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celular na gevata é ativo importante ao brasileiro

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A falta de uma tabela FIPE de celulares, a concorrência com o mercado cinza e a barreira cultural da desconfiança são as principais barreiras para o mercado de celulares usados crescer no Brasil. É o que avalia Felipe Piva, head da operação da Trocafy.

Na visão do executivo, o ecossistema de handsets precisa considerar os seguintes pontos para crescer:

  • Criar uma tabela com preços que mostra o valor de depreciação ao longo do tempo;
  • Reduzir a entrada no país de aparelhos que não pagam impostos e competem em preço com os recondicionados;
  • Mostrar que os dispositivos de segunda mão têm qualidade, procedência e um tempo de vida valioso quando recondicionado.

Piva explica que o brasileiro precisa ter em mente que aquele celular parado na gaveta “é um ativo financeiro”: assim como o carro antigo entra como forma de pagamento de um veículo novo, a aquisição de um celular novo deve ser baseada no trade-in. Ou seja: nenhum brasileiro deveria comprar um celular novo sem deixar de usar o antigo como forma de pagamento.

Contudo, um estudo encomendado junto ao IDC revela que 62% dos consumidores temem comprar aparelhos usados com medo de serem roubados ou falsificados, mas 70% reconhecem que o principal diferencial de comprar um handset de segunda mão é o custo-benefício, ante o valor de um celular novo.

Citando os dados recentes da empresa de análise de mercado, o executivo informa que o mercado desses aparelhos responde por 30% da penetração do mobile nos EUA, 20% na Europa e 18% no Japão, mas no Brasil é próximo de 10%. Também afirmou que o mercado nacional de usados ainda é muito imaturo e funciona basicamente de consumidor para consumidor (C2C), em especial com vendas em marketplaces. Apenas 20% das vendas são feitas via players estruturados, como a Trocafy.

Trocafy e o ecossistema sustentável de handsets

Allied Jundiai 116

Na outra ponta, o ecossistema de celulares passa a ser mais sustentável com os aparelhos do trade-in voltando para outros consumidores após serem recondicionados com melhorias como a troca de tela e de bateria.

O head da Trocafy avalia que esse círculo virtuoso fica mais forte com a estabilização da evolução tecnológica nos celulares, que antes era de dois anos de obsolescência e agora pode durar até seis anos. De fato, a pesquisa Super Panorama Mobile Time | Opinion Box do último mês de junho revelou que 24% dos brasileiros troca o seu smartphone a cada cinco anos ou mais; 23% a cada quatro anos; 29% a cada três anos; 18% em dois anos; e 5% todo ano. Outros dados da pesquisa corroboram com a fala de Piva:

  • 54% dos entrevistados têm smartphone velho guardado em casa;
  • 73% compraram o celular novo, 9% compraram usado e 6% ganharam de segunda mão;
  • 72% já tiveram quatro ou mais celulares.

Com este cenário, o executivo acredita que o mercado brasileiro pode dobrar o mercado de usados nos próximos anos e colaborar para a receita anual do segmento móvel saltar de R$ 5 bilhões para R$ 10 bilhões. Em especial pelo fato de os smartphones novos crescerem de 1% a 2% em vendas por ano contra 9% dos usados.

Exemplos

Apesar de ser um mercado C2C, Piva reforça que o ecossistema de usados é mais amplo e envolve fabricantes, marketplaces, operadoras, certificadoras, assistências técnicas e seguradoras. Inclusive, o segmento de seguros é uma das principais apostas da Trocafy para crescer no futuro, uma vez que o celular recondicionado pode ser usado para indenizar sinistros com mais velocidade, o que colabora para a redução do preço das apólices.

O Mobile Time visitou recentemente o centro de distribuição da companhia em Jundiaí/SP. O local abrange a parte logística para receber e enviar os handsets em todo país no B2B ou B2C, mas também o laboratório para fazer as melhorias necessárias para os devices voltarem ao mercado. A Trocafy abandonou classificações genéricas como ‘bom’ e ‘ótimo’ e passou a adotar ‘as expressões “sou como novo” ou “fui bem usado” para abordar se a bateria está bem gasta ou nova, ou se os sinais de uso são nítidos.

Entre as marcas, Samsung, Motorola e Apple são as favoritas do consumidor brasileiro. O executivo afirmou que, globalmente, o cenário não muda, em especial em relação à fabricante do iPhone. A Apple é vista como a a marca mais dominante no segmento de usados. Explica que, se a Apple possui 20% do market share global de handsets novos, em usados tem 50%. Isso acontece porque o consumidor vê os iPhones como modelos de alto valor agregado, que depreciam menos e duram mais.

 

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As ilustrações das matérias são produzidas por Mobile Time com IA



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