A startup portuguesa Aenvo, especializada em soluções de atendimento por IA conversacional, chega ao Brasil apostando em bots de voz com atenção especial à prosódia e com biometria vocal para garantir a autenticação do usuário.
“Falar bem não é apenas usar o português ortograficamente correto, mas falar como as pessoas falam. A língua portuguesa tem diferentes formas de falar. Nos Açores ou na Ilha da Madeira o português é completamente diferente daquele falado em Lisboa. Vamos criar agentes de IA que falam ‘brasilês’ de verdade. Não é só gíria, mas o jeito de falar”, explica Fabiano Cruz, CEO da Aenvo, em conversa com o Mobile Time.
Na Europa, a Aenvo tem se dedicado a soluções de bots de voz que falam múltiplos idiomas e sabem manejar bem a prosódia de cada região, para prestar atendimento a empresas e governos que lidam com um público bastante diverso. A fala é uma interface mais acessível para aqueles com menos instrução, para os quais a linguagem escrita é uma barreira, e também para pessoas mais idosas, que enfrentam dificuldade no uso das telas.
Além disso, na Europa há ainda a questão da imigração, com trabalhadores oriundos de diferentes países e que precisam muitas vezes de um atendimento em serviços públicos na sua língua nativa, lembra Cruz. O executivo diz que, como diferencial, a Aenvo se preocupa em oferecer uma “IA conversacional humanizada”.
Aenvo e biometria
Para autenticar um interlocutor em um atendimento por bot de voz, a Aenvo combina uma série de tecnologias, incluindo biometria vocal. Esta pode ser feita até mesmo de forma assíncrona pelo WhatsApp. Bastam cinco segundos de áudio, afirma Douglas Costa, co-CEO para as Américas da Aenvo.
“Se conseguirmos registrar a temporalidade do áudio, podemos trabalhar com um áudio gravado. Só preciso garantir que foi algo que pedi há 30 segundos ou que tenha um contexto específico. Assim, posso fazer uma autenticação assíncrona por voz”, explica.
A companhia cria soluções que orquestram diferentes modelos de IA e técnicas de autenticação, de acordo com a jornada desenhada, o canal utilizado e a necessidade de cada cliente.
Brasil e Paraguai
No Brasil, a Aenvo espera conquistar até seis clientes de porte médio este ano. Seu alvo são instituições governamentais e financeiras que precisem atender um público mais sênior, ou com instrução formal menor.
Paralelamente, a empresa finca seus pés no Paraguai, por meio de uma parceria local. É um mercado menos competitivo do que o brasileiro e com defasagem tecnológica que abre espaço para o desenvolvimento de atendimento automatizado. Além disso, está negociando um acordo com uma universidade paraguaia para desenvolver um dicionário léxico do guarani, língua oficial do país junto com o espanhol. Também pretende fazer o mesmo com o jopará, idioma que mistura o guarani e o espanhol.




