A logística de exportação do agronegócio brasileiro entrou em uma zona de forte turbulência no início de agosto de 2026. Apenas dez dias após os Estados Unidos anunciarem uma tarifação adicional de 25% sobre produtos brasileiros, os exportadores nacionais enfrentam uma “tempestade perfeita” nos mares: custos elevados, falta de contêineres e rotação desfavorável das frotas internacionais.
Efeito Dominó da “Rota da China”
A rota comercial asiática opera como o principal termômetro da marinha mercantil no mundo. Quando a procura por frete esquenta na Ásia, as companhias de navegação retiram embarcações de regiões secundárias — como a América Latina — para alocá-las nos trajetos mais lucrativos.
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Explosão de preços em 2026: O custo do contêiner saindo da China saltou de US$ 1.000 em janeiro para picos de US$ 8.000 em julho — uma alta superior a 500% em sete meses.
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Sustentação de tarifas: Mesmo com o índice Drewry acomodado em US$ 4.255 por contêiner de 40 pés, os preços continuam em patamares historicamente altíssimos devido ao cancelamento proposital de viagens (blank sailings) por parte dos armadores.
Gargalo do Brasil: Faltam Vagas nos Navios
Para o exportador brasileiro, o principal problema atual não é apenas o preço do frete, mas a impossibilidade de conseguir espaço físico nas embarcações.
Diferente do que se especulava, o gargalo não foi provocado por um “corrida” para antecipar envios aos EUA antes da sobretaxa de 25%, mas sim pelo reordenamento das frotas globais para atender o aquecimento do consumo norte-americano antes da Black Friday e do Natal.
Déficit de Capacidade: Em diversos portos brasileiros, a procura por embarque chega a ser o dobro da oferta física de vagas — com cerca de 10 mil contêineres disputando espaço onde só cabem 5 mil.
A tendência é de que a pressão sobre o frete marítimo continue até novembro. Enquanto persistirem os conflitos no Oriente Médio e a frota mundial for canalizada para suprir os mercados consumidor do Hemisfério Norte, os exportadores brasileiros de commodities operarão sob margens espremidas e intensa disputa por espaço logístico.
Fonte: CNN




