito relevantes, e no final da safra choveu menos, houve uma seca. Com isso, as usinas conseguiram estender o período”.

Somada ao avanço do etanol de milho, esse nova sazonalidade pode pressionar os preços do etanol bem no período em que ele costuma ter o melhor retorno, comprometendo uma fonte de receita importante no cômputo geral do ano-safra, avaliou De Lucca.

Além disso, o etanol está exposto a incertezas regulatórias, como a demora para a entrada do E32 e o nível de preços da gasolina após o fim da subvenção dada pelo governo federal para mitigar os efeitos da guerra do Irã nos preços dos combustíveis.

Para onde vai o açúcar?

Para o açúcar, o Itaú BBA permanece com um viés baixista da cotação de Nova York no curto prazo. Essa percepção reflete  “a ampla oferta disponível, a posição líquida vendida dos fundos e o ambiente ainda frágil para o etanol, que reduz o suporte ao mercado açucareiro”.

Mas uma melhora pode aparecer a partir da próxima safra (2027/28). “O cenário se torna mais construtivo, ainda que sem uma alta contundente, diante da projeção de ligeiro déficit global”, apontou o banco,

O banco estima um mix-açucareiro de 46,4% na safra 2026/27 do Centro-Sul, resultando em 39,4 milhões de toneladas fabricadas, 1 milhão a menos que em 2025/26.



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