O WhatsApp é a plataforma que os golpistas digitais mais usam para atrair suas vítimas. De acordo com relatório divulgado pela Global Anti-Scam Alliance (GASA) com a Opinium, 64% das pessoas que sofreram tentativa de fraude receberam o contato do criminoso no app de mensageria em 2026.
Feito com 1,1 mil pessoas, o etapa brasileira do estudo mostra outros apps citados pelos consumidores:
- Gmail, 32%;
- Instagram, 22%;
- Facebook, 17%;
- Google, 13%;
- Telegram, 12%;
- Outlook, 11%;
- OLX, 9% (incluída por ser uma plataforma nacional em cada país que atua a GASA coloca um app local);
- TikTok, 9%;
- YouTube, 6%.
Em conversa com Mobile Time, Renata Salvini, diretora do capítulo brasileiro da Gasa, afirmou que é natural que o app da Meta seja o mais usado para aplicar golpes, pois é a plataforma de comunicação mais usada no Brasil – vide pesquisa Super Panorama Opinion Box | Mobile Time que mostra o app com presença em 98% dos celulares.
Para efeito de comparação, Salvini afirmou que no estudo norte-americano da análise, o WhatsApp aparece apenas em sexto lugar. Nos Estados Unidos, a principal fonte de golpe é o e-mail. Ou seja, a especialista reforça que há um componente cultural com os atacantes digitais olhando para os canais mais usados pelos usuários em cada país.
Em outra questão, os brasileiros citaram como principais canais de disseminação de golpes ligações telefônicas (53%), aplicativo de mensageria (52%), e-mail (39%), SMS (38%), redes sociais (28%), publicidade digital (19%), plataformas de apostas (9%) e marketplace online (9%).
Golpes recorrentes

Renata Salvini, diretora do capítulo brasileiro da GASA (crédito: Henrique Medeiros/ Mobile Time)
Ao todo, o estudo revelou que 81% dos brasileiros tiveram contato com algum tipo de golpe, o mesmo percentual da primeira análise de 2025. Mas Salvini nota que teve uma queda de 252 para 202 tentativas de golpes em média por pessoa por ano no Brasil.
A especialista explicou que o GASA vê como hipótese para a queda de ataques por pessoa, um trabalho mais certeiro e assertivo dos golpistas em ações mais direcionadas ao “acertar mais vezes com menos tentativa”. Em outras palavras, uma espécie de ‘hiperpersonalização do crime’.
Corrobora com essa visão o fato de que, dos 10% de brasileiros que admitiram ter caído em golpe com perda financeira ou de dados, 34% daqueles que se tornaram vítimas dizem que isso aconteceu mais de uma vez, sendo 15% duas vezes e 13% três vezes e 6% caíram quatro ou mais vezes.
Salvini explicou que há uma “lista de ouro” negociada por cibercriminosos com essas vítimas mais recorrentes, pois os atacantes sabem que se uma pessoa cai em um golpe uma vez pode cair de novo. Esse fenômeno é chamado de revitimização.
Com 1 em cada 4 ocorrendo em questão de minutos, os meios de pagamentos instantâneos são os favoritos para transferência de dinheiro em 54% dos golpes, como o Pix. As ações criminosas mais comuns para alcançar as vítimas são de compras, dinheiro inesperado e do falso emprego.
Considerando essas vítimas, a GASA estima que os brasileiros perderam R$ 21,2 bilhões em golpes, em média R$ 1.287 por pessoa. Só um quinto desse valor foi recuperado pelos seus consumidores.
Tabus e responsabilidades


Renata Salvini, diretora do capítulo brasileiro da GASA (crédito: Henrique Medeiros/ Mobile Time)
Divulgado durante o Anti Scam Forum, evento organizado por GASA em parceria com Santander, o estudo revela que 42% dos brasileiros se sentem confiantes em identificar golpes, sendo que 51% pessoas da geração Z (18 a 28 anos) acreditam que identificam melhor e 45% possuem ensino superior.
Contudo, Salvini alerta que autoconfiança não é garantia de imunidade, uma vez que os criminosos visam também pessoas economicamente ativas, assim como os idosos são vulneráveis por não dominarem a tecnologia.
Com 54% dos brasileiros culpando as plataformas usadas pelos golpistas, a diretora da ONG que une setor privado, público e sociedade civil reforça que o tema é complexo e que não se pode exigir que o consumidor se torne um especialista em golpes/fraudes. Lembra ainda que um golpe pode começar em diversos canais, mas termina no banco e que, portanto, o tema é multissetorial.
Por fim, Salvini pede que as instituições tenham mais empatia com as vítimas de golpes, pois diferentes golpes presenciais, as ações digitais sempre trazem impacto de vergonha e sentimento de culpa; isso mesmo com as ações dos golpistas sendo cada vez mais coordenadas e profissionais com roteiros e protocolos convincentes (script by the book, no original em inglês).
Esse tema é reforçado pelo fato de que existe uma forte subnotificação nos crimes, pois 19% das vítimas dos golpes sofridos no Brasil nos últimos 12 meses não o reportaram. A especialista afirma que isso pode acontecer por muitos dos golpes serem de baixo valor, darem trabalho para vítima reportar às autoridades e pelos sentimentos de culpa ou de vergonha. A subnotificação acaba causando um problema grave para o ecossistema saber como combater a fraude certa ou aquela que está crescente.




