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Brasil precisa de mais ambição para liderar Inteligência Artificial – Conve…

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O Brasil já ocupa posição de liderança em muitas frentes quando o assunto é Tecnologia da Informação. O país reúne condições para disparar na corrida global da inteligência artificial, mas corre o risco de perder essa oportunidade caso não eleve suas ambições e se prepare para o que está por vir. O alerta foi o principal consenso do painel “Infraestrutura suportando o futuro dos serviços públicos”, realizado durante o Secop 2026. O debate foi mediado por Cleberson Antônio Sávio Gomes, presidente do MTI/MT e vice-presidente do Conselho de Associadas da ABEP-TIC, e teve a participação de dirigentes de empresas e instituições públicas de tecnologia. Para eles, o Brasil já possui capacidade técnica e experiência na digitalização dos serviços públicos, mas precisará elevar seu grau de preparação da infraestrutura que sustentará a próxima geração de aplicações de IA.

Quem disparou o alerta foi o presidente da Dataprev, Rodrigo Assumpção. Segundo ele, a velocidade das transformações tecnológicas exige que o país tome decisões agora para não perder competitividade nos próximos anos. “Todos temos consciência da aceleração brutal da demanda por infraestrutura, mas o nível da nossa ambição não está à altura do nosso desafio. Precisamos construir agora aquilo que, em dois ou três anos, nos dará o direito de decidir o que faremos com a inteligência artificial”, afirmou. Para o executivo, o debate passa necessariamente pela expansão da infraestrutura de dados, pela matriz energética e pela criação de novos data centers. “A preparação do país começa agora. Sem essa infraestrutura, não teremos liberdade para fazer escolhas quando a IA atingir um novo patamar.”

A preocupação foi reforçado por Hermando Albuquerque, presidente da Telebras, que destacou que o Brasil não parte de uma posição desfavorável na corrida tecnológica. “O Brasil não está atrasado. Os desafios de governança, dados e segurança da informação são enfrentados por todos os países”, afirmou. Segundo ele, a diferença estará na capacidade de ampliar rapidamente a infraestrutura nacional. A Telebras opera uma rede óptica de cerca de 32 mil quilômetros, amplia sua cobertura via satélite e participa de projetos para conectar escolas públicas, pequenas cidades e comunidades remotas. Ainda assim, Albuquerque afirma que o avanço da IA exigirá um salto também na capacidade energética do país. “Vamos precisar de cerca de 400 gigawatts de energia instalada, praticamente o dobro do que temos hoje.”

Se a infraestrutura nacional é o desafio estratégico, sua implementação passa por soluções adaptadas às diferentes realidades regionais. Presidente da ATI do Tocantins, Alírio Félix Barros explicou que o estado estruturou uma estratégia baseada em quatro frentes — fibra óptica, satélites de baixa órbita, redes LTE e parcerias público-privadas — para conectar 612 localidades mapeadas, incluindo comunidades indígenas e quilombolas. Na mesma linha, o diretor-presidente da Prodam, Renato Borges de Souza, relatou que o maior obstáculo no Amazonas continua sendo levar conectividade ao interior cortado por rios, onde o traçado muda constantemente e dificulta a expansão da fibra óptica. Segundo ele, ainda hoje menos de 20% desses municípios remotos estão atendidos.

Na visão dos demais painelistas, infraestrutura também deixou de significar apenas cabos e data centers. Secretário de Transformação Digital do Mato Grosso do Sul, Robson Roberto Duarte de Alencar defendeu que disponibilidade contínua, segurança, interoperabilidade e letramento digital passaram a fazer parte desse conceito. “Infraestrutura hoje é garantir que o cidadão tenha acesso ao serviço de forma ininterrupta, segura e acessível”, resumiu. Frederico de Vasconcelos Pereira, presidente da ATI de Pernambuco, concordou que o momento exige planejar a infraestrutura em função das aplicações futuras. Segundo ele, a integração dos data centers estaduais permitiu consolidar centenas de serviços digitais em uma única plataforma, mas o próximo passo será preparar o ambiente para o uso seguro da inteligência artificial, inclusive com modelos próprios para reduzir riscos à segurança da informação.


Para encerrar o debate, Savio Gomes convidou a uma mensagem sobre o futuro. Confiança e senso de urgência voltaram ao debate. Para Albuquerque, o país dispõe de equipes técnicas altamente capacitadas e já conduz projetos de escala mundial, como o maior cabo subfluvial do planeta, instalado na Amazônia. Assumpção reforçou que o desafio não é alcançar os países mais avançados, mas manter o Brasil entre eles. “A discussão não é se estamos no topo. É o que precisamos fazer para continuar lá.”

Na avaliação dos participantes, a inteligência artificial poderá transformar profundamente os serviços públicos, mas somente se o país aproveitar a atual janela de oportunidade para fortalecer sua infraestrutura física, energética e digital.



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