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A Unitree Robotics estreou na Bolsa de Xangai, consolidando-se como um símbolo da corrida global por robôs humanoides. Seus papéis dispararam 460% no primeiro dia, avaliando a empresa em cerca de US$ 50,7 bilhões. O IPO arrecadou mais de US$ 900 milhões, com ações inicialmente precificadas em 150,8 yuans.
A empresa, fundada em 2016, é a maior fabricante mundial de robôs humanoides e já gera lucro, com 278 milhões de yuans em 2025. A Unitree planeja usar dois terços dos fundos do IPO para pesquisa e desenvolvimento. O mercado de humanoides deve crescer de US$ 2 bilhões em 2025 para US$ 300 bilhões em 2035.
Apesar do sucesso, a empresa enfrenta tensões geopolíticas, com os EUA proibindo a importação de robôs fabricados no exterior e incluindo a Unitree em uma lista de empresas militares. A estreia coincidiu com a Conferência Mundial de Robótica em Pequim, destacando a ambição da China no setor.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
A estreia da Unitree Robotics na Bolsa de Xangai na quarta-feira, 19 de agosto, não foi apenas um evento financeiro: foi um espetáculo tecnológico que consolidou a empresa como o novo símbolo da corrida global por robôs humanoides.
Famosa pelos vídeos virais em que seus androides aparecem praticando artes marciais, correndo maratona e dançando como figurantes de luxo para estrelas pop, a companhia viu suas ações dispararem mais de 600% no primeiro dia de negociação, mas fecharam o primeiro dia de negociação com alta de 460%.
Com isso, a Unitree Robotics elevou se valor de mercado para 342 bilhões de yuans, o equivalente a US$ 50,7 bilhões. Antes de os papéis começarem a ser negociadas, a companhia valia US$ 9 bilhões – no IPO, arrecadou US$ 900 milhões.
A disparada também empurrou o índice preço/lucro (P/L) da Unitree para quase 1.200, um patamar raríssimo no mercado chinês e que reflete a expectativa de que a empresa lidere a próxima grande revolução industrial.
A tão aguardada listagem no Star Market, mercado voltado para tecnologia e amplamente conhecido como a Nasdaq da China, marca um marco para os ambiciosos planos do governo chinês para a indústria de robótica do país. Isso ocorre em um momento em que os EUA e a China estão disputando a dominância do mercado global de robôs e modelos de inteligência artificial (IA) que os alimentam.
Atualmente, a indústria da robótica humanoide está atraindo enormes investimentos, visto que grandes empresas — incluindo Tesla, BYD e Amazon — estão desenvolvendo máquinas bípedes capazes de realizar tarefas geralmente executadas por pessoas.
A Unitree é hoje a maior fabricante mundial de robôs humanoides, uma posição conquistada em menos de uma década. Fundada em 2016 por Wang Xingxing, a empresa — oficialmente chamada Yushu Technology — cresceu em Hangzhou, região que se tornou uma “zona de ouro” da robótica graças a massivos investimentos governamentais. Entre 2020 e 2024, o número de empresas chinesas do setor triplicou, impulsionado por subsídios e programas de inovação.
Os robôs da Unitree começaram como equipamentos industriais automatizados e quadrúpedes usados em pesquisas, mas o salto tecnológico recente abriu novas fronteiras: agora são máquinas bípedes capazes de atuar em fábricas, armazéns e residências, realizando tarefas antes exclusivas de humanos.
A empresa “enviou” mais de 5.500 humanoides no ano passado — no jargão do setor, “enviar” significa entregar unidades prontas para uso comercial ou doméstico.
A Unitree também é uma das poucas fabricantes do segmento que já gera lucro, com 278 milhões de yuans (US$ 41,1 milhões) de resultado líquido em 2025. E, segundo analistas, produz robôs com capacidades semelhantes às de concorrentes americanos, porém a preços mais baixos.
O lote de ações destinado ao varejo foi subscrito mais de 5.500 vezes, um indicador do entusiasmo dos investidores chineses. “Isso se deve, em parte, ao alto reconhecimento da marca Unitree na China continental”, afirma Kenny Ng, estrategista da Everbright Securities International, gestora financeira de grande porte baseada em Hong Kong.
A Unitree afirmou que usará cerca de dois terços dos fundos arrecadados no IPO para pesquisa, expansão da capacidade de produção e desenvolvimento de modelos de IA.
“O IPO tornou a Unitree uma rara empresa focada exclusivamente em robôs humanoides no mercado de ações A da China”, afirma Ming Lee, do BofA Global Research. Ele acredita que a listagem servirá como “âncora de avaliação” para outras companhias do setor que se preparam para abrir capital, como Deep Robotics e Leju Robotics.
Novo nicho
O mercado de humanoides deve crescer de US$ 2 bilhões em 2025 para US$ 300 bilhões em 2035, segundo projeções citadas por analistas.
“Estamos otimistas em relação aos humanoides”, diz Kieron Poon, da Aberdeen, uma gestora global de investimentos e de ativos sediada no Reino Unido. “No momento, estamos focando primeiro na etapa inicial da cadeia de suprimentos.”
Rinat Mirzaitov, fundador da Humanoid Analytics, empresa de análise de mercado especializada em robótica humanoide, vê a Unitree em transição: “A empresa tinha um nicho único, pois dominava o mercado de robôs para pesquisadores, mas agora precisa expandir para outros setores”, afirma. “O dinheiro virá das famílias e dos assistentes pessoais, e talvez dos mercados industrial e comercial; a Unitree deu apenas o primeiro passo.”
Com a valorização das ações, o patrimônio de Wang Xingxing ultrapassou US$ 12 bilhões, segundo a Reuters. Mas o avanço meteórico da empresa ocorre em meio a tensões geopolíticas crescentes.
No mês passado, a Comissão Federal de Comunicações dos EUA proibiu a importação de futuros modelos de robôs humanoides e quadrúpedes fabricados no exterior, citando riscos à segurança nacional.
Pouco depois, o Pentágono incluiu a Unitree em uma lista de empresas militares chinesas, classificando-a como “contribuinte para a base industrial de defesa da China”. A empresa nega envolvimento militar e afirma que seus robôs são destinados ao uso civil.
A Unitree também tem forte presença internacional: mais de 40% da receita vem do exterior, e os EUA respondem por até 18,4% das vendas, dependendo do ano.
A estreia da Unitree coincidiu com a abertura da Conferência Mundial de Robótica em Pequim, onde centenas de empresas chinesas apresentaram novos produtos.
O evento reforça a percepção de que a China está determinada a dominar a próxima geração de robôs inteligentes. A Unitree, com sua estreia espetacular, já desponta como o rosto dessa ambição.




