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do sonho de ser líder mundial em celulares ao fracasso

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A BenQ foi criada em 1984, dentro da Acer. Na época, foi batizada de Acer Peripherals. Em 2001, a companhia passou por um processo de reorganização e optou por tornar a BenQ independente, embora ainda detivesse 15% das ações da nova empresa. O nome também foi alterado, passou a ser uma abreviação de “Bringing Enjoyment ‘N’ Quality to Life”. O movimento era ambicioso. No dia do anúncio, o presidente da época, KY Lee, disse que a empresa almejava chegar ao valor de US$ 3,2 bilhões até o final de 2021 e que mais de 20 dispositivos seriam lançados no ano seguinte, entre itens de comunicação, displays e imagem e armazenamento.

Para impulsionar o novo momento, a Acer comunicou que investiria US$ 50 milhões em marketing e, aparentemente, deu certo. Com o primeiro lançamento, o M775C, a nova marca registrou um volume de US$ 4,7 bilhões em vendas. Era o início de uma história de sucesso. Em 2003, a BenQ já era a maior fabricante de aparelhos móveis de Tawaian. 

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BenQ M775C. Reprodução/Softpedia

Aquisição da Siemens

Em paralelo, apesar de ter começado muito bem nos anos 2000 no mercado de celulares, em pouco tempo a Siemens perdeu competitividade. Em 2004, a empresa viu sua divisão de dispositivos móveis acumular um prejuízo de 138 milhões de euros, após ter uma queda de 27% nas vendas.

Como solução para a crise, a companhia alemã resolveu vender a sua vertical para a BenQ, no ano seguinte, algo que para o então CEO da Siemens, Klaus Kleinfeld, era uma solução sustentável. A aquisição incluía o direito exclusivo de usar a marca alemã por 18 meses e conjunta (BenQ-Siemens) por até cinco anos, nascia ali a BenQ-Siemens. A companhia da Alemanha também se tornou acionista da BenQ, acumulando 50 milhões de euros em ações, e se comprometeu a investir 250 milhões de euros.

No comunicado, a BenQ exaltava que a operação criaria a quarta maior fabricante de celulares do mundo e a consagraria como a maior da Grande China. A expectativa era que, com o novo portfólio, a marca taiwanesa alcançaria a receita de US$ 10,9 bilhões e entrasse para o TOP 4 de maiores marcas de celulares do mundo. Com a incorporação, a ex-Acer passou a ter acesso à propriedade intelectual da Siemens, inclusive as patentes de GSM, GPRS e 3G, e ao seu P&D. A operação foi concluída em outubro daquele ano. 

Fora da rota

Assim que os processos foram concluídos, a BenQ novamente foi renomeada, passando a se chamar de BenQ Mobile – por um ano e meio –, com 5,2% do mercado de celulares. Só que o que parecia não ter erro, mostrou-se uma estratégia vulnerável. Apenas dois anos após a fusão, a BenQ-Siemens decretou falência e a empresa taiwanesa retomou seu foco em displays e projetores.

O episódio foi criticado por sindicalistas da empresa alemã, que a responsabilizaram pelo episódio, definindo a insolvência como algo “inaceitável”. Poucos dias após o anúncio, 200 trabalhadores da BenQ-Siemens fizeram piquete em frente à sede na Alemanha. A mídia e alguns políticos, como a então chanceler Angela Merkel, também reprovaram a situação. Merkel afirmou que Kleinfeld colocou em risco 2 mil empregos, ao vender a vertical à companhia taiwanesa.

A situação também foi danosa à imagem da Siemens, o que obrigou o conselho diretor a adiar o aumento salarial de 30% para redirecionar 5 milhões de euros para treinamento de funcionários afetados.

Embora o negócio de celulares não tenha se sustentado, a BenQ seguiu seu caminho. Desde 2007, ela é subsidiária da Qisda Corporation, oferecendo serviços e produtos, como projetores, monitores, telas interativas, outros dispositivos móveis e LED a mais de cem países, tendo como um dos seus pontos fortes equipamentos de eSports, com a linha ZOWIE. A multinacional conta com 1,3 mil funcionários.

Foto: BenQ-Siemens S68. Reprodução/Wikipedia.

 

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