O CEO da ColmeIA, José Caodaglio, recomendou diversificar canais para contato com clientes como uma alternativa ao WhatsApp e sua estratégia de precificar mensagens enviadas por empresas aos usuários finais. Ele destacou que atualmente o aplicativo de mensageria tem praticamente todo o mercado nacional. Uma outra saída apontada por ele é utilizar o WhatsApp Flows, que funciona como um formulário web interno e cobraria apenas uma mensagem.
A big tech também lançou recentemente o Meta Business Agents, um outro ponto de preocupação para o mercado de bots, pois deve elevar consideravelmente os custos operacionais com tokens. Nicola Sanchez, CEO da Matrix Go, disse que a nova política da big tech deve acrescentar quase R$ 1 milhão à conta de alguns clientes, caso eles não adequem seus fluxos. “Essa combinação deve piorar a experiência do cliente, porque as empresas precisarão ser o mais objetivas possíveis no contato. É um cenário caótico”, apontou.
Durante o Super Bots Experience, realizado em São Paulo, nesta quarta-feira, 19, o painel também abordou a transição dos testes para a realidade de negócios nas empresas. Rafael Souza, CEO da Ubots, acredita que no momento atual muitas passaram dos chatbots para orquestradores de agentes mais robustos. No entanto, Sanchez tem outra visão. “Acredito que atualmente o nosso estágio é embrionário. Nós temos soluções baseadas em fluxos determinísticos que usam LLMs, mas uma estrutura agêntica é algo mais sofisticado que isso, extremamente complexo de montar e de manter”, explicou.
Segurança e mitigação de riscos
Ao longo do painel também foi abordada a importância da segurança para evitar episódios de falhas significativas, como os que aconteceram com IAs da Anthropic e da OpenAI. Para o executivo da Matrix Go, as falhas ocorreram por ação humana. No caso da empresa de Sam Altman, o erro foi usar uma inteligência artificial de modelo fechado contra uma aberta.
Caio Borges, country manager da Infobip Brasil, acredita que é preciso ter camadas na mitigação de riscos e não centralizá-la apenas nos modelos. Ele defendeu a construção de blocos adicionais que protejam a aplicação, a infraestrutura e a política de negócio.
Queda no valor dos tokens
Os painelistas concordam que os modelos de linguagem de grande porte (LLMs) estão se tornando commodities e, com a forte concorrência, sobretudo vinda da Ásia com preços mais competitivos, a tendência é que os tokens tenham um recuo substancial em seus preços. Mas para Borges, esse barateamento pode não se firmar.
Segundo ele, conforme a complexidade das interações crescer, o mesmo acontecerá com os tokens, aumentando os custos gerais. Por isso, ele recomenda que as empresas apliquem uma orquestração inteligente, usando diferentes modelos em etapas distintas, direcionando questões que requerem mais detalhes ou processamentos detalhados apenas para modelos robustos. Outra alternativa, citada por Souza, é usar modelos menores de linguagem ou de código aberto, que têm potencial para baratear as operações.
Foto: (da esquerda para a direita) Fernando Paiva, editor-chefe do MobileTime, Caio Borges, country manager da Infobip Brasil, José Caodaglio, CEO da ColmeIA, Nicola Sanchez, CEO da Matriz Go, e Rafael Souza, CEO da Ubots.




