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O que a perda muscular pode revelar sobre a saúde do seu pet

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Nem todo problema de saúde em cães e gatos aparece na balança. Em muitos casos, o primeiro indício está na mudança de comportamento: o animal evita subir no sofá, demonstra cansaço durante passeios, brinca menos ou encontra dificuldade até para se levantar.

Esses sinais, muitas vezes atribuídos apenas ao avanço da idade, podem revelar uma condição que passa despercebida por muitos tutores: a redução da massa muscular.

Embora seja frequentemente associada aos pets idosos, a perda de musculatura também pode atingir filhotes, adultos e animais em recuperação.

Doenças crônicas, alimentação inadequada, longos períodos de repouso, dores persistentes e alterações metabólicas estão entre as principais causas.

De acordo com Atana Farias, veterinária e gerente de produtos da Avert Biolab Saúde Animal, os músculos desempenham funções que vão muito além da movimentação.

“O músculo não está relacionado somente à locomoção. Ele funciona como uma reserva metabólica de aminoácidos e participa de processos importantes para manutenção do organismo. Quando há perda muscular, o pet pode ter redução de força, pior recuperação clínica e maior vulnerabilidade diante de doenças”, explica.

Nem sempre o peso revela o problema

Um dos desafios para identificar a condição é que ela pode ocorrer sem alterações significativas no peso corporal. Isso acontece, por exemplo, em animais com excesso de gordura, nos quais a diminuição da musculatura fica mascarada.

Por esse motivo, a avaliação veterinária vai além da pesagem. O profissional observa o histórico do animal, os hábitos alimentares, o nível de atividade física e examina regiões do corpo onde a perda muscular costuma ser mais evidente, como coluna, escápulas, quadris e crânio.

“Mais do que identificar se o animal emagreceu, é importante entender o que ele perdeu e por quê. Quando há redução de musculatura, precisamos investigar se existe baixa ingestão de nutrientes, dor, doença de base, perda de função ou aumento da demanda metabólica”, detalha Atana.

Quais sinais merecem atenção?

Em casa, algumas mudanças podem servir de alerta. Entre elas estão tropeços frequentes, menor disposição para caminhar, dificuldade para subir escadas, hesitação para pular e cansaço durante atividades que antes eram realizadas normalmente.

Nos felinos, os indícios costumam ser ainda mais discretos. O gato pode deixar de acessar lugares altos, reduzir o interesse por brincadeiras ou passar mais tempo deitado.

Segundo a especialista, identificar essas alterações precocemente faz diferença para descobrir a origem do problema e iniciar o tratamento adequado.

Alimentação e exercícios fazem parte do tratamento

A perda muscular pode estar relacionada a diferentes fatores, como doenças renais, cardíacas, hepáticas, inflamações, alterações hormonais, tumores, baixa ingestão de alimentos ou longos períodos de inatividade. Em cada situação, o manejo precisa ser individualizado.

A alimentação é uma das principais aliadas nesse processo. Dietas com proteínas de qualidade e, quando necessário, suplementos específicos com aminoácidos de cadeia ramificada (BCAAs) podem integrar o plano terapêutico, sempre sob orientação veterinária.

“Quando há perda muscular, a nutrição precisa caminhar junto com a investigação clínica. Se a causa for dor, doença crônica, baixa ingestão ou recuperação pós-cirúrgica, o plano muda. Por isso, o suporte alimentar deve fazer parte de uma conduta mais ampla, e não ser tratado como uma medida isolada”, orienta a profissional.

Além da nutrição, atividades físicas adaptadas à condição do pet ajudam a preservar a musculatura. Caminhadas leves, brincadeiras controladas, enriquecimento ambiental para os gatos e fisioterapia veterinária podem fazer parte da recuperação, desde que respeitem os limites de cada animal.

“Preservar massa muscular é preservar funcionalidade. Quando o pet mantém força para levantar, caminhar, brincar, se alimentar e interagir, isso impacta diretamente sua autonomia e qualidade de vida”, reforça Atana.

A recomendação aos tutores é acompanhar não apenas o peso, mas também a postura, o volume das coxas, a disposição para as atividades diárias e a facilidade para se movimentar.

Mudanças aparentemente sutis podem ser o primeiro passo para identificar um problema que, quando tratado precocemente, contribui para uma melhor qualidade de vida dos animais.





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