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Saída de estrangeiros da bolsa brasileira na terça-feira foi a mais intensa…

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Bloomberg — Investidores estrangeiros retiraram recursos da bolsa na terça-feira (11) no ritmo mais intenso em mais de cinco anos, em meio às crescentes preocupações com as eleições e seus possíveis impactos sobre o déficit fiscal e a economia.

A saída somou R$ 4,72 bilhões na terça-feira, no mesmo dia em que o JPMorgan rebaixou a recomendação para as ações brasileiras de overweight para neutra, afirmando preferir “ficar de fora a pagar pela incerteza”.

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O rebaixamento desencadeou uma onda de vendas em diferentes classes de ativos. O Ibovespa recuou 2,5%, enquanto o real caiu 1%, ambos com desempenho inferior ao de seus pares entre os mercados emergentes no dia.

O iShares MSCI Brazil ETF, fundo de US$ 8,2 bilhões conhecido como EWZ, também sofreu forte pressão vendedora, com queda de 3,4% e a maior retirada de recursos desde 2013. Na semana até quarta-feira, o ETF registrou saída de US$ 329 milhões.

Leia também: Faria Lima volta o foco para as eleições e gestores veem disputa presidencial acirrada

“À medida que nos aproximamos da eleição, a vantagem de Lula permanece sólida”, afirmou Greg Lesko, gestor de portfólio da Deltec Asset Management LLC, com foco em ações de mercados emergentes. “Os desafios fiscais do Brasil estarão no centro das atenções, e o mercado não tem confiança na gestão fiscal de Lula.”

Pesquisas recentes mostram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva à frente do adversário Flávio Bolsonaro na corrida para a eleição de outubro. O cenário reacende dúvidas sobre a capacidade de um novo mandato de Lula promover o ajuste necessário para estabilizar as contas públicas.

As retiradas de terça-feira elevaram para mais de R$ 11,9 bilhões o volume de recursos que investidores estrangeiros sacaram da bolsa brasileira neste mês, aproximando-se dos R$ 14,9 bilhões retirados ao longo de todo o mês de maio.

Quem vencer a eleição de outubro terá pela frente decisões difíceis, diante de “juros reais elevados, na casa de um dígito alto, e déficit fiscal”, afirmaram analistas do JPMorgan.

O banco também prevê que o ciclo de cortes de juros do Banco Central chegue ao fim justamente quando a economia estiver desacelerando e as condições de crédito se deteriorando, uma combinação que tende a pressionar ainda mais as ações.

“O mercado está muito sensível e sendo guiado pelos fluxos”, afirmou Davi Khattar, gestor de ações da Atlas One. “Há uma eleição pela frente que vai trazer muita volatilidade.”

Embora Lula seja considerado favorito, alguns investidores ainda acreditam que a disputa pode ser mais apertada do que o esperado, sobretudo após pesquisas recentes mostrarem avanço de seu principal adversário com o início oficial da campanha.

“A esperança é a última que morre”, disse Lesko. “Eu ainda não daria a vitória a Lula.”

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