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Área de soja ficará estável pela primeira vez em 20 anos, prevê Rabobank

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A área plantada de soja deve parar de crescer pela primeira vez após mais de duas décadas de crescimento, refletindo o ambiente mais desafiador para os produtores.

A previsão é do Rabobank. Em um relatório divulgado no fim da tarde, preparado por Marcela Marini, analista sênior de Grãos e Oleaginosas, o banco antevê uma estabilização em 2026/27, “marcando uma mudança importante e um possível ponto de inflexão no foco estratégico dos produtores”.

Segundo o banco, a “estagnação” sucede duas décadas de crescimento médio de 4% ao ano que fizeram a participação do País na produção global de soja saltar de 28% em 2010 para 42% em 2026.

A principal razão é o atual cenário ruim no agro e, em particular, na soja, marcado pela conjunção de preços mais baixos, margens comprimidas — e até negativas em certas regiões — e crédito mais restrito e caro.

O Rabobank cita ainda “a crescente incerteza nos mercados de insumos” como motivo adicional para “um ambiente menos favorável a uma expansão acelerada”.

Por outro lado, o banco refuta a hipótese de o movimento desembocar em contração, uma vez que a terra permanece como o principal ativo do produtor.

E também não antevê reflexos sobre a produtividade. De acordo com o relatório, a produção na próxima safra deve atingir 178 milhões de toneladas métricas, o que significaria uma redução de 2,1% frente ao recorde de 182 milhões de toneladas em 2025/26, quando o País atingiu 49 milhões de hectares plantados.

Caso se realize, a projeção de uma produção menor no País poderia, segundo o Rabobank, contribuir para um cenário global de oferta e demanda mais equilibrado, trazendo um “suporte moderado” para o preço da soja.

Ao mesmo tempo, o El Niño e seus eventuais danos sobre a produção, principalmente no Centro-Oeste, e os potenciais efeitos da geopolítica sobre os preços de fertilizantes também são riscos para o produtor, diz o banco.

Embora o fim do crescimento de área que marcou os últimos 25 anos da soja no Brasil já fosse bola cantada nos bastidores por analistas, empresas e produtores, a projeção do Rabobank é uma das primeiras a cravar o movimento.

Na semana passada, a consultoria Safras & Mercado chegou a prever um aumento de 1,2% na área, ou seja, apenas uma desaceleração do crescimento.

Reflexo no mercado de terras

De acordo com Marini, do Rabobank, o ambiente financeiro mais restritivo também está refletindo em uma maior disponibilidade de terras para venda ou arrendamento, “à medida que os produtores buscam liquidez e ajustes em seus balanços”.

Esse aumento, na visão do banco, deve contribuir para desacelerar a expansão de áreas, “particularmente a conversão de pastagens”. Ao mesmo tempo, o movimento tende a “deslocar o modelo de crescimento da soja para a otimização e a realocação de terras agrícolas já existentes”.

Isso, segundo o Rabobank, preserva o potencial de expansão no longo prazo.

Por outro lado, o banco estima que o crescimento futuro dependerá cada vez menos de incorporação de novas áreas agrícolas, e cada vez mais de ganhos de produtividade e intensificação do uso da terra. “Especialmente por meio de sistemas de dupla safra e melhorias na eficiência operacional”, conclui Marini.



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