Em atualização nesta quinta-feira, 9 de julho, a NOAA (Administração Nacional de Atmosfera e Oceano) aumentou a chance de que o atual fenômeno El Niño seja muito forte, com anomalias de temperatura no Pacífico Equatorial Central acima de 2°C. No boletim de junho, havia 63% de chance de o fenômeno ser muito forte e, agora, aumentou para 81%.
Além disso, o órgão admitiu pela primeira vez que o aquecimento será intenso a ponto de ser um dos maiores eventos registrados historicamente desde 1950. Os maiores El Niños aconteceram entre 1982 e 1983, entre 1997 e 1998 e entre 2015 e 2016 e, em todos os casos, a anomalia de temperatura do Pacífico oscilou em torno de 2,5°C.
O máximo do El Niño 26/27 deverá acontecer entre outubro e dezembro, porém posteriormente, mesmo mais fraco, ele deverá influenciar a atmosfera até pelo menos o outono do ano que vem, trazendo efeitos não apenas à primeira safra, mas também à segunda safra de 2027. No caso da segunda safra, a chuva “corta” mais cedo e aumenta a chance de diminuição da produtividade nas regiões Sudeste e Centro-Oeste.
Por fim, a NOAA lembra em sua atualização que “mesmo os eventos de El Niño mais fortes não levam ao impacto típico em todos os lugares, mas eventos mais intensos podem inclinar significativamente as probabilidades a favor dos resultados esperados”, ou seja, de chuva forte na região Sul, calor no Sudeste e Centro-Oeste e chuva abaixo da média no Norte e Nordeste.
Chuva forte no Sul
Entre os dias 10 e 11 de julho, a chuva forte retorna para parte da região Sul com acumulados entre 50mm e 100mm no norte do Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no oeste e sul do Paraná.
O retorno da chuva ao Paraná pode manter a colheita do milho mais atrasada que nos anos anteriores. De acordo com o Deral, 10% das áreas foram colhidas em 2026 contra 29% em 2025 e 66% em 2024.
No decorrer da semana que vem, a chuva avança pelas regiões Sudeste, Centro-Oeste, Norte e Nordeste, e a precipitação será mais intensa que o normal para época do ano em Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Piauí, Maranhão e desde o Tocantins e Pará até o Acre.
Por um lado, a chuva fora de época irá ajudar a combater as queimadas que já afetam Estados como o Tocantins e Maranhão e o município de Corumbá, no Pantanal de Mato Grosso do Sul. Por outro lado, as pancadas de chuva, que devem passar dos 25mm em alguns municípios, podem piorar a qualidade de culturas que estão próximas da colheita, como o algodão.
Com relação à temperatura, ela volta a declinar no Sul e Sudeste a partir do domingo, porém sem intensidade suficiente para trazer danos às lavouras.
“Calor do El Niño”
Uma das características do fenômeno El Niño no Brasil é a temperatura acima da média, mas até o momento a maior amplitude das frentes frias tem trazido quedas frequentes de temperatura, como a que será registrada a partir do próximo domingo.
Para quem espera pelo “calor do El Niño”, as simulações indicam que ele irá aparecer a partir da segunda metade da semana que vem em boa parte do Brasil. As frentes frias terão maior dificuldade em avançar pelo país e, com isso, o ar frio irá ficar confinado sobre o centro e sul da Argentina.
No Rio Grande do Sul, estimam-se temperaturas máximas em torno dos 30°C, enquanto em Presidente Prudente, no oeste de São Paulo, os termômetros podem chegar a quase 35°C no fim de semana de 18 e 19 de julho. No Pantanal de Mato Grosso do Sul, as máximas oscilam em torno dos 40°C entre 16 e 20 de julho.
O tempo seco e quente deve acelerar as atividades de colheita em boa parte do centro e sul do Brasil. Antes do fim de julho, no entanto, as frentes frias irão avançar novamente pelo Sul, Sudeste e Centro-Oeste, decretando o fim deste primeiro momento de calor sob El Niño.




