Bloomberg — Os destinos clássicos de lua de mel estão cada vez mais trocando o romance pela diversão em família. Casais que antes fugiam para destinos como Bora Bora, Santorini e as Maldivas em busca de privacidade estão voltando. Agora, acompanhados de crianças pequenas, adolescentes e até mesmo avós.
As viagens multigeracionais estão em alta. Com essa demanda, alguns refúgios tradicionalmente exclusivos para adultos começam a ser repensados para se concentrar em experiências familiares, com a ajuda de voos diretos, acomodações mais espaçosas e atividades imersivas.
A mudança levanta uma questão: o que acontece quando resorts construídos com base na privacidade e no romance se adaptam para acomodar horários de cochilo?
As reservas para destinos clássicos de lua de mel por meio da concierge digital de luxo Velocity Black aumentaram 45% nos últimos dois anos, de acordo com Ian Swain, diretor de parcerias de viagens da empresa. Isso tem sido impulsionado por famílias que escolhem esses locais em vez de destinos convencionais voltados para crianças, afirma ele.
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Quando Toshia Larkins, de Nova Jersey, e seu marido planejaram a lua de mel em 2011, um destino se destacou acima de todos os outros: Bora Bora. Para eles, a ilha da Polinésia Francesa representava o máximo em luxo — o tipo de lugar único na vida, reservado para uma celebração marcante.
Apenas alguns anos após o início de suas carreiras, o casal esticou o orçamento para tornar a viagem possível. O que os atraiu foi a reputação cinematográfica da ilha: bangalôs sobre a água, uma lagoa de um azul vibrante e uma sensação de romance que parecia saída diretamente de um conto de fadas.
“Quando se pensa no destino de lua de mel mais bonito e perfeito que se possa imaginar, Bora Bora sempre foi esse lugar”, diz Larkins, ex-gerente de eventos corporativos.
Alguns anos depois, o casal decidiu voltar à ilha — desta vez com o filho de 2 anos. Larkins encheu uma mala de mão com lanches e brinquedos. Em vez de um bangalô sobre a água, a família se hospedou em uma cabana na praia — uma opção mais segura para uma criança pequena, pensou ela — e passou a maior parte do tempo na piscina ou na praia.
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Os símbolos da família — o casal havia feito tatuagens polinésias iguais durante sua primeira viagem a dois — assumiram um significado diferente.
“O nosso filho comeu seu primeiro pacote de Cheetos lá. Temos uma foto dele colocando um Cheeto na boca e parece que a vida dele está mudando. E ele tem as águas mais azuis ao fundo”, conta Larkins.
Exigências em evolução
Larkins faz parte de um grupo crescente de viajantes que está transformando alguns dos destinos mais românticos do mundo em locais de lazer multigeracionais.
“Destinos que tradicionalmente atendiam a casais estão cada vez mais reconhecendo a oportunidade de receber grupos familiares maiores e de alto valor, adaptando suas ofertas para melhor acomodar famílias extensas que viajam juntas”, afirma Livia Angelini, líder da equipe europeia da Scott Dunn, uma agência de viagens internacional conhecida por planejar férias de luxo.
Em uma tarde recente no Four Seasons Bora Bora, o calor tropical pairava no ar, misturando-se com a fragrância das flores de gardênia. Na piscina infinita do hotel, com vista para uma das praias de areia branca do resort, uma criança pequena com boias nos braços brincava alegremente na água rasa, enquanto sua mãe cuidava dela e de um irmão mais velho.
Do outro lado da piscina, casais relaxavam em cabanas à sombra, saboreando coquetéis e contemplando a lagoa. Não havia sinalização indicando aos hóspedes onde se sentar, mas um ritmo tácito parecia prevalecer.
As famílias — que representaram 61% das reservas aqui nos últimos dois anos — naturalmente se dirigiam para a parte mais rasa, enquanto os adultos se agrupavam ao redor da parte mais profunda, criando um equilíbrio tranquilo.
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Em vez de escolher entre casais e famílias, os resorts de luxo têm criado espaços para ambos. Para atender à crescente demanda das famílias, muitos em Bora Bora adicionaram vilas à beira-mar com vários quartos, dotadas de comodidades como cozinhas completas e piscinas privativas com amplas áreas ao ar livre, onde as famílias podem se espalhar.
Experiências sazonais, como caças aos ovos de Páscoa, passaram a fazer parte da programação local. A data geralmente coincide com as férias escolares, quando os resorts ficam lotados de famílias. Enquanto isso, caças ao tesouro subaquáticas, mergulho com snorkel, atividades de conservação marinha voltadas para crianças e serviços de babá agora são oferecidos como padrão.
Um novo manual de estratégias
Em conversas com mais de meia dúzia de gerentes gerais e membros da equipe de resorts de luxo na Polinésia Francesa e na Grécia, surgiu um tema comum: manter os diferentes públicos satisfeitos exige um planejamento meticuloso nos bastidores.
As equipes de concierge agora tendem mais a deixar de planejar jantares à luz de velas para casais e passar a providenciar entregas de fraldas e fórmula infantil vindas da cidade principal da ilha, afirmam os gerentes de experiência do hóspede.
