BRASÍLIA* — Já atrasada em relação às expectativas dos fabricantes de biodiesel, a entrada do B16 pode ocorrer só em agosto de 2027. Para acontecer antes, potencialmente em fevereiro, os testes teriam de ocorrer sem nenhuma intercorrência (regulatória e, claro, política).
As previsões para o B16 foram feitas por Lorena Souza, diretora de Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia.
Em conversa com jornalistas nesta quarta-feira (12), na abertura da sétima edição da Biodiesel Week, promovida pela Ubrabio (União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene) em Brasília, ela apresentou detalhes sobre os testes atualmente em andamento no Instituto Mauá de Tecnologia, em São Caetano do Sul (SP).
“Iniciamos a execução do plano de testes em agosto, incluindo ensaios mecânicos e físico-químicos, que foi desenvolvido pelos atores com interesse nessa matéria, como os produtores de biocombustíveis e as montadoras”, disse Souza.
Segundo ela, os motores pesados que serão utilizados na avaliação já foram comissionados, e as primeiras amostras de biodiesel para utilização nos testes estão sendo analisadas. “A previsão é até fevereiro de 2027 finalizarmos a execução dos testes e termos o relatório final.”
A depender dos resultados técnicos, pode haver dois cenários: uma avaliação do CNPE (Conselho Nacional de Política Energética) a partir de fevereiro ou de agosto do ano que vem.
“Se a aprovação vier sem condicionantes, o relatório final de viabilidade sai em fevereiro. Se vier condicionada a ajustes de especificação, vamos ter que conduzir esses ajustes junto à ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis). Nesse caso, ficaria para agosto de 2027”, disse.
Se ficar para agosto, a frustração da indústria de biodiesel pode ser ainda maior. Vale lembrar que o atraso da nova mistura do biodiesel já teve repercussão negativa.
Como parte das indústrias acreditavam que o B16 já estaria em vigor — conforme as indicações da Lei do Combustível do Futuro, que previam a nova mistura em março —, o mercado se viu às voltas com uma demanda aquém do planejado, o que ajudou a derrubar os preços do biocombustível, pressionando as margens.
Por outro lado, a diretora do Ministério de Minas e Energia afirmou que os testes estão avaliando a viabilidade da mistura até 20%, ou seja, o B20. E, segundo ela, já há um cronograma para testar o B25.
Por isso, questionada se o próximo aumento pode “pular” o B16 e elevar o mandato para o B17, como o setor privado tem defendido, Souza afirmou que “há, sim, essa chance”.
“A gente segregou o cronograma de testes em duas fases: B20 e B25. Resolvido o B20, vem o B25. Há, sim, essa chance, não há impedimento técnico para ir para o B17 ou mesmo o B18. Mas é o CNPE que avaliará o relatório técnico junto com aspectos econômicos, sociais e ambientais, é um passo a posteriori”, explicou.
A controvérsia do etanol
Ao contrário do que ocorreu com o etanol, Souza não espera a polêmica, e até a judicialização, que se formou em torno do recente aumento da mistura do etanol na gasolina, do E30 para o E32.
A pedido de entidades como a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), o Ministério Público Federal (MPF) acionou a Justiça para suspender a mistura obrigatória de 32% de etanol na gasolina, em vigor desde 1º de agosto.
Segundo ela, isso se deveu ao fato de que a decisão em torno do etanol considerou “conjunturas geopolíticas e internacionais, como a questão da guerra no Irã”. Por isso, o governo decidiu aproveitar a margem dos testes do E30, que previa experimentar a mistura com uma “tolerância adicional”.
“A ANP aplica uma margem de erro instrumental na medição. Foi nesse contexto que o E32 foi testado durante os testes do E30; era do interesse da política energética nacional. Acho que a reação veio do fato de que o mercado não estava esperando, porque, ao contrário do que ocorre agora com o biodiesel, não foi dada visibilidade suficiente de que o teste do E30 verificava até o E32.”
*O jornalista viajou a convite da Ubrabio
(A versão original desta matéria continha a informação de que o relatório sobre o B16 poderia ficar pronto apenas em outubro de 2027, conforme as declarações da diretora do Ministério de Minas e Energia. Ela se corrigiu posteriormente. O correto é agosto de 2027. A matéria foi atualizada).




