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Rescisão da Petrobras pressiona bonds da Oceânica e reforça receio com dívida corporativa

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Bloomberg — A decisão da Petrobras (PETR3; PETR4) de cancelar os contratos de duas embarcações da Oceânica derrubou os títulos de dívida da companhia, em mais um revés para o já fragilizado mercado brasileiro de dívida corporativa.

A Petrobras é a maior cliente da Oceânica e respondeu por 95% de sua receita líquida no ano passado, o que ajuda a explicar a forte reação do mercado.

Desde que a empresa revelou os cancelamentos na semana passada, seus títulos em dólar com vencimento em 2031 caíram 12 centavos, entregando perdas de 10,7% — o pior desempenho entre os títulos de mercados emergentes na última semana.

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Os papéis foram emitidos há apenas três meses, em um refinanciamento para alongar o perfil da dívida. Na ocasião, a empresa ampliou a emissão de US$ 625 milhões para US$ 650 milhões.

Agora, os títulos são negociados a 88 centavos de dólar, com rendimento de cerca de 14,9%, apesar de uma recuperação parcial após a forte queda de sexta-feira.

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O mercado brasileiro de dívida corporativa tem sido abalado por uma série de fortes quedas nos últimos meses, de Braskem a Raízen, que surpreenderam investidores pela rapidez e intensidade, atrapalhando novas emissões.

“A queda pode ter sido um pouco excessiva, mas não foi sem fundamento”, disse Nicolas Giannone, analista da Balanz UK, que encerrou na semana passada sua recomendação de overweight para a Oceânica, mantida por três meses. “Essas histórias são difíceis de acompanhar em tempo real e dependem muito da credibilidade da gestão e da execução operacional.”

Anteriormente, investidores receosos se desfizeram dos títulos da Aegea após a empresa adiar a divulgação de suas demonstrações financeiras. O episódio se somou a outras fortes quedas no mercado de dívida, envolvendo Raízen, Ambipar e Braskem. As perdas afastaram investidores dessa classe de ativos, mesmo que os casos tenham sido vistos como problemas específicos de cada empresa.

No centro da turbulência está uma questão recorrente entre os investidores: se as recentes quedas são casos isolados ou sinais de que mais problemas estão por vir.

“O mercado está extremamente sensível a qualquer surpresa de crédito no segmento de high yield brasileiro neste momento”, disse Roger Horn, estrategista sênior de mercados emergentes da Mariva Capital Markets.

Contratos cancelados

A Petrobras rescindiu os contratos das embarcações SUB XIII, em 19 de maio, e SUB XVIII, em 31 de julho, citando cláusulas contratuais relacionadas aos prazos de mobilização, segundo a Oceânica em seu balanço de 13 de agosto.

A Oceânica tem liquidez suficiente e espera que as duas embarcações voltem a operar para a Petrobras, realizando inspeções de casco em plataformas de produção, disse o diretor financeiro James Lynch em entrevista. Uma delas deve retomar as operações no fim do terceiro trimestre e a outra, no início do quarto, disse.

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Lynch disse ter recebido várias ligações de investidores preocupados com uma possível ruptura com a Petrobras e com o risco de o problema se estender a outros contratos. “Nossa relação com a Petrobras, do ponto de vista técnico, continua muito boa”, afirmou. “Nada mudou nesse aspecto.”

A Petrobras disse em comunicado que a empresa Oceânica mantém contrato de prestação de serviços de inspeção de cascos com a Petrobras.

Nessa modalidade de contrato, a definição e a estratégia de utilização de embarcações para a execução dos serviços são de responsabilidade da contratada, observados os requisitos contratuais e a necessidade de aceitação prévia dos recursos pela Petrobras.

Por esse motivo, não é possível afirmar, antecipadamente, qual embarcação será empregada na execução dos serviços.

A Petrobras mantém relacionamento técnico e contratual com seus fornecedores, sem distinção, conduzindo a execução de seus contratos conforme os instrumentos firmados e a legislação vigente, disse.

“Os investidores buscam mais informações sobre a situação, e alguns ainda não sabem o que fazer com o investimento”, disse Omar Zeolla, analista da Oppenheimer & Co. “Os fundamentos sustentam uma visão positiva, mas tudo depende de a relação com a Petrobras se manter sem novos contratempos.”

Para a Oceânica, os cancelamentos se somam a resultados abaixo do esperado, pressionados por custos maiores e aumento da alavancagem, deixando pouca margem para erros.

O Ebitda ajustado caiu 23% no segundo trimestre ante um ano antes, enquanto a margem recuou para 35%, de 45%. A relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado subiu para 4,9 vezes, ante 3,8 vezes no fim de 2025.

“O fluxo de caixa livre deve melhorar significativamente no segundo semestre”, disse Giannone, da Balanz. “Mas, após a fraqueza inesperada no segundo trimestre, os investidores parecem adotar uma postura mais cautelosa, à espera de resultados concretos.”

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