O Hexa ainda não veio – mas quando o assunto é olimpíadas científicas, o País teve mais um ano de grandes conquistas.
Na Olimpíada Internacional de Economia (IEO), que aconteceu este fim de semana em Shenzhen, na China, a delegação brasileira conquistou três medalhas de ouro nas provas individuais e ainda teve a melhor nota no business case, que é disputado em equipe.
Para completar, um dos medalhistas de ouro – o cearense Arthur Spuri, de apenas 16 anos – recebeu a chamada ‘Top Gold’, o prêmio dado ao participante com a melhor nota de toda a competição nas provas de economia e finanças.
Arthur se tornou o único participante da história da IEO a conquistar a nota máxima nas provas – um feito inédito desde que a competição foi fundada há oito anos.
Os outros dois medalhistas de ouro são Artur Teixeira, que ficou na décima primeira colocação geral; e Enzo Tavares, que ficou na décima segunda posição.
Spuri disse ao Brazil Journal que começou a se preparar para a Olimpíada três anos atrás, quando tinha apenas 13 anos, por conta de seu pai.
“Minha preparação foi contínua nesses últimos três anos. Acho que estudei uma média de 5 horas por dia todos os dias da semana,” disse ele. “Fico muito feliz de ter voltado com esse resultado e poder trazer orgulho para o meu País.”
Spuri já tem seu próximo objetivo: ele sonha em estudar engenharia no MIT. Quando se formar, seu trabalho dos sonhos é no mercado financeiro, trabalhando num fundo quantitativo.
A edição deste ano da IEO contou com 54 delegações de países diferentes e com cerca de 300 participantes. A competição é dividida em três provas – duas individuais e uma em grupo.
Nas individuais, de economia e finanças, os alunos têm que responder perguntas gerais de economia aplicada, incluindo micro e macroeconomia e teoria dos jogos. Na de finanças, as perguntas são sobre temas que vão de corporate finance até finanças comportamentais.
Com base nas notas das duas provas, os alunos são classificados num ranking, com os 20 primeiros recebendo medalhas de ouro. Quem ficar de 21 até a posição 50 recebe prata, enquanto os classificados entre as posições 51 e 100 ficam com o bronze.
Spuri ficou na primeira colocação dentre todos os participantes, garantindo a medalha ‘Top Gold’.
Já no business case, o Brasil recebeu a melhor nota dentre todas as delegações participantes, repetindo um feito que ele já havia conquistado em 2023, 2021, 2020 e 2019.
Na edição deste ano, as equipes tiveram que propor uma zona econômica especial para seu País que ajudasse a alavancar sua economia. Os brasileiros propuseram criar um hub de incentivo na Bahia para a exploração de terras raras.

“O ângulo da nossa proposta foi oferecer alguns subsídios para abater o custo fixo de entrada nesses mercados, o custo de alguns insumos e, principalmente, oferecer um subsídio que crescesse ao longo da cadeia de valor, criando incentivos para as empresas verticalizarem a operação e não exportar o produto bruto logo na largada,” disse Raphael Zimmerman, o líder da delegação (uma espécie de treinador dos participantes).
O business case do Brasil recebeu a nota de 49,5 numa escala de 0 a 50 – a nota mais alta da história da competição no business case. Para se ter uma ideia, a nota mais alta anterior tinha sido de 46,2.
O segundo colocado foi o México, com a nota de 45,2, seguido por Singapura, que recebeu a nota de 39,6.
A delegação brasileira é formada por Zimmerman e mais sete estudantes – Lucas Rivelli; Manuela Buesa; Artur Teixeira; Arthur Spuri; Luiza Monteiro; Pedro Câmara e Enzo Tavares – e contou com o apoio da B3, BTG, Bain Company e Verde Asset.
Para entrar na delegação, os sete estudantes tiveram que passar por uma seletiva local – a Olimpíada Brasileira de Economia – que contou com a participação de mais de 20 mil estudantes.
O Brasil participou de praticamente todas as Olimpíadas Internacionais de Economia desde que ela foi fundada em 2018 – e já obteve outros resultados importantes.
“O resultado deste ano mostra que no relativo temos muito potencial no Brasil. Ficamos à frente de muitos países que são relevantes. Temos pessoas muito boas e dispostas a fazer as coisas acontecerem no Brasil. O que temos que entender é por que esse potencial não se reflete em nível econômico, em desenvolvimento?” disse Zimmermann.




