Bloomberg — Os agentes financeiros aguardam um novo corte de 0,25 ponto percentual da Selic no Copom desta semana diante da melhora na inflação, o que levaria a Selic para 14%, em linha com a precificação do mercado.
O BC também deve manter as opções em aberto para as próximas reuniões, sem sinalizações concretas, dada a elevação das expectativas de inflação e a incerteza gerada pela guerra no Oriente Médio, segundo analistas. Também existe a expectativa de que o comunicado seja ajustado para retirar trechos considerados confusos da reunião anterior.
Economistas e gestores avaliam que o alívio na inflação favorece a extensão do processo chamado pelo Banco Central de “calibração” da taxa básica. A leitura do IPCA-15 de julho veio abaixo do esperado e apresentou desaceleração dos núcleos — medidas que excluem itens voláteis como alimentos e energia.
O indicador também apontou a dissipação do choque do petróleo, provocado pelo conflito no Irã, e a perda do vigor do impulso fiscal, com bom comportamento dos preços de serviços e bens industriais.
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Do lado da atividade, os números têm surpreendido para baixo. Os dados de vendas no varejo, volume de serviços e produção industrial de maio ficaram todos aquém das expectativas do mercado.
A tendência na comunicação é de que o Copom reconheça a melhora na inflação e a moderação na atividade no curto prazo. No entanto, deve seguir sem sinalizar próximos passos mantendo a cautela com as expectativas de inflação, que seguem acima da meta na Focus, e manter o balanço de riscos assimétrico dado o nível de incerteza.
Gabriel Galípolo, presidente da autoridade monetária, disse em evento na semana retrasada que há “uma preocupação adicional” sobre as expectativas, o que recomenda permanecer com juros restritivos por um período mais longo.
Casas como JPMorgan, Banco Inter e Meraki Capital avaliam extensão do ciclo pelo menos até setembro — aposta que passou a ser majoritária na curva de juros futuros.
Sobre projeções, o Itaú Unibanco espera que o BC siga prevendo inflação em torno de 3,2% no horizonte relevante, que passa a ser o primeiro trimestre de 2028.
Leia também: Mercado reduz projeção para a Selic no fim de 2026 e vê inflação mais controlada
Na reunião passada, o comunicado do BC foi criticado por apresentar trechos considerados confusos pelo mercado — como a referência de maneira antecipada à rolagem do horizonte relevante da política monetária para o primeiro trimestre de 2028, período em que as projeções de inflação estariam mais baixas, aspecto lido como ‘dovish’.
Além disso, incluiu uma referência a trajetórias alternativas de juros — parte que o comitê pode descartar da comunicação. “É bastante provável que o Banco Central retire o trecho, que ficou o mais confuso no comunicado anterior”, disse Daniela Lima, economista para Brasil da Kinea.
“Acredito que aquele trecho que gerou bastante confusão deve cair, imagino que eles vão ser mais objetivos. Questões mais complexas e que demandam uma explicação maior, eles devem deixar para ata”, afirmou Andrea Damico, economista-chefe da Buysidebrazil.
Veja os comentários de analistas:
Itaú Unibanco, em relatório assinado pelo economista-chefe Diogo Guillen
- Comitê deve manter a porta aberta, sinalizando dependência de dados e ausência de ‘forward guidance’ explícito
- “Acreditamos que o Banco Central deve preservar a opcionalidade, sem se comprometer com próximos passos, com a comunicação do comitê buscando simplificação em relação aos comunicados recentes”
- Comunicação deve enfatizar serenidade e cautela diante do cenário de incerteza, desancoragem e riscos elevados, indicando manutenção de restrição monetária adequada para convergência da inflação à meta
Daniela Lima, economista para Brasil da Kinea Investimentos
- Avalia que BC irá seguir na estratégia de deixar as comunicações mais em aberto, “sem se amarrar à próxima reunião”
- “Vimos surpresas baixistas na inflação de curto prazo, e o comunicado deve reconhecer isso ao tratar das incertezas. A questão principal é que o Copom deve manter o tom de calibração, e o mercado deve seguir na dúvida sobre se haverá ou não um próximo corte”
- Projeções devem se manter estáveis, com inflação do primeiro trimestre de 2028 em 3%
Leia também: Comunicação do Banco Central segue em xeque e mercado vê risco à meta de inflação
Santander, em relatório
- O mais provável é um corte de 0,25 nesta reunião e outro em setembro, sem sinalização firme para as reuniões subsequentes e com comunicação enfatizando que as próximas decisões continuarão condicionadas aos dados
- “A estratégia ideal para o Copom é manter a porta aberta sem incentivar o mercado a precificar um ciclo prolongado de afrouxamento monetário”
Rafaela Vitória, economista-chefe do Inter
- “Acho que, além do corte, o comunicado não deve sinalizar pausa, há claro espaço para seguir cortando. Uma surpresa seria uma discussão sobre cortes de 0,50pp”
- Não há razão para pausa, a inflação corrente tem forte tendência de sinalização e a restrição monetária ainda é elevada, permitindo a calibração, mesmo com o cenário externo ainda volátil
- Importante vai ser como o Banco Central vai citar o balanço de riscos, “a inflação surpreendendo para baixo pode trazer algum alívio”
Milena Landgraf, sócia e CIO Macro da Jubarte Capital
- Os dados recentes não alteraram o diagnóstico de que há pouco espaço para cortes adicionais
- De um lado, a melhora da inflação corrente e o câmbio comportado poderiam abrir espaço para um novo corte em setembro; de outro, a incerteza em relação ao preço do petróleo e a deterioração das expectativas no Focus para horizontes mais longos reduz os graus de liberdade do comitê
- “Na minha avaliação, o Copom deve cortar a Selic em 0,25 ponto percentual, mas deixará em aberto a possibilidade de interromper o ciclo na próxima reunião”
Andrea Damico, economista-chefe da Buysidebrazil
- Visão de corte foi reforçada com os últimos dados de inflação e, também, de atividade, que mostraram um arrefecimento um pouco mais rápido do que se imaginava
- O balanço de riscos melhorou da última reunião para essa em razão do petróleo, moderação da atividade e inflação
Brendan McKenna, estrategista para mercados emergentes do Société Générale
- Combinação de uma inflação doméstica mais baixa e decisão do Fed de manter os juros inalterados abre espaço de corte de 0,25pp
- Comunicação ainda deve ser bastante cautelosa e destacar os riscos de alta para a inflação decorrentes do cenário externo e da política fiscal doméstica
Camilo Cavalcanti, sócio e gestor da Oby Capital
- Copom deve seguir cauteloso, reforçando a mensagem de continuidade do ajuste de forma condicionada aos dados
- Comunicado deve reiterar inflação ainda acima da meta e balanço assimétrico para cima
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