Durante os últimos anos, a principal pergunta feita ao Inter era quantos clientes o banco conseguiria conquistar. Com 44 milhões de clientes, sendo 25,8 milhões deles ativos, o banco da família Menin superou a fase de provar sua capacidade de aquisição. Agora, o desafio é transformar escala em rentabilidade.
No programa Números Falam, Alexandre Riccio, CEO do Inter no Brasil, diz que a resposta passa por um ativo que ainda recebe menos atenção do mercado do que o crescimento da base de clientes ou a expansão da carteira de crédito.
“Estamos muito próximos de ter 9% de todas as transações Pix do Brasil passando pelo Inter”, afirmou Riccio no programa do NeoFeed e da CNN Brasil.
No balanço do primeiro trimestre de 2026, o fluxo de transações do Pix foi de R$ 396 bilhões. O número ajuda a explicar por que a instituição financeira vem insistindo cada vez mais na definição de ser uma plataforma financeira.
“O Inter é uma plataforma tecnológica que oferece serviços financeiros”, disse Riccio no programa que é exibido quinzenalmente, às sextas-feiras, 19h45, no CNN Money.
Segundo o executivo, o Inter registra cerca de 20,8 milhões de logins por dia e está próximo de atingir a marca de 1 bilhão de transações financeiras mensais.
Cada uma dessas transações realizadas dentro da plataforma aumenta o relacionamento do cliente com o banco digital. E é esse relacionamento que gera depósitos, investimentos e movimentação financeira.
O resultado é uma estrutura de captação considerada uma das vantagens competitivas mais relevantes da instituição. Hoje, o custo de funding do Inter está em 64% do CDI, um dos menores do setor financeiro nacional.
“Com esses 64% do CDI, provavelmente o menor custo de funding da indústria, nós podemos escolher onde queremos competir”, afirmou Riccio.
O crédito no Inter
A carteira de crédito encerrou o primeiro trimestre do ano em R$ 49,8 bilhões, um crescimento de 33% em relação ao mesmo período do ano passado. O ritmo é três vezes maior do que o observado pelos pares no setor.
A estratégia, segundo Riccio, é continuar expandindo a operação de crédito mantendo disciplina de risco e foco em segmentos nos quais o Inter acredita possuir vantagens competitivas. Mas é preciso elevar a rentabilidade.
O retorno sobre patrimônio (ROE) atingiu 15,5% entre janeiro e março deste ano. Em 2023, o banco estabeleceu internamente o objetivo de alcançar um ROE de 30%. “Esse ainda é um objetivo estratégico do Inter”, afirmou Riccio.
Para acompanhar essa evolução, o Inter criou uma métrica batizada de “Rule of 50”. Inspirada em indicadores utilizados por empresas de tecnologia, a regra estabelece que a soma entre o crescimento da receita e o ROE deve permanecer próxima de 50%.
“A soma do crescimento de receitas mais o ROE precisa ficar numa banda próxima de 50%”, disse Riccio.
Na prática, a métrica reflete a tentativa do banco de sustentar um crescimento anual em torno de 30%, ao mesmo tempo em que avança na direção da meta de 30% de ROE traçada pela administração.




