Bloomberg Línea — A geração de eletricidade na América Latina cresceu 4,5% em abril na comparação com o mesmo mês do ano anterior, e as fontes renováveis responderam por 67% da produção de energia elétrica na região, segundo um relatório da Organização Latino-Americana de Energia (Olade).
A região produziu 164 TWh de eletricidade, mantendo o predomínio estrutural das fontes limpas, apesar das oscilações climáticas que afetaram a geração hidrelétrica, de acordo com o relatório.
Até abril, nove dos 27 países-membros da Olade superaram a média regional de 67% no índice de participação das energias renováveis.
Esses países são Paraguai (100%), Uruguai (97%), Costa Rica (92%), Equador (92%), Brasil (88%), Colômbia (87%), Venezuela (86%), Belize (76%) e Peru (68%).
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Para a Olade, esses indicadores mostram que a combinação de fontes renováveis com fontes complementares, como o gás natural, fortalece a segurança do abastecimento de energia elétrica.
Além disso, aumenta a capacidade da região de enfrentar as variações climáticas, um dos principais desafios de seus sistemas elétricos.
Entre março de 2025 e abril de 2026, o índice de participação das fontes renováveis na geração elétrica da região variou entre 63% e 72%, refletindo o predomínio estrutural das fontes renováveis sobre as não renováveis.
O nível mais elevado foi registrado em outubro de 2025 (72%), quando a geração renovável atingiu 113 TWh e a não renovável somou 45 TWh.
Em contrapartida, o menor índice foi observado em agosto de 2025 (63%), quando a geração renovável caiu para 101 TWh e a não renovável aumentou para 60 TWh.
Principais fontes de geração
Segundo o relatório, a energia hidrelétrica respondeu pela maior parcela da geração elétrica regional em abril, com 44,6% do total.
Na sequência vieram o gás natural, com 23,2%, e a energia eólica, com 12,2%.
A energia solar respondeu por 5% da geração, seguida por petróleo e derivados (4,9%), bioenergia (4,4%), carvão mineral (2,9%), energia nuclear (2,3%) e geotermia (0,5%).
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A Olade destacou que, embora a geração hidrelétrica tenha recuado 9,4 TWh em relação a abril de 2025, essa queda foi compensada pelo aumento da geração eólica (+5,1 TWh), do gás natural (+4,6 TWh) e da bioenergia (+3,3 TWh).
“Isso evidencia a capacidade do sistema de se adaptar às mudanças nas condições climáticas e uma crescente diversificação tecnológica”, afirmou a entidade.
Reciclagem de painéis solares, baterias e turbinas eólicas
A Olade avalia que o crescente volume de resíduos que será gerado no futuro pela infraestrutura de energia limpa representa não apenas um desafio ambiental, mas também uma potencial fonte de riqueza para a região.
Em nota técnica, a entidade afirma que o avanço das fontes renováveis na América Latina — responsáveis por 67,4% da geração elétrica em 2025 — traz novos desafios relacionados à gestão dos resíduos produzidos por essa infraestrutura.
A estimativa é de que a região acumule 81 milhões de toneladas de materiais provenientes de componentes solares, eólicos e de sistemas de armazenamento até meados do século.
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Desse total, 36 milhões de toneladas corresponderão a aço, volume equivalente a 63% da produção anual atual desse metal na região.
Outros 4 milhões de toneladas serão de cobre, quantidade próxima de 40% da produção anual regional.
Além disso, 10 milhões de toneladas corresponderão a alumínio, quase o triplo da produção anual atual da América Latina e do Caribe.
Somente em 2035, a América Latina e o Caribe poderão recuperar US$ 84 bilhões por meio da reciclagem da infraestrutura de energia limpa.
Atualmente, a América Latina e o Caribe contam com cerca de 150 milhões de painéis solares em operação e 16 mil aerogeradores.