As camas coberta de pétalas de rosa que costumavam ser a tradicional oferta de boas-vindas têm perdido espaço, na maioria dos resorts, para os quartos com kits infantis personalizados que incluem bichinhos de pelúcia, adesivos e livros para colorir.
“Se temos casais em lua de mel, nós os acomodamos em uma área específica do resort. As famílias geralmente ficam mais próximas do clube infantil”, afirma Roger Godin, gerente geral do Conrad Bora Bora Nui. Piscinas privativas e serviço de quarto 24 horas também se tornaram características padrão para atender hóspedes que buscam evitar famílias nas áreas comuns e nos restaurantes.
Embora o sistema geralmente funcione bem, segundo os funcionários, ainda podem surgir problemas ocasionais.
“Certa vez, um casal reclamou que as crianças estavam fazendo muito barulho na piscina”, diz Mathieu Gouniot, diretor de experiência do hóspede no St. Regis Bora Bora. Em outra ocasião, alguém ficou insatisfeito porque a família no bangalô ao lado estava um pouco barulhenta demais em seu deck privado. “Mas não é algo que nos cause muita dificuldade em lidar”, afirma ele.
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Para muitos viajantes, apresentar destinos distantes aos filhos não é mais algo a ser adiado até que eles fiquem mais velhos, afirmam esses viajantes e funcionários dos resorts. O fato de um destino ser um refúgio popular para casais raramente os impede de reservar uma viagem.
A lua de mel de três semanas de Paige Vinckus pela Europa em 2016 incluiu uma estadia em Santorini e Mykonos, que ela e o marido escolheram devido à popularidade das ilhas gregas entre os jovens viajantes. A viagem envolveu banhos de sol, passeios de Vespa e delícias com os fabulosos frutos do mar da ilha.
“A comunidade, as pessoas e a atmosfera foram tão memoráveis que mal podíamos esperar para voltar”, diz Vinckus, especialista em relações com o cliente que mora em Nashville. Eles voltaram em 2024 como pais de duas crianças pequenas e levaram a mãe dela também. Desta vez, o grupo se hospedou em um imóvel para aluguel de curta duração com cozinha completa e mais espaço.
Mais pessoas, estadias mais longas
Vasileios Koumpis é gerente geral da Katikies Hotels, um portfólio de hotéis e vilas de luxo em Mykonos e Santorini. Ele é um dos pioneiros do turismo cinco estrelas em Santorini, tendo inaugurado seu primeiro hotel na ilha há quase quatro décadas.
Anteriormente, diz ele, as reservas sob o mesmo nome eram, em sua maioria, para um único quarto. Nos últimos anos, ele percebeu um aumento de até 20% nas reservas de dois ou três quartos sob o mesmo nome, um indicador de viagens em família. Reservas para refeições para seis ou mais pessoas também são comuns agora em seus restaurantes. Os turistas que visitaram Santorini em casal anos atrás, diz ele, “desejam transmitir essa experiência à geração mais jovem”.
A estadia média no Katikies aumentou de 3,2 noites para mais de quatro noites, segundo Koumpis, com muitas famílias prolongando as visitas para uma semana inteira.
Em alguns destinos, o boom das viagens em família remodelou fundamentalmente o panorama dos resorts. As Maldivas, outrora conhecidas como o refúgio definitivo para casais por suas praias de areia branca, lagoas calmas e ilhas particulares serenas, emergiram como o destino preferido para férias multigeracionais, afirma Lucy Rudgard, especialista sênior em viagens para oceanos e ilhas da Scott Dunn.
Os seus resorts contam com alguns dos maiores clubes infantis desta região do mundo. Essas instalações não existiam há duas ou três décadas.
“Se alguém me disser: ‘Quero ir a um hotel exclusivo para adultos’, terei que restringir as opções apenas a alguns. No caso de resorts voltados para famílias, existem centenas”, diz Rudgard.
Para casais que ainda esperam desfrutar do isolamento e do romance pelos quais esses destinos já foram conhecidos, nem tudo está perdido.
Christina Turrini, designer sênior de viagens de luxo da VWT by Chase Travel, sugere reservar viagens românticas fora das férias escolares e comunicar com antecedência as preferências quanto aos quartos.
Ela enfatiza a importância de utilizar os serviços de concierge e mordomo. Essas equipes estão a par da ocupação do hotel, o que permite aconselhar sobre os horários ideais para tratamentos de spa, horários de refeições (mais tarde à noite é sempre melhor), opções de quartos e atividades.
Enquanto isso, para os Larkins, Bora Bora evoluiu de uma lua de mel única na vida para uma tradição familiar recorrente. Em agosto deste ano, a família de quatro pessoas planeja retornar à ilha novamente, desta vez reservando um bangalô sobre a água no St. Regis Bora Bora.
“Estou muito animada para que nosso filho de 12 anos experimente um bangalô sobre a água pela primeira vez”, diz Larkins, “porque nada mais impressiona um pré-adolescente hoje em dia.”
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