Pesquisadores identificaram pela primeira vez no Brasil a presença de bactérias causadoras da columnariose, uma infecção grave que atinge peixes de água doce destinados ao consumo humano. Até então, as espécies do gênero Flavobacterium ligadas à enfermidade só haviam sido registradas em cultivos da Ásia e dos Estados Unidos.
A doença afeta a tilápia (a espécie mais produzida no país), além de peixes nativos como tambaqui, pacu, lambari e pintado-da-amazônia. O estudo foi conduzido por pesquisadores do Centro de Aquicultura da Unesp (Caunesp) e do Instituto de Pesca (IP-APTA), com apoio da Agência Fapesp.
Múltiplos hospedeiros e sinais da infecção
Historicamente atribuída a uma única espécie (Flavobacterium columnare), a doença é provocada por um grupo de bactérias que se alimentam das células epiteliais dos peixes. A infecção provoca lesões esbranquiçadas na pele e nadadeiras, além de necrose branquial, podendo levar larvas e alevinos à morte em questão de dias.
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Mapeamento das 11 cepas isoladas no país:
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Flavobacterium oreochromis: Anteriormente associada apenas a tilápias, a espécie foi detectada no estudo infectando espécies nativas como tambaqui, lambari e pacu.
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Flavobacterium davisii: Encontrada de forma inédita em um espécime de pintado-da-amazônia, demonstrando capacidade de infectar peixes da ordem dos siluriformes.
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Outras espécies: O estudo também registrou a presença de F. inkyongense e F. indicum.
Adaptação ao clima tropical e formação de biofilme
As análises laboratoriais comprovaram que os patógenos se adaptaram perfeitamente ao clima brasileiro. Espécies como F. davisii e F. inkyongense apresentaram pico de desenvolvimento a 28 °C, temperatura média dos rios e reservatórios do país. Já a F. indicum registrou crescimento máximo a 35 °C, o que indica que o aquecimento das águas pode favorecer a propagação do microrganismo.
A 28 °C, as bactérias demonstraram alta capacidade de produção de biofilme — uma camada protetora que permite ao patógeno entrar em estado de dormência em equipamentos e superfícies, voltando a se multiplicar quando as condições ficam favoráveis.
“O biofilme permite que a bactéria permaneça no ambiente mesmo em condições adversas. Daí a importância de protocolos robustos de higiene e desinfecção para prevenir a contaminação dos equipamentos de manejo”, ressalta Fabiana Pilarski, pesquisadora do Caunesp e do Instituto de Pesca.
Estratégias de combate: Salinidade e vacinas por imersão
Apesar do alerta epidemiológico, a pesquisa aponta caminhos para conter os surtos nas propriedades aquícolas:
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Uso do sal: Testes de outros grupos indicam que as bactérias do gênero Flavobacterium têm baixa tolerância à salinidade. A adição controlada de sal na água pode reduzir a colonização, embora a dosagem ideal para cada espécie ainda exija novos estudos.
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Vacinas autógenas: Os cientistas avançam no mapeamento genômico para criar vacinas personalizadas com cepas locais. A aplicação ideal seria por meio de banhos de imersão com bactérias atenuadas, imunizando lotes inteiros de alevinos de uma só vez.
Fonte: Canal Rural




